Gambiologia

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Gambiologia é uma abordagem contemporânea sobre a gambiarra (em inglês: jury rig, kludge ou makeshift). É a pesquisa sobre como a tradição brasileira de adaptar, improvisar, encontrar soluções simples e criativas para pequenos problemas cotidianos pode ser aplicada hoje, nos contextos da arte contemporânea e da cultura digital.

A Gambiologia propõe uma análise sobre a gambiarra para além da comparação com o que se chama de "Jeitinho Brasileiro". Pelo contrário, sugere um estudo sobre sua relação com questões relevantes no mundo contemporâneo: tecnologia, sustentabilidade, escassez de recursos, criatividade, arte, design, cultura hacker e "faça-você-mesmo". A partir disso, a Gambiologia investiga o fenômeno sob uma ótica de inovação social, relacionando-a com manifestações similares – principalmente de países em desenvolvimento – como Jugaad na India, Juakali no Quênia, Zizhu chuangxin na China, o Rasquache no México, entre outros.

Gambiologia é também o nome de um Coletivo de artistas de Belo Horizonte (Brasil) que tornou-se referência ao elaborar e aprofundar o uso do termo, principalmente no circuito das artes plásticas e do design.

Coletivo Gambiologia[editar | editar código-fonte]

Capacete da Armadura Gambiológica (2008), primeiro trabalho do Coletivo Gambiologia

Em 2008, o trio de artistas/designers Fred Paulino, Lucas Mafra e Paulo Henrique Pessoa ("Ganso") adotou o nome Gambiologia para seu trabalho criativo inspirado na "Ciência da Gambiarra". O grupo desenvolve artefatos multifuncionais que podem ser reconhecidos tanto como eletrônicos, esculturas, instalações ou objetos decorativos. Também realiza projetos coletivos relacionados ao tema, como a exposição Gambiólogos (2010), além de oficinas de eletrônica e design sustentável[1] e a revista Facta, cujo primeiro número foi lançado em dezembro de 2012[2].

A ideia de formação do Coletivo partiu da campanha promocional para o 3º Festival Arte.mov, criada pelo estúdio Osso Design, que apresentava vestimentas criadas a partir de objetos descartados, especialmente lixo eletrônico. O trabalho, batizado posteriormente como "Armadura Gambiológica"[3], marcou o primeiro encontro produtivo dos artistas que viriam a formar o grupo.

Pelo conjunto de iniciativas, o Coletivo Gambiologia recebeu em 2010 uma Menção Honrosa em Arte Interativa[4] no Prix Ars Electronica, na Áustria, um dos mais tradicionais festivais de arte eletrônica do mundo. O projeto foi também definido como um “macro trend” pelo WGSN, referência internacional em conteúdo e pesquisas de tendências para estilo e comportamento.

Gambiólogos - a Gambiarra nos Tempos do Digital[editar | editar código-fonte]

Gambiólogos foi uma exposição coletiva realizada entre os dias 19/11 e 15/12 de 2010, no Espaço Centoequatro, em Belo Horizonte com curadoria de Fred Paulino. Participaram da mostra 26 artistas do Brasil e exterior, dentre eles: Peter Vogel, Evan Roth, Guto Lacaz, O Grivo, Fernando Rabelo, Jarbas Jácome, Mariana Manhães, Coletivo Gambiologia e Paulo Nenflídio.

A exposição exibiu objetos, esculturas, instalações e sistemas digitais que relacionavam, de formas diversas, a ideia de “gambiarra tecnológica”. O recorte curatorial selecionou obras produzidas a partir da adaptação e reinvenção de materiais de uso cotidiano ou obsoletos aliados a tecnologias eletrônicas, de forma criativa.

Mutirão da gambiarra[editar | editar código-fonte]

Mais ou menos simultaneamente ao surgimento do Coletivo Gambiologia, a Rede Metareciclagem também iniciou o uso do termo em discussões internas na sua lista de discussão, o que resultou na publicação colaborativa digital Gambiologia - Mutirão da Gambiarra.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Instituto Sérgio Motta. «Gambiologia – Arte com gambiarra e tecnologia». Consultado em 22 de janeiro de 2013. 
  2. Revista Select. «Se você acha que entendeu o que é Gambiologia...». Consultado em 22 de janeiro de 2013. 
  3. «Armadura Gambiológica no gambiologia.net». Consultado em 23 de janeiro de 2013. 
  4. AEC. «Gambiocycle - Prix Ars Electronica 2011» (em inglês). Consultado em 22 de janeiro de 2013. 

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • BOUFLEUR, RODRIGO NAUMANN (2006). A Questão da Gambiarra: Formas Alternativas de Desenvolver Artefatos e suas Relações com o Design de Produtos. São Paulo: FAU - USP. p. 153 
  • HORA, DANIEL DE SOUZA NEVES (2010). arte _ hackeamento: diferença, dissenso e reprogramabilidade tecnológica. Brasília: Universidade de Brasília 
  • PAULINO, F; MAFRA, L (2012). Gambiólogos: do digital, do analógico e de elementos da cultura. Entrevista 7 ed. São Carlos: V!RUS. Consultado em 22 de janeiro de 2013. 
  • PAULINO, F (2012). Gambiocycle. 2 Transfers: Interdisciplinary Journal of Mobility Studies 2 ed. New York / Oxford: Berghahn Journals. pp. 127–132. ISSN 2045-4813 
  • ROSAS, RICARDO (2006). Gambiarra: alguns pontos para se pensar uma tecnologia recombinante (PDF). Cadernos Videobrasil 02. São Paulo: SESC-SP. p. 153. Consultado em 20 de março de 2011. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Video[editar | editar código-fonte]