Igreja mãe

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SACROS[ancta] LATERAN[ensis] ECCLES[ia] OMNIUM URBIS ET ORBIS ECCLESIARUM MATER ET CAPUT" - "Santíssima Igreja de Latrão, de todas as igrejas da cidade e do mundo, mãe e cabeça". Inscrição na fachada da Arquibasílica de São João de Latrão, a catedral do papa em Roma.

Igreja mãe ou igreja-mãe é, no cristianismo, uma igreja "considerada como uma mãe em suas funções de nutrir e proteger o crente"[1] . Porém, o termo tem diversos sentidos específicos nas diversas denominações cristãs. Assim, o termo pode designar uma igreja paroquial "que tem a responsabilidade de supervisionar outra (como uma capela ou um oratório)" ou a principal igreja de um país, região ou cidade, como uma catedral ou uma igreja metropolitana. Outra acepção comum do termo é "a igreja original de um movimento cristão em particular e que serve como centro espiritual ou organizacional do movimento". Neste sentido, é comum utilizar o termo também para designar a mais antiga igreja de uma região geográfica ou movimento a partir da qual as demais se originaram[2] .

"Igreja" como o edifício[editar | editar código-fonte]

Em vários dos sentidos abaixo, o termo igreja matriz é muito utilizado, especialmente para designar a principal igreja de uma circunscrição eclesiástica.

Primeira igreja de uma missão[editar | editar código-fonte]

A primeira igreja construída na área de uma missão é geralmente chamada de "igreja mãe". A Catedral de Nossa Senhora da Paz, em Honolulu, Havaí, por exemplo, foi construída no local da primeira missão francesa da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, a partir da qual nasceu a Diocese de Honolulu. Por isto, ela é chamada de "igreja mãe do Havaí"[3] . Pelo mesmo morivo, a Missão de São Carlos Borromeo, em Carmel, Califórnia, é considerada a igreja mãe do estado norte-americano e, historicamente, serve de quartel-general de todo o sistema missionário californiano.

Catedral[editar | editar código-fonte]

Igreja mãe também pode ser um título distintivo baseado na importância hierárquica de uma igreja. A igreja do bispo de uma sé episcopal é geralmente chamada de igreja mãe da diocese. Esta forma de distinção é utilizada principalmente pela Igreja Católica, mas também pela Comunhão Anglicana[4] . Por outro lado, as demais denominações protestantes raramente fazem uso desta distinção.

A catedral papal, a Arquibasílica de São João de Latrão, é chamada de igreja mãe de todas as igrejas do mundo e não apenas das igrejas de Roma[5] .

Principal igreja de um instituto religioso[editar | editar código-fonte]

Igreja de Jesus, em Roma, a igreja mãe da Companhia de Jesus no mundo todo.
Basílica de São Francisco de Assis, em Assis, a igreja mãe da Ordem dos Frades Menores (franciscanos) no mundo todo.

O termo é também bastante utilizado para as igrejas dos vários institutos religiosos, ordens reais ou civis. Por exemplo, a Capela da Madonna Della Strada é a igreja mãe da província eclesiástica de Chicago da Companhia de Jesus, a principal igreja jesuíta desta província que inclui ainda Illinois, Indiana, Kentucky e Ohio[6] . Numa escala mais ampla, a Igreja de Jesus (Il Gesú), em Roma, é a igreja mãe de todos os jesuítas do mundo[5] .

Igrejas de implantação[editar | editar código-fonte]

Outra acepção do termo é utilizada principalmente pelas igrejas protestantes. Uma igreja mãe, neste sentido, é a igreja local a partir da qual outras igrejas locais foram implantadas. Estas são chamadas de "igrejas filhas" [7] .

Igrejas historicamente importantes[editar | editar código-fonte]

As mais antigas igrejas de várias comunidades religiosas geralmente são consideradas igrejas mães de outras que a seguiram, da mesma tradição ou de uma tradição reformada. A importância hierárquica é geralmente derivada desta importância histórica. Além disso, em comunidades onde as igrejas podem trocar de associação eclesiásticas ou se tornarem independentes (particularmente nas tradições pentecostais, carismáticas e não-denominacionais), uma igreja mãe pode ter igrejas filhas em uma ou mais organizações.

