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Godos da Crimeia

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Evidência arqueológica dos godos da Crimeia
Mapa da Gótia (Gotthia), território dos godos da Crimeia

Os godos da Crimeia foram um povo de língua germânica que habitou as terras ao redor do Mar Negro, especialmente a Crimeia, entre aproximadamente o século III e o século XVIII. Embora o período exato em que deixaram de existir como uma cultura distinta seja desconhecido, foram o grupo mais duradouro entre os povos conhecidos como godos — designação aplicada a várias tribos que podem ter tido pouca ou nenhuma ligação direta entre si. Com base em evidências históricas e linguísticas fragmentárias, os godos da Crimeia podem ter tido ligações com uma tribo anterior de língua germânica oriental, os greutungos, e/ou com povos de fala germânica ocidental.[carece de fontes]?

Além de relatos textuais sobre a presença de godos na Crimeia (tanto relatos de primeira mão quanto secundários, que remontam pelo menos ao ano de 850),[1] existem numerosos sítios arqueológicos, incluindo as ruínas de Doros (a atual Mangup), antiga capital dos godos da Crimeia. Ademais, diversas peças de joalheria, armamentos, escudos, botões, fíbulas e pequenos artefatos pessoais expostos em museus da Crimeia e no Museu Britânico permitiram uma melhor compreensão histórica da Gótia da Crimeia.[carece de fontes]?

Origens e identidade

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Embora a maioria dos historiadores e linguistas sustente que os godos da Crimeia descendiam originalmente de populações ostrogodas,[2][3] outros pesquisadores sugerem que eles parecem ter assimilado tribos de dialetos germânicos ocidentais (ou mesmo germânicos setentrionais).[4][carece de fonte melhor]

Ogier Ghiselin de Busbecq (1522–1592), embaixador do Sacro Império Romano-Germânico junto ao Império Otomano, é uma das principais fontes documentais sobre os godos da Crimeia. Em sua Quarta Carta Turca, Busbecq relata que, pelo fato de o idioma gótico da Crimeia não se assemelhar de forma tão estrita ao gótico clássico documentado, não ficava evidente se suas origens provinham estritamente dos godos per se ou de algum povo germânico ocidental, como os saxões.[carece de fontes]?

História

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Primórdios

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A presença gótica na Crimeia foi atestada documentalmente a partir do século III d.C.[carece de fontes]?

De acordo com Herwig Wolfram, apoiado nos relatos de Jordanes, os ostrogodos estabeleceram um vasto reino ao norte do Mar Negro no século IV,[5] o qual foi subjugado pelos hunos na época do rei godo Ermanarico (ou Hermanarico; i.e., "rei dos nobres"[nota 1]), quando os hunos migraram em direção às estepes ucranianas.[carece de fontes]?

Ruínas de Mangup (Doros): Capital dos godos da Crimeia
Ruínas modernas de Mangup (Doros), capital dos godos da Crimeia.

Os ostrogodos tornaram-se vassalos dos hunos até a morte de Átila, momento em que se rebelaram e recuperaram a independência. A exemplo dos hunos, os godos remanescentes na Crimeia nunca mais recuperaram sua antiga hegemonia territorial.[carece de fontes]?

Segundo Peter Heather e Michael Kulikowski, os ostrogodos como entidade coesa sequer existiam formalmente até o século V, quando emergiram da fusão de grupos godos e não godos.[6][7] É provável que outros agrupamentos góticos tenham se fixado na Crimeia de forma independente.[8]

No final do século V, o monarca ostrogodo-romano Teodorico, o Grande tentou, sem sucesso, recrutar os godos da Crimeia para apoiar suas campanhas militares na Itália entre 488 e 493.[9][10]

Durante o final do século V e o início do século VI, os godos da Crimeia tiveram de rechaçar hordas de hunos que migravam de volta para o leste após o colapso de seu domínio sobre a Europa Central.[11]

Diversas inscrições do início do século IX descobertas na Crimeia empregam o termo "godo" apenas como nome próprio pessoal, e não como etnônimo. Isso, contudo, não constitui necessariamente prova do declínio do idioma, dada a escassez geral de registros escritos deixados pelos próprios godos da Crimeia naquele período.[carece de fontes]?

Período bizantino

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Mangup-Kale é a maior fortaleza rupestre da península da Crimeia.

