Japamala

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Japamala hindu de 108 contas com sementes de rudraksha, ou Lágrimas de Shiva.

Japamala (japamālā, जपमाला) é um cordão sagrado feito de contas, usado para ajudar o praticante de meditação a entrar no estado meditativo[1]. O termo Japamala, tem origem no sânscrito e é uma palavra composta, formada por duas outras. Uma delas é o “japa” que nada mais é que o ato murmurar mantras ou nomes de divindades. A outra palavra, “mala”, significa guirlanda, ou cordão [2].

No yoga e no hinduísmo, possui em geral 108 contas ou divisores (54 ou 27). Em algumas linhas do budismo, possui ainda 3 marcadores, totalizando 111 contas. O nome japamala é masculino ("o" japamala), tem origem no sânscrito e é uma palavra composta: japa é o ato de sussurrar ou murmurar repetidamente mantras ou nomes de divindades e mālā significa guirlanda, grinalda ou coroa[3].

É um objeto antigo de devoção espiritual, conhecido também como rosário de orações no ocidente. É um artesanato muito utilizado para ajudar nas orações e mentalizações como marcador. Temos então duas correntes: uma espiritual, "Japa", e outra material, "Mala". Assim, as energias espirituais invocadas "Japa" energizam o "Mala".[4]

Um japamala é geralmente composto por 108 contas e o “meru”, conta central que marca o início e o fim do mala[5]. Também é possível encontrar japamalas menores, variando de 27 ou 54 contas, todas subdivisões de 108. Segundo a filosofia yogui, ao se completar o circuito de 108 repetições da oração, mentalização ou mantra, alcança-se um estágio superior na consciência chamado de transcendental (o estágio que ultrapassa as fixações da mente, mantendo a consciência concentrada em si mesma).

As partes do japamala[editar | editar código-fonte]

Embora não haja uma regra sobre as partes que compõe o japamala,[6] alguns itens são mais frequentes - ou até mesmo obrigatórios - na confecção do japamala. Entre as partes mais comumente observadas estão: Contas; Cordão; Entremeios; Marcadores; Meru; Tassel ou ponteira.

Meditação com japamala[editar | editar código-fonte]

A meditação com o uso do japamala, assim como a prática de mantras, tem sido usada por séculos como ferramenta poderosa para acalmar, centrar, curar e colaborar na evolução espiritual a fim de caminharmos na busca do melhor de nós.

São inúmeras as linhagens das tradições hindu e budista que utilizam o japamala para meditação com mantra. Segundo estas tradições, o número 108 é muito auspicioso e a meditação usando japamala pode ser uma ferramenta para se alcançar andares mais elevados na evolução espiritual.

De acordo com a filosofia do Yoga, a repetição de mantras tem o poder de curar e de elevar a consciência espiritual.[7]

Usando o Japamala você consegue focar na entonação e no poder do mantra em si, ao invés de se preocupar com a contagem.

A História dos Japamalas [8][editar | editar código-fonte]

Os Malas são usados em outras culturas e religiões, mas são conhecidos por nomes diferentes, como contas de oração, contas de rosário (terço) e contas de preocupação. Mais de dois terços da população mundial empregam algum tipo de Mala como parte de sua prática espiritual. O uso de contas em oração parece ter se originado por volta do século VIII a.C. na Índia.

Os Malas por si mesmos tiveram uma poderosa influência e importância na história humana. Os mais antigos encontradas até hoje são de há cerca de 4200 anos.[carece de fontes?] Os Malas foram usadas ao longo da nossa história como talismãs para proteção, amuletos para a sorte, símbolos de status para riqueza e autoridade, ferramentas espirituais e religiosas e como uma forma de permuta. Os significados e o uso das contas mudaram significativamente ao longo do tempo - eles foram usados ​​para simbolizar as relações pessoais e culturais, o poder físico, mágico e sobrenatural e as visões culturais comuns do mundo [9].

