Iracema (personagem)

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Iracema
Personagem fictícia de Iracema
Iracema (Antonio Parreiras, 1909).jpg
Iracema, em tela de Antônio Diogo da Silva Parreiras (1909)
Origem Colonização do Ceará século XVII (1606)
Sexo Feminino
Espécie Humana
Características Lábios de mel
Criado por José de Alencar
Primeira aparição 1865
Espécie Humana

Iracema é o nome da personagem que dá título ao romance do escritor José de Alencar, publicado em 1865, que tem como argumento histórico a colonização do Ceará no século XVII, e os conflitos entre duas nações indígenas: os pitiguaras – habitantes do litoral e aliados dos colonizadores portugueses; e os tabajaras – habitantes do interior e aliados dos franceses. Para mais enriquecer a trama, o autor mistura tradição oral à sua imaginação criativa, servindo-se, ainda, de cronistas como Aires de Casal, frei Manuel Calado, e Gabriel Soares de Sousa, na busca de referências históricas.[1]


Os traços atribuídos a Iracema são análogos à exuberante natureza local. Ela é apresentada como “a virgem dos lábios de mel”, cujos cabelos eram mais negros que a asa da graúna e o sorriso mais doce que o favo da jati. Essa harmoniosa relação, entretanto, dura somente até o contato da índia tabajara com o colonizador. O amor entre eles serve de alegoria no processo de colonização do Brasil e da América pelos europeus e é duplamente interditado, pois pertencem a nações inimigas e Iracema representa um papel relevante entre os tabajaras, “Sua mão fabrica para o Pajé a bebida de Tupã. Iracema viola o segredo de sua tribo e prepara a bebida para Martim que, entorpecido, imagina possuir a jovem índia e, quando desperto, torna-se seu esposo.[1]

Iracema passa a viver um amor feito de renúncia e sacrifícios que a coloca na condição de pária e se vê obrigada a abandonar a sua gente. Não podia viver entre os brancos, nem entre os inimigos pitiguaras. Exilada, carregava em seu ventre o fruto de uma nova formação – o mameluco: nem índio, nem europeu, mas brasileiro.[1]

Só e saudosa de Martim, Iracema dá à luz o filho. Quando retorna da caça e da “peleja com seus aliados”, Martim recebe das mãos de Iracema o filho “Moacir”. Assiste a morte da esposa e a enterra ao pé do coqueiro. Este lugar, de acordo com o narrador, veio um dia a se chamar Ceará: ”O primeiro cearense, ainda no berço, emigrava da terra da pátria. Havia aí a predestinação de uma raça?”.[1]

Referências

  1. a b c d Revista Entre Livros, nº 20, págs. 26-27. Editora Duetto. São Paulo (2006).

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