O Principado da Gótia, comumente denominado Teodoro, formou-se após a Quarta Cruzada a partir de porções do tema bizantino de Climata que não haviam sido ocupadas pela República de Gênova. Sua população era composta por uma mescla de gregos, godos da Crimeia, alanos, protobúlgaros, quipchacos e outros povos, todos adeptos do cristianismo ortodoxo. A língua oficial e administrativa do principado era o grego. Inicialmente, o território esteve sob a órbita do Império de Trebizonda, integrando potencialmente suas possessões ultramarinas na Crimeia, a chamada Perateia.[carece de fontes]?

Muitos godos da Crimeia eram falantes de grego, e diversos súditos bizantinos não germânicos foram assentados na região designada como "Gótia" pelo governo de Constantinopla. O enclave autônomo em torno da fortaleza de Doros (atual Mangup), o Principado de Teodoro, subsistiu através de sucessivos períodos de vassalagem perante o Império Bizantino, os cazares, os quipchacos, os mongóis, os genoveses e outras potências até 1475, quando foi finalmente conquistado e anexado pelo Canato da Crimeia e pelo Império Otomano. Esse evento é tradicionalmente considerado o marco final da história política dos godos da Crimeia.[12]

O bispo francês Jean Germain, escrevendo em 1452, declarou que os mamelucos (escravos soldados do Egito) eram "comumente pictos e godos [Pictes et Gethes], cristãos gregos, subjugados pelas artimanhas dos genoveses". A alusão incongruente aos pictos, contudo, torna a precisão histórica da passagem questionável.[13]

Idade Moderna

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Em meados do século XVI, a existência de remanescentes dos godos na Crimeia tornara-se relativamente conhecida entre eruditos da Europa Ocidental. Vários viajantes visitaram a península e registraram relatos sobre eles. Um relato de viés romântico surge na obra Gentis Silesiae Annales (1571), de Joachimus Cureus, na qual ele afirma que, durante uma travessia marítima no Mar Negro, sua embarcação foi arrastada para a costa por tempestades. Ali, para sua surpresa, encontrou um homem cantando uma melodia na qual utilizava "palavras alemãs"; ao inquiri-lo sobre sua origem, o interlocutor teria respondido "que sua morada era próxima dali e que seu povo eram godos".[14] Outro cronista, Georgius Torquatus (falecido em 1575), declarou que, embora conservassem uma língua própria, os godos da Crimeia costumavam empregar o grego, o tártaro ou o húngaro nas transações com estrangeiros.[14]

Ogier Ghiselin de Busbecq relatou (em escritos publicados em 1595) ter mantido conversações com dois delegados godos em Constantinopla. Ele registrou também um vocabulário gótico-latino com cerca de cem palavras germânicas que apresentavam traços comuns com a antiga língua gótica.[carece de fontes]? Busbecq descreveu-os como "um povo belicoso, que até hoje habita numerosas aldeias".[15]

Em 1690, Engelbert Kaempfer observou:

A língua falada na península da Crimeia, ou Quersoneso Táurico, na Ásia, ainda preserva muitas palavras germânicas, levadas para lá, como se supõe, por uma colônia de godos que ali se estabeleceu cerca de 850 anos após o Dilúvio. O finado Sr. Busbecq, que fora embaixador imperial junto à Porta Otomana, recolheu e publicou um grande número dessas palavras em sua quarta carta; e, em minhas próprias viagens por essa região, pude notar muitas mais.[16]

Religião

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A mais antiga menção cristã sobre os godos da Crimeia figura na Vita de São Cirilo, o Apóstolo dos Eslavos, que viajou à Crimeia para pregar o evangelho aos cazares (c. 850). Ele lista os "godos" entre os povos que liam e louvavam a Deus "em sua própria língua".[17] Em 1606, Joseph Justus Scaliger asseverou que os godos da Crimeia liam tanto o Antigo quanto o Novo Testamento "nos caracteres do alfabeto de Úlfilas".[18] Esses são os únicos dois relatos históricos que atestam uma tradição escrita para o gótico da Crimeia, confirmando paralelamente a sua adesão à fé cristã.

Os povos góticos praticavam primitivamente variantes do paganismo germânico antes de serem formalmente cristianizados entre os séculos IV e VI d.C.[19]

A língua dos godos da Crimeia conta com escassa documentação, sobrevivendo apenas 101 vocábulos isolados e atestados com segurança, raras frases fragmentárias e uma canção rimada de três versos que nunca foi traduzida de forma inequívoca.

