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Jacundá

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 Nota: Este artigo é sobre o grupo de peixes. Para o município, veja Jacundá (Pará).
Como ler uma infocaixa de taxonomiaJacundá
Crenicichla lenticulata
Crenicichla lenticulata
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Perciformes
Família: Cichlidae
Género: Crenicichla
Espécies
c. 113
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Jacundá
O Wikispecies tem informações relacionadas a Jacundá.

Jacundá é a designação comum a vários peixes do gênero Crenicichla, perciformes, da família dos ciclídeos. Possuem o corpo alongado, nadadeira dorsal contínua ocupando quase todo o dorso e, geralmente, um ocelo típico na cauda. Também são conhecidos por nhacundá e guenza.

O grupo integra 113 espécies, nativas dos rios e ribeiros da América do Sul.

O jacundá habita em rios de água fria e corrente, sendo um peixe frágil, muito suscetível à poluição. No sul do Brasil, é conhecido também como joaninha, peixe-sabão, boca-de-velha e badejo (pelo seu aspecto parecido com o do badejo de água salgada). Pode alcançar 40 centímetros de comprimento e pesar quase um quilo.

"Jacundá" se originou do termo tupi nhakuundá.[1]

Descrição

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As menores espécies de Crenicichla não ultrapassam 6–14 cm de comprimento e podem ser chamadas de “ciclídeos-anões” no aquarismo — embora seus hábitos agressivos e territoriais as tornem inadequadas para aquaristas iniciantes.[2]

Os menores representantes, medindo entre 5,2 e 8,5 cm, anteriormente pertenciam ao complexo de espécies C. wallacii, que foi separado para o gênero Wallaciia em 2023. No mesmo trabalho, o antigo complexo C. saxatilis passou a constituir o gênero Saxatilia, enquanto o complexo C. lugubris tornou-se Lugubria. O estudo também criou outro gênero, Hemeraia, e dividiu as espécies remanescentes em subgêneros.[3]

Os maiores ciclídeos-lúcio podem atingir cerca de 50 cm de comprimento.[2] A maioria das espécies de Crenicichla mede entre 15 e 30 cm.[4]

Distribuição e ecologia

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O gênero Crenicichla é nativo de ambientes dulcícolas da América do Sul tropical e subtropical a leste dos Andes, ocorrendo desde Trinidad e o Escudo das Guianas (incluindo a bacia do Orinoco), passando pela Amazônia e pela bacia do Rio da Prata, até o rio Negro, na Argentina.[5]

Embora o grupo seja amplamente distribuído, as espécies individuais frequentemente estão restritas a um único rio ou bacia hidrográfica.[5][6]

Esses peixes habitam grande variedade de ambientes, incluindo rios, riachos, poças e lagos; algumas espécies são reofílicas, ou seja, adaptadas a águas correntes.[5][6]

A grande maioria dos ciclídeos-lúcio é predadora e alimenta-se de peixes, insetos e outros pequenos animais. Geralmente posicionam-se em locais onde podem permanecer ocultos das presas, como próximos a troncos submersos ou atrás de rochas.[6]

Esse comportamento, aliado ao formato corporal adaptado — semelhante ao dos lúcios (Esocidae) do Holártico, embora sem parentesco próximo — originou o nome comum “ciclídeo-lúcio”.[6]

Uma exceção é C. tapii, que, apesar da aparência semelhante às demais espécies do grupo, apresenta comportamento gregário e alimenta-se de perifíton.[6]

Espécies

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Atualmente, são reconhecidas 45 espécies neste gênero:[3]

Subgênero Batrachops

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  • Crenicichla cametana Steindachner, 1911
  • Crenicichla cyanonotus Cope, 1870
  • Crenicichla cyclostoma Ploeg, 1986
  • Crenicichla geayi Pellegrin, 1903 — ciclídeo-lúcio-meio-barrado
  • Crenicichla jegui Ploeg, 1986
  • Crenicichla reticulata (Heckel, 1840)
  • Crenicichla sedentaria S. O. Kullander, 1986
  • Crenicichla semifasciata (Heckel, 1840)
  • Crenicichla stocki Ploeg, 1991

Subgênero Crenicichla

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  • Crenicichla macrophthalma Heckel, 1840