"Igreja" como organização[editar | editar código-fonte]

Igreja universal[editar | editar código-fonte]

Este termo é utilizado geralmente entre católicos romanos na forma de "Santa Mãe" ou Sancta Mater Ecclesia em latim. Outro utilizado geralmente no catecismo em muitos países católicos é o título Mater et Magistra ("Mãe e Mestra"). Ambos são utilizados para "designar toda a Igreja Cristã ou todos os cristãos coletivamente"[8] .

Ecclesia matrix[editar | editar código-fonte]

Segundo Joseph Bingham (1855), "'Ecclesia matrix', uma igreja mãe, é geralmente tida como sendo a que foi implantada imediatamente pelos apóstolos e a partir da qual todas as demais se derivaram e propagaram a partir daí.... E, neste sentido, a Igreja de Jerusalém é chamada de 'igreja mãe de todas as igrejas do mundo'". Ele também faz referência a Arles como sendo a igreja mãe da França pois a igreja da cidade teria sido fundada pelo missionário apostólico Trófimo, o primeiro bispo de Arles[9] .

Comunhão Anglicana[editar | editar código-fonte]

No anglicanismo, a Igreja da Inglaterra deu origem a todas as demais igrejas da Comunhão Anglicana e, por isto, é considerada como sendo a "igreja mãe"[10] . O arcebispo de Cantuária serve, por isso, como foco de toda a Comunhão Anglicana[11] .

Igreja Metodista[editar | editar código-fonte]

No metodismo, a Igreja Metodista da Grã-Bretanha é considerada como sendo a "igreja mãe" de todas as demais igrejas metodistas do Conselho Mundial Metodista[12] [13] . Esta tradição se mantém por que ela "deu origem a todo a empreitada metodista e, depois, a uma igreja no século XIX cuja influência se espalhou por todo o mundo pelos esforços missionários das várias conexões britânicas dentro e fora do Império Britânico"[12] .

Igreja Católica Romana[editar | editar código-fonte]

A Igreja Católica Romana é considerada a igreja mãe das igrejas protestantes e de outras igrejas que se separam dela ao longo dos séculos. As principais são as igrejas luteranas, reformadas e anglicanas, além das demais comunidades que, por sua vez, se originaram delas.

Referências

  1. Oxford English Dictionary
  2. Oxford English Dictionary
  3. Cathedral Art and Architecture.
  4. See e.g. Rogers, KJN., A practical arrangement of ecclesiastical law,Saunders and Benning, 1840. p. 154.
  5. a b Roma Sito Turistico Ufficiale - Christian Rome Dipartimento Promozione del Turismo e della Moda
  6. HONORING THE BISHOPS OF SCRANTON, CHURCH AND THE JESUITS: THE CAMPUS The University of Scranton
  7. E.Raymond - SOME CONVICTIONS ABOUT CHURCH PLANTING AND THE MOTHER / DAUGHTER CHURCH RELATIONSHIP published February 17, 2011 by TGC The Gospel Coalition
  8. OED, verbete Universal.
  9. Bingham, J., The Antiquities of the Christian Church, University Press, 1855, p. 22-23.
  10. Juergensmeyer, Mark; Roof, Wade Clark. In: Mark. Encyclopedia of Global Religion (em English). [S.l.]: SAGE Publications, 18 de outubro de 2011. p. 37. ISBN 9781452266565
  11. O'Donovan, Oliver. Church in Crisis (em English). [S.l.]: Wipf and Stock Publishers. p. 19. ISBN 9781621898528 Página visitada em 12 June 2015.
  12. a b Jr, Charles Yrigoyen. T&T Clark Companion to Methodism (em English). [S.l.]: A&C Black, 25 September 2014. p. 73. ISBN 9780567290779 Página visitada em 12 June 2015.
  13. Melton, J. Gordon; Baumann, Martin. In: J. Gordon. Religions of the World: A Comprehensive Encyclopedia of Beliefs and Practices (em English). [S.l.]: ABC-CLIO, 21 September 2010. p. 1878. ISBN 9781598842043 Página visitada em 12 June 2015.