Em 2015, cinco inscrições murais em caracteres góticos foram descobertas pelo historiador russo Andrey Vinogradov gravadas em lajes de pedra escavadas em Mangup em 1938, tendo sido decifradas por ele e Maksim Korobov. A identificação desses textos foi dificultada pelo fato de terem sido posteriormente sobrepostos por inscrições e grafites em língua grega.[20][21]

Desaparecimento

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Há outros registros pontuais aludindo à presença de godos na Crimeia após a publicação do relato de Busbecq, conquanto nenhum forneça detalhes minuciosos sobre sua língua ou tradições comunitárias. O último registro seguro data de cerca de 1780, por intermédio do arcebispo de Mogilev, Stanisław Bohusz Siestrzeńcewicz, que visitou a península no final do século XVIII e assinalou a existência de comunidades cujos hábitos e fala divergiam nitidamente dos povos vizinhos, concluindo tratar-se de "godos".[22] A remoção forçada de populações cristãs da Crimeia em 1778, executada pelo Império Russo, consolidou decisivamente o declínio final dessa comunidade étnica remanescente.[23]

Não obstante a ausência de registros adicionais sobre o idioma a partir do final do século XVIII, pequenos bolsões populacionais com feições físicas e costumes de matriz germânica foram esporadicamente descritos na região, o que levou alguns autores a aventar a hipótese de que o gótico pudesse ter subsistido como língua doméstica (Haussprache) em círculos fechados até meados de 1945.[24]

É amplamente aceito que os godos já haviam adotado o tártaro da Crimeia e o grego muito antes da missão de Busbecq,[25] tendo sido progressivamente absorvidos pelas populações maiores de tártaros da Crimeia e gregos da Crimeia, a ponto de viajantes do século XIX que visitaram Mangup não encontrarem mais quaisquer vestígios materiais ou culturais das comunidades góticas.[26]

Legado e instrumentalização política

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Praticamente nenhum vestígio material ou cultural direto dos godos da Crimeia subsiste nos dias de hoje. Durante a vigência da Alemanha Nazista, propagandistas do Terceiro Reich e o próprio Adolf Hitler sustentaram a alegação pseudohistórica de que os godos da Crimeia teriam sobrevivido por tempo suficiente para se miscigenarem com os colonos germânicos posteriores da região, reivindicando que os alemães da Crimeia constituíam a população autóctone da península. O regime nazista planejou colonizar a Crimeia com cidadãos alemães e renomear cidades históricas com supostos nomes góticos: durante a ocupação militar decorrente da campanha da Crimeia, a cidade de Sebastopol teve seu nome temporariamente alterado para Theoderichshafen.[27] O objetivo final do projeto imperial para o idealizado "Gau Gotenland" ("Gótia" ou "Terra dos Godos") visava erradicar a população local, repovoar o território com colonos arianos e transformar a Crimeia em uma base militar e balneária fortificada — descrita por Hitler como a "Gibraltar alemã" —, ligada a Berlim por uma autoestrada direta (autobahn). O plano foi protelado devido às prioridades bélicas e restou totalmente inviabilizado pela retomada soviética da península em 1944 e pela consequente derrota militar da Alemanha Nazista.

Ver também

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  1. Here/Hari (exército/nobre) + mann/man (homem) + ric/rike (governante))