Subgênero Lacustria

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  • Crenicichla celidochilus Casciotta, 1987 — ciclídeo-lúcio-de-lábios-negros
  • Crenicichla empheres C. A. S. de Lucena, 2007
  • Crenicichla gaucho C. A. S. de Lucena & S. O. Kullander, 1992
  • Crenicichla gillmorlisi S. O. Kullander & C. A. S. de Lucena, 2013[7]
  • Crenicichla hadrostigma C. A. S. de Lucena, 2007
  • Crenicichla haroldoi Luengo & Britski, 1974
  • Crenicichla hu Piálek, Říčan, Casciotta & Almirón, 2010
  • Crenicichla igara C. A. S. de Lucena & S. O. Kullander, 1992
  • Crenicichla iguapina S. O. Kullander & C. A. S. de Lucena, 2006
  • Crenicichla iguassuensis Haseman, 1911
  • Crenicichla jaguarensis Haseman, 1911
  • Crenicichla jupiaensis Britski & Luengo, 1968
  • Crenicichla jurubi C. A. S. de Lucena & S. O. Kullander, 1992
  • Crenicichla lacustris (Castelnau, 1855)
  • Crenicichla lucenai Mattos, I. Schindler, Ottoni & Cheffe, 2014[8]
  • Crenicichla maculata S. O. Kullander & C. A. S. de Lucena, 2006
  • Crenicichla mandelburgeri S. O. Kullander, 2009
  • Crenicichla minuano C. A. S. de Lucena & S. O. Kullander, 1992
  • Crenicichla missioneira C. A. S. de Lucena & S. O. Kullander, 1992
  • Crenicichla mucuryna R. Ihering, 1914
  • Crenicichla niederleinii (Holmberg, 1891) — nomen dubium
  • Crenicichla prenda C. A. S. de Lucena & S. O. Kullander, 1992
  • Crenicichla punctata R. F. Hensel, 1870
  • Crenicichla scottii (C. H. Eigenmann, 1907)
  • Crenicichla taikyra Casciotta, Almirón, Aichino, S. E. Gómez, Piálek & Říčan, 2013[9]
  • Crenicichla tapii Piálek, Dragová, Casciotta, Almirón & Říčan, 2015[6]
  • Crenicichla tendybaguassu C. A. S. de Lucena & S. O. Kullander, 1992
  • Crenicichla tesay Casciotta & Almirón, 2009
  • Crenicichla tingui S. O. Kullander & C. A. S. de Lucena, 2006
  • Crenicichla tuca Piálek, Dragová, Casciotta, Almirón & Říčan, 2015[6]
  • Crenicichla vittata Heckel, 1840
  • Crenicichla yaha Casciotta, Almirón & S. E. Gómez, 2006
  • Crenicichla ypo Casciotta, Almirón, Piálek, S. E. Gómez & Říčan, 2010
  • Crenicichla zebrina C. G. Montaña, López-Fernández & Taphorn, 2008

Além dessas, diversas espécies ainda não descritas cientificamente são conhecidas.[2]

Referências

  1. NAVARRO, E. Dicionário de Tupi Antigo: a língua indígena clássica do Brasil. Editora Global, 2013
  2. 1 2 3 Gottwald, J: Crenicichla arten.
  3. 1 2 Henrique Rosa Varella; Sven Kullander; Naercio Menezes; Hernán López-Fernández; Claudio Oliveira (June 2023). "Revision of the generic classification of pike cichlids using an integrative phylogenetic approach (Cichlidae: tribe Geophagini: subtribe Crenicichlina)". Zoological Journal of the Linnean Society. 198 (4): 982–1034. doi:10.1093/zoolinnean/zlad021.
  4. Froese, Rainer; Pauly, Daniel (eds.). "Species in genus Crenicichla". FishBase. August 2024 version.
  5. 1 2 3 Piálek, Lubomír; Říčan, Oldřich; Casciotta, Jorge; Almirón, Adriana; Zrzavý, Jan (January 2012). "Multilocus phylogeny of Crenicichla (Teleostei: Cichlidae), with biogeography of the C. lacustris group: Species flocks as a model for sympatric speciation in rivers". Molecular Phylogenetics and Evolution. 62 (1): 46–61. Bibcode:2012MolPE..62...46P. doi:10.1016/j.ympev.2011.09.006. PMID 21971056.
  6. 1 2 3 4 5 Piálek, L.; Dragová, K.; Casciotta, J.; Almirón, A.; Říčan, O. (2015). "Description of two new species of Crenicichla (Teleostei: Cichlidae) from the lower Iguazú River with a taxonomic reappraisal of C. iguassuensis, C. tesay and C. yaha". Historia Natural. 5 (2): 5–27. S2CID 51899505.