Gambiarra

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Exemplo de gambiarra (improviso): Funil improvisado com guardanapo
Exemplo de gambiarra (improviso): suporte para planilha e porta-objetos em bicicleta
Exemplo de gambiarra (improviso): artefato de rápido recolhimento para vendedor ambulante

"Gambiarra" (substantivo feminino) é uma palavra com vários significados, entre os quais os mais predominante são "extensão de luz" e, no Brasil, "improvisação" (que terá correspondência no termo "desenrascanço", utilizado em Portugal). Entre outros significados, destacam-se "ramificação de luzes" (Ferreira, 1999), "ligação fraudulenta; gato" (Houaiss, 2001), "relação extraconjugal" (Navarro, 2004). O termo "gambiarra" costuma ser usado também como adjetivo, significando "precário", "feio", "tosco", "mal acabado". Inflexões modernas da palavra (gírias), no sentido de improvisação: Cambiarã se estende a novas interpretações e também conhecidos como Gambis; Gambi; Gambota.

Contudo, usamos esta palavra para definir um acessório de iluminação num teatro: (Luzes da Ribalta), conjunto de lâmpadas montadas na ribalta do teatro para assegurar a iluminação frontal da cena e reduzir sombras indesejadas. A gambiarra também serve para que os artistas não percam a concentração durante o espetáculo, pois as luzes da ribalta encobrem a platéia.

Gambiarra (Improviso)[editar | editar código-fonte]

No sentido de improviso, improvisação, gambiarra é o próprio ato de constituir uma solução improvisada. No contexto da cultura material, "gambiarra é o procedimento necessário para a configuração de um artefato improvisado. A prática da gambiarra envolve sempre uma intervenção alternativa, o que também poderíamos definir como uma “técnica” de re-apropriação material: uma maneira de usar ou constituir artefatos, através de uma atitude de diferenciação, improvisação, adaptação, ajuste, transformação ou adequação necessária sobre um recurso material disponível, muitas vezes com o objetivo de solucionar uma necessidade específica. Podemos compreender tal atitude como um raciocínio projetivo imediato, determinado pela circunstância momentânea." [1]. Como processo, a gambiarra pode ser considerada uma forma alternativa de design. "O uso informal do termo [como improviso] denota uma propensão cultural relacionada ao que se costuma chamar de jeitinho brasileiro. É uma manifestação não exclusiva, porém típica e muito presente na cultura popular brasileira." (Boufleur, 2006:25)

A Questão Etimológica[editar | editar código-fonte]

Segundo o dicionário Hoauiss (2001), o termo gambiarra tem etimologia de origem "contraditória e duvidosa". Nos principais dicionários brasileiros, a primeira acepção para o termo gambiarra é "uma ramificação ou extensão de luzes". Apesar do evidente e difundido uso informal do termo no Brasil, visto como uma forma de "improvisação", nenhum destes dicionários inclui qualquer acepção que se refira precisamente a este significado.

Indo mais adiante, "gambi" em italiano significa haste, perna, suporte e o sufixo arra...arre...é uma expressão usada para algo que teve sucesso mesmo que tardio.

Gambiarra na Arquitetura[editar | editar código-fonte]

Segundo "Dicionário Ilustrado de Arquitetura VL 01", p. 286: “Em teatros, série de lâmpadas cobertas, suspensas acima da ribalta, dando um efeito especial a iluminação da cena”. “Por extensão, sistema de iluminação formado por uma ou várias lâmpadas enfileiradas sustentadas por um único suporte horizontal, em geral um vegalhão. É usada principalmente para iluminação provisória do estaleiro de obras; quando constituída por uma só lâmpada é comumente utilizada para iluminar locais de difícil acesso que necessitem ser trabalhados”.

Gambiarra na Programação de Computadores[editar | editar código-fonte]

Na programação, a gambiarra é uma maneira paliativa (e criativa) de resolver um problema ou corrigir um sistema de forma ineficiente, deselegante ou incompreensível, mas que mesmo assim funciona. Por exemplo:

Este é um código que imprime na tela a repetição da frase "Hello world!" 5 vezes utilizando-se para isto de um laço para controlar:

#include <stdio.h>
int main (void) {
    int i;
    for (i=0; i<5; i++) {
        printf("Hello world!");
    }
    return 0;
}

Este é um código que imprime na tela a repetição da frase "Hello world" 5 vezes, porém utilizando-se de gambiarra para obter o resultado final:

#include <stdio.h>
int main (void) {
    printf("Hello world!");
    printf("Hello world!");
    printf("Hello world!");
    printf("Hello world!");
    printf("Hello world!");

    return 0;
}

De forma cômica, no Brasil a gambiarra na programação de computadores também é citada como P.O.G. (Programação Orientada a Gambiarra), em alusão ao conceito de programação orientada a objetos.

Em Portugal e na gíria informática é utilizado o termo "martelada" em vez de gambiarra.

Gambiarra em Outros Segmentos[editar | editar código-fonte]

O termo é utilizado em diversas áreas profissionais como informática, programação, eletrônica, engenharia civil, cinema, teatro, artes plásticas, arquitetura, design, geralmente se referindo a soluções improvisadas, adaptações, ajustes, muitas vezes como uma solução que não se utiliza de métodos, plano ou projeto. A gambiarra é muitas vezes entendida de forma pejorativa como algo em condições precárias, provisório, transitório, mal-acabado ou rústico.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio - Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Ed. Nova Fronteira, 1999
  • HOUAISS, Antonio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Ed.Objetiva, 2001
  • LIMA, Cecília M. e ALBERNAZ, Maria P. Dicionário Ilustrado de Arquitetura (v. I). Pro Editores
  • NAVARRO, Fred. Dicionário do Nordeste - 5000 palavras e expressões. São Paulo: Estação Liberdade, 2004

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]