Frumenzio Ghetta

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Diploma original da concessão do brasão do príncipe-bispo Nicolau de Brno, descoberto por Ghetta.

Alberto Antonio Ghetta (Vigo di Fassa, 11 de fevereiro de 1920 – Trento, 22 de abril de 2014), conhecido como Frumenzio Ghetta, foi um franciscano, linguista, arquivista e historiador trentino.

Era filho de Marino Ghetta e Elisabetta Weiss. Iniciou seus estudos primários nos colégios franciscanos de Villazzano e Campo Lomaso, e em 1938 entrou para a Ordem Franciscana, adotando o prenome Frumenzio. Fez seu noviciado em Arco e em 1942 proferiu os votos perpétuos. Entre 1942 e 1945 tomou ordens menores, tornou-se diácono e por fim foi ordenado sacerdote. Completou seus estudos superiores de teologia e humanidades junto a preceptores franciscanos. Depois de muitos anos desempenhando diversas funções em conventos trentinos, em 1966 foi designado para o Convento de São Bernardino na capital.[1]

Ali desenvolveria a parte mais importante de sua carreira, entrando em contato com o rico acervo bibliográfico e documental do convento. Passaria então a encarregar-se da organização, recuperação, transcrição e edição de uma extensa série de manuscritos e fundos documentais até então em sua maioria inéditos, pouco acessíveis e pouco estudados. Seu trabalho trouxe à luz e disponibilizou para pesquisadores um importante material referente à história do Principado de Trento e dos franciscanos nesta região, colaborando muitas vezes com outros destacados historiadores locais, especialmente Remo Stenico. Paralelamente, deixou muitos trabalhos sobre a língua ladina, foi um dos fundadores do Istitut Cultural Ladin Majon di Fascegn em Vigo di Fassa, e foi ativo membro do Conselho Editorial da revista Mondo Ladino. Deixou mais de 150 trabalhos de pesquisa, em sua maioria ainda à espera de publicação.[1] Entre suas descobertas estão os limites históricos da região da Marmolada, o diploma original da concessão do brasão do príncipe-bispo Nicolau de Brno, a chamada Águia de São Venceslau, que tornou-se símbolo da Província Autônoma de Trento, e registros que possibilitaram a localização de um assentamento rético em Mazzin.[2]

Foi membro da prestigiada Accademia Roveretana degli Agiati,[3] e seu trabalho foi reconhecido com a medalha Águia de São Venceslau, a maior honraria cívica da província.[2] Em seu obituário no Giornale Trentino, Valentina Redolfi louvou-o como "um historiador de grande relevo, o mais importante do Val di Fassa e um dos maiores em nível regional".[4] Segundo Angela Grazia Mura, em verbete no Dizionario biografico degli storici trentini,

"Personalidade rica na sua dimensão espiritual e humana, soube conjugar a adesão convicta à vida conventual, o empenho pastoral, dedicado sobretudo aos enfermos e idosos, com o estudo apaixonado da história local, que recolheu em seus aspectos mais pequenos e episódicos, nas vozes mais esquecidas. Um espaço excepcional, no seu interesse pelo estudo, foi dedicado à história do povo ladino e do seu vale natal, o Val di Fassa, que explorou em fontes arquivísticas mas também na cor das tradições populares e do idioma local, enfocando desde a Pré-História até a Idade Moderna".[1]

Referências

  1. a b c Mura, Angela Grazia. "Frumenzio Ghetta". In: Dizionario biografico degli storici trentini. Società di Studi Trentini di Scienze Storiche, 2012
  2. a b Felicetti, Mario. "Padre Ghetta, cultura in lutto". L'Adige, 23/04/2014
  3. Accademia Roveretana degli Agiati di Scienze, Lettere e Arti. Frumenzio Ghetta.
  4. Redolfi, Valentina. "Si è spento padre Frumenzio Ghetta". Giornale Trentino, 23/04/2014