Manuel Alves Guerra, 2.º Visconde de Santana

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Manuel Alves Guerra, 2.º Visconde de Santana
Nascimento 1 de novembro de 1834
Horta
Morte 15 de outubro de 1910 (75 anos)
Cidade de Bruxelas
Cidadania Portugal
Alma mater Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
Ocupação diplomata
Prêmios Comendador da Ordem de Cristo

Manuel Alves Guerra ComC (Horta, 1 de Novembro de 1834Bruxelas, 15 de Outubro de 1910), 2.º visconde de Santana, diplomata e político de origem açoriana, que, para além de uma importante carreira diplomática em várias capitais europeias, foi deputado às Cortes pelo círculo da Horta. Foi fidalgo-cavaleiro da Casa Real, comendador da Ordem de Cristo e agraciado com diversas condecorações estrangeiras.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Manuel Alves Guerra nasceu na Horta a 1 de Novembro de 1834, filho de Francisca Pereira Ribeiro e de Rodrigo Alves Guerra, abastado negociante, administrador do real contrato dos tabacos e saboarias na ilha do Faial, vice-cônsul da Suécia e da Bélgica naquela cidade e irmão do Rodrigo Alves Guerra, 2.º barão de Santana.

Depois de realizar estudos preparatórios na Horta e em Coimbra, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde em 1856 se formou em Direito. Durante os seus tempos de estudante aderiu à Maçonaria.

Colocado sob a protecção de seu tio, o 1.º visconde de Santana, na altura o líder do Partido Histórico no Faial, aproveitou o facto daquele partido nesse ano ter conquistado pela primeira vez o poder e entrou na carreira política, sendo nomeado administrador do concelho de Sintra, onde, apesar de ter de enfrentar os efeitos de uma epidemia de febre amarela, se houve bem.

Ingressou na carreira diplomática, sendo nomeado adido à Legação na Haia e depois em Bruxelas, cidade onde casou a 19 de Setembro de 1861, com Marie Louise Bownder de Melsbroeck, ali nascida em 1840. Um filho deste casamento será o futuro 3.º barão e 3.º visconde de Santana. Recebeu a condecoração da Coroa de Carvalho dos Países Baixos.

Nas eleições de 22 de Abril de 1861 (13.ª legislatura constitucional) foi eleito deputado às Cortes pelo círculo uninominal da Horta, integrado nas listas do Partido Histórico. Prestou juramento a 17 de Junho de 1761, passando a integrar a Comissão Diplomática.

Teve uma presença pouco assídua no Parlamento, mas deve-se à sua iniciativa a legislação que autorizou a construção da doca da Horta. Esta obra portuária, que se viria a revelar determinante para o futuro da cidade e da ilha, foi aprovada por Decreto de 20 de Junho de 1864.

Foi agraciado com o foro de fidalgo-cavaleiro da Casa Real e por alvará de 23 de Junho de 1862, confirmado por carta de 16 de Junho de 1863, foi-lhe concedido um brasão de armas de mercê nova. O alvará de D. Luís I e a carta de brasão de armas acham-se registadas no Cartório da Nobreza, livro 9 de registo de brasões, fls. 55 a 56 verso (microfilme rolo 165).

Segundo o texto da supracitada carta de brasão de armas de nobreza e fidalguia, o escudo é partido, sendo a pala da direita cortada em faixa, tendo na parte superior as armas dos Guerras (das Astúrias) e na inferior as armas dos Pereiras, e a segunda pala esquartelada com as armas dos Ribeiros.

Apesar da eleição continuou a manter a actividade diplomática, sendo em 1861 agraciado com a Ordem do Rei Leopoldo da Bélgica. No ano seguinte foi transferido para adido da Legação em Turim, sendo depois promovido a secretário daquela representação e feito comendador da Ordem de Cristo pelo seu bom desempenho. Em 1869 foi nomeado secretário da Legação em Viena, chefiando interinamente a representação.

Por decreto de 10 de Fevereiro de 1870, do rei D. Luís I, o Dr. Manuel Alves Guerra sucedeu ao seu tio paterno homónimo como o 2.º barão de Santana, título que passaria a seu filho.

Em 1871 foi transferido para a Legação de Londres e em 1874 passou a legado plenipotenciário em Washington, acumulando com as funções de comissário régio para a Exposição Universal de Filadélfia.

Manuel Alves Guerra faleceu em Bruxelas, onde chefiava a Legação portuguesa, a 15 de Outubro de 1910.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Lima, Marcelino, Famílias Faialenses, Subsídios para a História da Ilha do Faial, Horta, 1923 (pp. 524–525).
  • Macedo, António Lourenço da Silveira, Barão de Sant'Ana, in O Grémio Literário, n.º 17-18, Horta, 1880.
  • Mónica, Maria Filomena (coordenadora), Dicionário Biográfico Parlamentar 1834-1910, Colecção Parlamento, Assembleia da República, Lisboa, 2005 (volume II, pp. 379–380).