Referências

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  1. Vasiliev 1936, p. 114
  2. Streitberg 1920, p. 17
  3. Siebs 1922:170-72.
  4. Schwarz 1951, p. 162
  5. Wolfram 1988, pp. 78–263 passim
  6. Heather 1998, pp. 52–55
  7. Kulikowski 2006, p. 111
  8. Heather & Matthews 1991, p. 92 n. 87
  9. Wolfram, Herwig (1990). History of the Goths. Col: European history/Medieval studies/Classical studies. Traduzido por Dunlap, Thomas revisada ed. Berkeley: University of California Press. p. 79. ISBN 9780520069831. Consultado em 13 de dezembro de 2022. Theodoric the Great wished the Crimean Goths to join his army on the march to Italy, but they declined with thanks.
  10. Wolfram 1988, pp. 271–280
  11. Wolfram 1988, p. 261
  12. Miechowa (1457-1523), Maciej z. (1518). «Tractatus de duabus Sarmatiis Asiana et Europiana et de contentis in eis». Marx Wirsung. Biblioteka Jagiellońska, Berol. Ue 8438. doi:10.1163/2451-9537_cmrii_com_26278
  13. Hannah Barker (2020), That Most Precious Merchandise: The Mediterranean Trade in Black Sea Slaves, 1260–1500, University of Pennsylvania Press, p. 200.
  14. 1 2 Stearns 1971:7.
  15. de Busbecq, Ogier Ghiselin (1968). «The Fourth Letter». In: Foster, Edward Seymour. The Turkish Letters of Ogier Ghiselin de Busbecq, Imperial Ambassador at Constantinople, 1554–1562. Col: Oxford reprints. Traduzido por Foster, Edward Seymour reimpressão ed. [S.l.]: Clarendon Press. pp. 201–202. Consultado em 13 de dezembro de 2022. When I asked him about the nature and habits of these people, he gave the sort of replies that I expected. He said that the tribe was warlike and at the present day occupied numerous villages. [...] Their chief towns were Mancup and Scivarin.
  16. Kæmpfer, Engelbertus (1727). The History of Japan: Giving an Account of the Ancient and Present State and Government of That Empire; of Its Temples, Palaces, Castles and Other Buildings; of Its Metals, Minerals, Trees, Plants, Animals, Birds and Fishes; of The Chronology and Succession of the Emperors, Ecclesiastical and Secular; of the Original Descent, Religions, Customs, and Manufactures of the Natives, and of Their Trade and Commerce with the Dutch and Chinese. Together with a Description of the Kingdom of Siam. Traduzido por Scheuchzer, J. G. Londres: [s.n.] p. 84. Consultado em 30 de maio de 2026
  17. Loewe 1896:114.
  18. Stearns 1971:16.
  19. Schäferdiek & Gschwantler 2010, p. 350.
  20. Nemalevich, Sergey (25 de dezembro de 2015). «Молитвы на камнях Историк Андрей Виноградов рассказывает о первых надписях на крымско-готском языке» (em russo). Meduza. Consultado em 26 de dezembro de 2015
  21. А. Ю. Виноградов; М. И. Коробов (2016). «Готские граффити из мангупской базилики» (PDF) (em russo). pp. 57–75 Tradução revisada em alemão publicada como "Gotische Graffito-Inschriften aus der Bergkrim", Zeitschrift für deutsches Altertum und Literatur 145 (2016) 141–157. Resumo em inglês
  22. Loewe (1869:200).
  23. Stearns, MacDonald (1989). «Das Krimgotische». Germanische Rest- und TrümmersprachenSubscrição paga é requerida (em alemão). [S.l.]: De Gruyter. p. 187. ISBN 978-3-11-011948-0. doi:10.1515/9783110864717.175
  24. Schwarz (1953:163-4).
  25. Stearns (1979:39–40).
  26. Pallas (1801:363–364).
  27. Wolfram 2001, p. 12

Bibliografia

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  • Bellamy, Chris (2008). Absolute War: Soviet Russia in the Second World War. [S.l.]: Knopf Doubleday Publishing Group 
  • Heather, Peter (1998). The Goths. [S.l.]: Blackwell 
  • Heather, Peter; Matthews, John (1991). Goths in the Fourth Century. [S.l.]: Liverpool Univ. Press 
  • Kulikowski, Michael (2006). Rome's Gothic Wars: From the Third Century to Alaric. [S.l.]: Cambridge Univ. Press 
  • Schäferdiek, Knut; Gschwantler, Otto (2010) [1975]. «Bekehrung und Bekehrungsgeschichte». Germanische Altertumskunde Online. pp. 350–409 
  • Schwarz, Ernst (1951). Goten, Nordgermanen, Angelsachsen. Berna: A. Francke 
  • Schwarz, Ernst (1953). «Die Krimgoten». Freiburg im Breisgau: Böhlau Verlag. Saeculum: Jahrbuch für Universalgeschichte. 4: 156–164 
  • Shepard, Jonathan (1973). «The English and Byzantium: A Study of Their Role in the Byzantine Army in the Later Eleventh Century». Nova Iorque: Fordham University Press. Traditio: Studies in Ancient and Medieval History, Thought, and Religion. 29: 53–92. JSTOR 27830955 
  • Streitberg, Wilhelm (1920). Gotisches Elementarbuch 5.ª e 6.ª ed. Heidelberg: Carl Winter's Universitätsbuchhandlung 
  • Vasiliev, Aleksandr A. (1936). The Goths in the Crimea. Cambridge, MA: The Mediaeval Academy of America 
  • Wolfram, Herwig (1988) [Publicado originalmente em alemão, 1980]. History of the Goths. Traduzido por Dunlap, Thomas J. [S.l.]: Univ. of California Press 
  • Wolfram, Herwig (2001). Die Goten und ihre Geschichte. [S.l.]: C.H. Beck 

Ligações externas

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