Fogo-fátuo

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Fogo-fátuo

Fogo-fátuo (ignis fatuus em latim), também chamado de Fogo tolo ou, no interior do Brasil, Fogo corredor ou João-galafoice, é uma luz azulada que pode ser avistada em pântanos, brejos etc. É a inflamação espontânea do gás dos pântanos (metano), resultante da decomposição de seres vivos: plantas e animais típicos do ambiente.

Fenômeno[editar | editar código-fonte]

Quando um corpo orgânico começa a entrar em putrefação, ocorre a emissão do gás metano (CH₄).

Os fogos-fátuos são produtos da combustão do metano, gerado pela decomposição de substâncias orgânicas, ou a fosforescência natural dos sais de cálcio presentes nos ossos enterrados.

Muitos que avistam o fenômeno tendem a evacuar o local rapidamente, o que, devido ao deslocamento do ar, faz com que o fogo fátuo mova-se na mesma direção da pessoa. Tal fato leva muitos a acreditar que o fenômeno se trata de um evento sobrenatural, tais como espíritos, fantasmas, dentre outros.

Criaturas folclóricas[editar | editar código-fonte]

Onde aparece o fogo-fátuo, há folclore e histórias de criaturas como espíritos e fantasmas culpadas por esse fenomêno:

  • Hinkypunk: ocorre no folclore do sudoeste da Inglaterra. Um hinkypunk é um espírito malévolo que se diverte em atrapalhar e até causar a morte de viajantes que passam por terras remotas pela noite. Sua ação ocorre da seguinte forma: ao avistar um andarilho, o Hinkypunk acende sua tocha. O viajante, cansado, fica feliz em ver a tocha acesa e corre em direção à luz, apercebendo-se tardiamente que fora atraído direto para um penhasco, areia movediça ou uma vala.
  • Pwca: presente no folclore galês. O Pwca, uma criatura com cabeça de um corvo sorridente, cauda de macaco e corpo de fumaça, vive em despenhadeiros, onde gosta de atrair pessoas com música vinda de um violino que carrega. Quando vê sua vítima, o Pwca lhe dá conselhos enganadores, ludibriando e enganando a pessoa, que se perde nas colinas e campos.
  • Boitatá: Uma gigantesca cobra de fogo do folclore brasileiro, avistadas em brejos, onde espanta e come pescadores incautos que prejudicam a vida dos peixes e de sua lagoa ou protegendo rios. O Boitatá também protege as florestas de queimadas, podendo se transformar em uma tora de madeira em brasa e queimar quem ameaça seus rios.
  • Kelpie: é a alma de um animal transformada em um cavalo, o Kelpie é um cavalo prateado que vive em grandes lagos e que só aparece em noites de luar. Quando aparece para uma pessoa, o Kelpie se mostra gentil, permitindo que a pessoa o cavalgue, até ele voltar para seu lar e matar por afogamento sua montaria.
  • Hitodama (人魂, ひとだま): do folclore japonês. Quando alguém morre, sua alma sai do corpo com uma forma imaterial e globular, uma esfera brilhante que se chama hitodama. Segundo essas lendas, a pessoa pode tomá-la para si antes que vá para o outro mundo. Costuma ser carregada por animais como pássaros e raposas.

Os fogos fátuos dão origem a muitas superstições populares. Acredita-se que sejam espíritos diabólicos que molestam ou fazem extraviar-se os viajantes ou afastar alguém que tenta se aproximar. Há quem os consideram como presságios de morte ou desgraças. Algumas populações da África, inclusive no sul de Moçambique, enterra os seus mortos, de propósito, a poucos centímetros de profundidade, para verem o fogo fátuo, que seria o espírito do morto que sai do corpo.

Ver também[editar | editar código-fonte]