Humor vítreo

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Diagrama esquemático do olho humano.

O humor vítreo, também conhecido por corpo vítreo do olho ou simplesmente por vítreo, é a substância gelatinosa e viscosa, formada por uma substância amorfa semilíquida, fibras e células, que se encontra no segmento posterior, entre o cristalino e a retina, sob pressão, de modo a manter a forma esférica do olho.

O humor aquoso é o líquido incolor, constituído por água (98%) e sais dissolvidos (2%) — predominantemente cloreto de sódio — que preenche as câmaras oculares (cavidade do olho, entre a córnea e o cristalino). O volume do vítreo é de 4 mL para o olho humano.[1] Ele é produzido incessantemente, com valor médio de 3 mL por dia, no processo ciliar, uma região recoberta por uma camada de células epiteliais, que transportam ativamente o humor vítreo desses processos ciliares para a parte posterior da córnea e à parte anterior da íris. Para manter a pressão do globo ocular constante, é drenado da região trabecular para o um vaso chamado "canal de schlemm's", que circunda todo o olho, na qual está ligado à veia episcleral pelo arqueduto venoso.

O Humor Vítreo é composto por substâncias hidrossolúveis e componente insolúvel (Proteína residual), além de ácido hialurônico, ácido ascórbico e láctico, glicose, lipídeos, albuminas, globulinas, aminoácidos (Glutamina e Histidina) e componentes inorgânicos; é mais viscoso que a água, devido a concentração de hialuronato de sódio, possui fibras de colágeno tipo II e podem ser encontradas células (Hialócitos) no córtex. Possui função estrutural a fim de manter o formato do olho e impedir o deslocamento da retina. Algumas matrizes biológicas são utilizadas como alternativas para análises laboratoriais, principalmente em estudos de toxicologia forense, como em casos de corpos carbonizados, por exemplo. O humor vítreo representa uma dessas matrizes biológicas complementares, no entanto possui algumas desvantagens: pequeno volume, pequenas concentrações de drogas, necessita de técnicas mais sensíveis e há poucos estudos sobre sua análise. Contudo, ele possui vantagens importantes como a resistência a mudanças bioquímicas de decomposição, além de ser menos suscetível à contaminação bacteriana. A análise do Humor vítreo consiste na coleta de 2 a 4 mL por punção direta no globo ocular, este conteúdo será submetido a métodos analíticos que consigam determinar quais substâncias estão presentes e quantificar esses compostos, um dos métodos é o GS-MS (Cromatografia Gasosa Acoplada à Espectrometria de Massas) e o HPLC (Cromatografia Líquida de Alta Eficiência). Os resultados laboratoriais devem ser rápidos, sensíveis e específicos para determinar certas substâncias. A quantificação dessas substâncias é de grande importância quando há ausência ou deterioração de outras matrizes. Frequentemente é analisado o etanol no humor vítreo para confirmação da ingestão deste. Analisa-se também a detecção de cocaína, opioides, diazepam, benzodiazepínicos, entre outros. A análise macroscópica vai determinar a opacidade do vítreo e a microscópica vai revelar presença de células atípicas ou achados patológicos. Alguns métodos utilizados em pesquisas para análise de Humor Vítreo: • Extração em fase sólida e HPLC- PAD; • HPLC com detector de Fluorescência para detecção de MDMA; MDEA e MDA em humor vítreo; • Metilenodioxi derivados (MDMA: N-metil-3,4- metilenodioximetanfetamina, MDA: 3,4-metilenodioxianfetamina e MDEA: N-etil-3,4-metilenodioxietilanfetamina); • Detecção de heroína, entre outros.

Referências

  1. Surat, Dr P. (23 de abril de 2019). «A new biomaterial to heal detached retina». Tech Explorist (em inglês). Consultado em 25 de abril de 2019 

[1] [2] [3]

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  1. Peres, Mariana Dadalto. Humor vítreo: uma alternativa para investigação de drogas de abuso post-mortem. Ribeirão Preto. 2014.
  2. SÁNCHEZ, A.; AZOR, C.; ARAGÓN, A.; GARCÍA, D.P. Concentración de aminoácidos en el vítreo en una población control. Archivos de la Sociedad Española de Oftalmología v.77 n.11 Madrid nov. 2002.
  3. SOUZA, N.V. Doenças do corpo vítreo, retina e uveíte. Medicina, Simpósio: Oftalmologia para o clínico. 30: 69-73, jan./mar. 1997.