Como se usa[editar | editar código-fonte]

Já com a postura e a respiração controladas e relaxadas, o meditante segura seu japamala com uma das mãos. Apoiando-o em seu dedo médio, usa o polegar para puxar cada uma das 108 contas; cada vez que o mantra ou o nome da divindade é mentalizado ou pronunciado, puxa-se uma conta. O dedo indicador não deve tocar as contas do japamala, pois representa o ego e está associado ao pensamento - e o objetivo da meditação é justamente o de suspender a ação do pensamento. O meru não deve ser contado como as demais 108 contas, porque é a representação de Brahman, do absoluto, de nosso aspecto eterno e imutável e por isso está fora da roda do samsara, entretanto é o meru que marca o início e o final do ciclo do japamala. Terminando a passagem pelas 108 contas, caso o praticante queira continuar e fazer mais uma volta, não deve passar por cima do meru; em vez disso, deve virar o cordão e continuar a fazer o japa na direção inversa. Para surtir efeito, a prática da meditação deve ser frequente.[carece de fontes?]

Sementes de rudraksha[editar | editar código-fonte]

Entre os inúmeros materiais dos quais podem ser feitos um japamala, o mais famoso são as sementes de rudraksha, também conhecida como lágrimas de Shiva, planta nativa da Ásia. Segundo a crença indiana, Buda recebeu sua iluminação enquanto meditava sob uma árvore de rudraksha. A partir desta crença, foram atribuídas à rudraksha propriedades medicinais que vão desde o controle do estresse e redução de problemas circulatórios até a cura de doenças mais severas.

No entanto, é importante ressaltar que até o momento não foram desenvolvidas pesquisas científicas definitivas que pudessem comprovar as supostas propriedades medicinais da rudraksha.[10]

Japamala de 108 contas feito com sementes de açaí.

Na tradição indiana, a confecção dos japamalas geralmente é feita com sementes de rudraksha. Para “tropicalizar” a tradição milenar indiana e tornar o japamala algo mais acessível à realidade e cultura brasileira, é possível encontrar japamalas confeccionados com sementes de açaí.

Energizando o seu Japamala [11][editar | editar código-fonte]

Caso você não consiga elaborar o seu próprio Japamala, você pode comprá-lo e assim que o você o receber faça uma energização no objeto que agora será seu.

Sente em um local limpo e calmo, de preferência no seu cantinho de meditação com seus cristais e incensos.

Respire fundo 3 vezes, se concentre e peça sabedoria e intervenção superior durante todo o processo.

Se você já tiver algum mantra que goste, repita-o enquanto estiver energizando o seu Japamala.

Use um incenso para transmutar a energia do cordão budista, passando-o em volta do seu japamala enquanto escuta ou canta o seu mantra favorito.

Ao finalizar, deixe o Japamala no seu cantinho especial, trate-o o com carinho e tenha em mente que ele possui uma grande carga de energia canalizada por você e essa energia só aumentará com o uso do mesmo em suas meditações e repetições de mantras.


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Referências

  1. Lasas, Claudio (1 de maio de 2017). «Japamala: o que é, como é feito, para que serve e como se usa». YoumindYoga 
  2. Liari (26 de fevereiro de 2020). «O que é um Japamala?». LIARI. Consultado em 10 de dezembro de 2020 
  3. #«Japamala: o que é, como é feito, para que serve e como se usa». YoumindYoga [ligação inativa]
  4. Japamala: o que é, como é feito, para que serve e como se usa
  5. «Japamala 108 contas | 54 contas | 27 contas». Mãos Ocupadas. Consultado em 8 de dezembro de 2018 
  6. As partes do Japamala
  7. Alves, Jéssica. «Japamala | o que é e como fazer o seu? - Em Busca do Desconhecido». Consultado em 11 de novembro de 2019 
  8. Liari (26 de fevereiro de 2020). «Um pouco da História dos Malas». LIARI. Consultado em 10 de dezembro de 2020 
  9. Liari (26 de fevereiro de 2020). «Um pouco da História dos Malas». LIARI. Consultado em 10 de dezembro de 2020 
  10. Rudraksha science therapy (em inglês)
  11. Alves, Jéssica. «Japamala | o que é e como fazer o seu? - Em Busca do Desconhecido»