Irene Brietzke

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Irene Beatriz de Mattos Brietzke (Porto Alegre, 7 de dezembro de 1944), de nome profissional Irene Brietzke, é uma atriz e diretora de teatro brasileira, com carreira construída no Rio Grande do Sul.

Criou e dirigiu o grupo Teatro Vivo, com o qual montou vários espetáculos a partir de textos de Bertolt Brecht, mas também de autores brasileiros contemporâneos [1].

Formação[editar | editar código-fonte]

Estreou como atriz em 1966, na peça infantil "Quatro pessoas passam enquanto as lentilhas cozinham", de Stuart Walker, com direção de Ivo Bender.

No ano seguinte, começou a cursar teatro no Centro de Arte Dramática (CAD) da UFRGS. No curso, participou de montagens com textos de Lorca ("Dona Rosita, a solteira", 1967), Brecht e Weill ("A ópera dos três vinténs", 1969) e Ésquilo ("Agamemnon", 1971). Como trabalho de diplomação, dirigiu "A cantora careca", de Eugène Ionesco.

Em 1971, graduou-se em letras e direção teatral pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Dois anos depois, concluiu sua pós-graduação em teatro na Universidade de Denver, nos Estados Unidos. De volta a Porto Alegre, em 1976 tornou-se professora de direção teatral e interpretação no Departamento de Arte Dramática (DAD) da UFRGS [2].

Teatro Vivo[editar | editar código-fonte]

Em 1978, Irene optou por dedicar-se ao trabalho de direção teatral, montando, com alguns de seus alunos no DAD, a peça "O casamento do pequeno burguês", de Brecht, com a qual conquistou seu primeiro Troféu Açorianos.

No ano seguinte, com o mesmo núcleo de atores, especialmente Denize Barella e Mirna Spritzer, fundou o grupo Teatro Vivo [3], que estreou com roteiro da própria Irene, "Frankie, Frankie, Frankenstein", inspirado no romance de Mary Shelley, e que cumpriu temporada em vários estados brasileiros, através do Projeto Mambembão da Funarte.

O grupo Teatro Vivo manteve intensa atividade em toda a década de 1980 e no início dos anos 1990, tendo encenado 16 espetáculos em 15 anos, com destaque para textos de Brecht e pesquisas de aplicação dos princípios do teatro brechtiano em textos brasileiros contemporâneos. Segundo o crítico Cláudio Heemann [4], Irene Brietzke atinge o ponto alto de sua carreira como diretora com os espetáculos "Peer Gynt", de Ibsen (1987), e "Mahagonny", de Brecht (1988).

Atriz e diretora[editar | editar código-fonte]

Em maio de 1990, Irene Brietzke participou como convidada especial do Colóquio sobre teatro brasileiro e alemão, promovido pelo Instituto Goethe em Berlim. No mesmo ano, voltou a trabalhar como atriz, em dois espetáculos dirigidos por Miriam Amaral, ambas as atuações premiadas: recebeu o Prêmio Quero-Quero por "Onde estão os meus óculos?", de Karl Valentin (1990) e os Prêmios Sated e Açorianos por "Ana Stein compra uma calça e vai jantar comigo", de Thomas Bernhard (1992).

Em 1993, retornou à Alemanha para pesquisar no Arquivo Brecht de Berlim, visando a encenação do espetáculo "Um Homem É um Homem", que comemorou os 15 anos de atividades do Teatro Vivo.

Nos anos 1990, voltou a trabalhar como atriz, dirigiu peças infantis e foi curadora do festival de teatro Porto Alegre em Cena (1996-97). Em 1998, dirigiu ainda a abertura oficial do Carnaval de Porto Alegre.

Na virada do século, dirigiu dois espetáculos baseados em textos da escritora Martha Medeiros e ainda, a convite do governo do Rio Grande do Sul, o espetáculo "Rio Grande do Sul em música e dança", que teve 7 apresentações na Expo 2000, em Hanôver, na Alemanha. Desde 2003, vem trabalhando exclusivamente como atriz, em filmes e programas de televisão, principalmente com os diretores gaúchos Sérgio Silva, Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo [5].

Prêmios especiais[editar | editar código-fonte]

Irene Brietzke recebeu ainda vários prêmios pelo conjunto de sua obra: em 1990, o Prêmio Qorpo Santo, da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, "por sua contribuição à história cultural da cidade"; em 1991, o Na-Amat, da organização internacional As Pioneiras; em 1998, o Prêmio Ieacen, do Instituto Estadual de Artes Cênicas, "por seu relevante empenho no desenvolvimento do teatro no Estado do Rio Grande do Sul"; e, em 2009, o Prêmio Joaquim Felizardo, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre [6].

Carreira como diretora teatral[editar | editar código-fonte]

  • 2002: "Almas gêmeas", de Martha Medeiros
  • 2000: "Rio Grande do Sul em música e dança"
  • 2000: "Trem-bala", de Martha Medeiros
  • 1998: "Noite Brecht", a partir de canções de Brecht e Weill
  • 1996: "Biba, Dudu, Molenga e Chorona" (infantil)
  • 1995: "O menino maluquinho, de Ziraldo (infantil)
  • 1994: "Um homem é um homem", de Brecht
  • 1986: "Parentes entre parênteses", de Flávio de Souza
  • 1987: "Peer Gynt", de Henrik Ibsen
  • 1988: "Mahagonny, de Brecht e Weill
  • 1985: "A aurora da minha vida", de Naum Alves de Souza
  • 1984: "O casamento do pequeno burguês (segunda montagem)
  • 1983: "No natal a gente vem te buscar", de Naum Alves de Souza
  • 1982: "O rei da vela, de Oswald de Andrade
  • 1981: "Happy end", de Brecht, Weill e Elisabeth Hauptmann
  • 1980: "Salão grená", a partir de canções de Brecht e Weill
  • 1979: "Praça de Retalhos", de Carlos Meceni (infantil)
  • 1979: "Frankie, frankie, Frankenstein", baseado em Mary Shelley
  • 1978: "O casamento do pequeno burguês", de Brecht
  • 1971: "A cantora careca", de Ionesco

Filmografia como atriz [7][editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Artigo sobre Irene Brietzke na Enciclopédia Itaú de Teatro». Consultado em 9 de setembro de 2012. 
  2. «Entrevista para a revista virtual Argumento». Consultado em 9 de setembro de 2012. 
  3. «Artigo sobre o Teatro Vivo na Enciclopédia Itaú de Teatro». Consultado em 9 de setembro de 2012. 
  4. HEEMANN, Cláudio: "Doze anos na primeira fila", editora Alcance, 2007.
  5. SILVA NETO, Antônio Leão da: "Dicionário de astros e estrelas do cinema brasileiro", ed. Imprensa Oficial de São Paulo, 2010, pp. 76-77.
  6. «Minibiografia de Irene Brietzke no sítio "Encontros com o professor"». Consultado em 9 de setembro de 2012. 
  7. «Filmografia de Irene Brietzke no IMDb». Consultado em 9 de setembro de 2012.