Igreja Matriz de Oliveira do Hospital

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Igreja Matriz de Oliveira do Hospital
Estilo dominante Românico/Gótico; Barroco
Início da construção século XIII
Fim da construção século XVIII
Função atual Igreja Matriz
Património Nacional
Classificação  Monumento Nacional (Capela dos Ferreiros)
Data 1936
Geografia
País Portugal
Cidade Oliveira do Hospital

A Igreja Matriz de Oliveira do Hospital (séc. XIII – XVIII) é um templo católico localizado na cidade de Oliveira do Hospital.

Características[editar | editar código-fonte]

Igreja Matriz de Oliveira do Hospital

A Igreja Matriz de Oliveira do Hospital tem como titular a exaltação da Santa Cruz. A construção original, de características romano-góticas, data dos séculos XIII e XIV, tendo sido profundamente remodelada em épocas posteriores, em particular no séc. XVIII.[1]

Igreja paroquial de uma só nave com teto de madeira pintada, conserva no conjunto três capelas: Capela dos Ferreiros (séc. XIV); Capela de S. Brás e Senhora da Piedade (séc. XVI); Capela de Nossa Senhora da Expectação (séc. XVIII). O retábulo principal, do princípio do séc. XVIII, é em madeira entalhada policromada. Os retábulos colaterais do arco cruzeiro, igualmente em talha policromada, de duas colunas, datam do final do séc. XVIII. Destaque-se em particular a Capela dos Ferreiros, que preserva a traça trecentista original e alberga um notável grupo escultórico da autoria de Mestre Pero (conjunto classificado como Monumento Nacional – Decreto n.º 26 500, DG, I Série, n.º 79, de 4-04-1936).[1]

A igreja possui um significativo núcleo de imaginária (nomeadamente do séc. XIV) proveniente das oficinas de escultura coimbrãs.[2]

Capela dos Ferreiros[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Capela dos Ferreiros

A capela dos Ferreiros é um dos mais importantes espaços funerários góticos portugueses, tanto pela importância das obras que acolhe como por se tratar de uma das raras capelas sepulcrais medievais de iniciativa privada que sobreviveu até aos nossos dias em território nacional. A sua construção deve-se a Domingos Joanes, um nobre de ascendência obscura, neto de D. Chavão, que aí se fez sepultar junto a D. Domingas Sabachais, sua mulher, uma figura igualmente mal documentada da nossa história medieval.[3]

A capela é um espaço retangular de dimensões modestas (aproximadamente 6,50m x 3,50m), com cobertura de berço quebrado e contínuo, iluminado por dois pequenos óculos quadrilobados. Se, arquitetonicamente, esta capela não se destaca de tantas outras construções arcaizantes datadas dos séculos XIII e XIV, o notável conjunto escultórico do seu interior – o mais completo do gótico português –, revela uma atualidade de gosto e um desafogo económico incomum no panorama nacional da primeira metade do século XIV.[3]

Da autoria de Mestre Pero, o conjunto integra dois túmulos, a estátua de um cavaleiro, um retábulo e uma imagem da Virgem com o Menino, afirmando-se como um conjunto de importância fulcral na abordagem das produções desse escultor, de provável origem aragonesa, que desempenhou um papel chave na renovação da escultura medieval portuguesa.[3][4]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Almeida, Carlos Alberto Ferreira de; Barroca, Mário Jorge – História da Arte em Portugal: o Gótico. Lisboa: Editorial Presença, 2002. ISBN 972-23-2841-7
  • Dias, Pedro – A escultura de Coimbra do gótico ao maneirismo. Coimbra: Câmara Municipal de Coimbra, 2003. ISBN 972-98917-0-2
  • Pereira, Paulo – Arte Portuguesa: História Essencial. Lisboa: Círculo de Leitores; Temas e Debates, 2011. ISBN 978-989-644-153-1

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Igreja Matriz de Oliveira do Hospital». e-cultura (Oliveira do Hospital - roteiro turístico). Consultado em 2 de janeiro de 2016. 
  2. Almeida, José António Ferreira de (coordenação) – Tesouros Artísticos de Portugal. Lisboa: Seleções do Reader's Digest, 1976, p.423, 424
  3. a b c «Capela dos Ferreiros, anexa à igreja matriz de Oliveira do Hospital, com todo o seu recheio, túmulos e retábulos». DGPC. Consultado em 2 de janeiro de 2016. 
  4. Almeida, Carlos Alberto Ferreira de; Barroca, Mário Jorge – História da Arte em Portugal: o Gótico. Lisboa: Editorial Presença, 2002, p. 204-205, 229