Manuel Lisboa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Question book-4.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo, o que compromete a verificabilidade (desde Maio de 2012). Por favor, insira mais referências no texto. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Broom icon.svg
As referências deste artigo necessitam de formatação (desde junho de 2014). Por favor, utilize fontes apropriadas contendo referência ao título, autor, data e fonte de publicação do trabalho para que o artigo permaneça verificável no futuro.
Manoel Lisboa de Moura
http://www.rebeliao.org/novo/wp-content/uploads/2014/09/Manoel-Lisboa-2.jpg
Nome completo Manoel Lisboa de Moura
Nascimento 21 de fevereiro de 1944
Maceió, Brasil
Morte 04 de setembro de 1973 (29 anos)
Ocupação Militante comunista

Manoel Lisboa de Moura (Maceió, 21 de fevereiro de 194416 de agosto de 1973), conhecido como "Galego", foi um militante comunista brasileiro, fundador do Partido Comunista Revolucionário (PCR), de vertente leninista.[1]

É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Filho de Augusto de Moura Castro, oficial da Marinha, e de Iracilda Lisboa de Moura. Sua formação político-ideológica não se deu apenas por meio de leituras, nem sua prisão ocorreu simplesmente por vender livros proibidos. Ainda adolescente, organizou o grêmio do antigo Liceu Alagoano, depois Colégio Estadual. Foi diretor da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (Uesa) e aos dezesseis anos ingressou na Juventude Comunista do PCB. Como universitário, organizou o Centro Popular de Cultura da Une (CPC), apresentou e dirigiu peças de teatro, envolvendo, inclusive, operários da estiva.

Militância no PC do B[editar | editar código-fonte]

O golpe militar de 1964 encontrou-o cursando Medicina na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), de onde o expulsou, cassando-lhe os direitos políticos. Nessa ocasião, pertencia ao Partido Comunista do Brasil (PC do B), organização criada em 1962, diante da linha reformista adotada pelo velho “Partidão”, desde o XX Congresso do PC da União Soviética, fato que provocou a cisão dos militantes.

Lisboa transferiu-se para o Recife, onde continuou na luta revolucionária e trabalhava na Companhia de Eletrificação Rural do Nordeste (Cerne). Em julho de 1966, foi novamente preso, logo após o atentado contra o ditador de plantão, marechal Artur da Costa e Silva, ocorrido no Aeroporto dos Guararapes. A polícia não conseguiu incriminá-lo, pois o inquérito comprovou que ele, no momento do ocorrido, estava trabalhando na Cerne com seu irmão, engenheiro e capitão do Exército. Posto em liberdade quatro dias depois, concluiu que não era possível continuar levando uma vida legal e dedicar-se à causa revolucionária, optando então pela vida clandestina.

Fundação do PCR[editar | editar código-fonte]

Dezembro de 1966. Manoel Lisboa de Moura, Amaro Luís de Carvalho, o Capivara (Veja A Verdade, nº 9), Ricardo Zarattini Filho (engenheiro, banido do Brasil em 1969, após o sequestro do embaixador estadunidense) e outros companheiros fundaram o Partido Comunista Revolucionário (PCR).

Apesar das duras condições da luta clandestina, o PCR procurou ligar-se às massas camponesas, operárias e estudantis em todo o Nordeste. Para isso, desenvolvia trabalho de conscientização na base e intensa campanha de denúncias das arbitrariedades e crimes cometidos contra os trabalhadores, conclamando o povo para organizar-se e lutar por seus direitos. O partido propunha a utilização de todas as formas de luta, legais e ilegais, abertas ou clandestinas, destacando a luta armada como a única capaz de destruir realmente a ditadura, desde que contasse com o apoio, a compreensão e a simpatia do povo.

Tortura[editar | editar código-fonte]

Segundo relatório do exército sobre Manoel Lisboa de Moura e Emanuel Bezerra dos Santos, ambos teriam reagido ao receber voz de prisão e, em decorrência disso, teria se iniciado um tiroteio que culminou com a morte dos militantes. Manoel e Emanuel eram acusados de panfletagens, assaltos e do atentado ao General Costa e Silva em 1966.

De acordo com dossiê divulgado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, Instituto de Estudo da Violência do Estado - IEVE, contudo, Emanuel e Manoel Lisboa de Moura foram presos em Recife/PE, no dia 16 de agosto e torturados no DOPS daquele estado durante alguns dias. O policial que os prendeu e torturou, Luis Miranda transferiu-os para o DOPS/SP, e, em seguida, para o DOI/CODI-SP, onde foram torturados por dois meses. Fotos das vítimas, reveladas pelo Instituto Médico Legal de São Paulo, mostram cortes, feridas causadas por tiros, e dedos, umbigo, testículos e pênis mutilados.

Morte[editar | editar código-fonte]

A versão oficial divulgada pelos órgãos de segurança é de que Manoel foi morto devido a um tiroteio no Largo de Moema, na cidade de São Paulo, juntamente com Emanuel Bezerra dos Santos. O capitão do Exército Carlos Cavalcanti, membro da família de Manoel tentou resgatar o corpo que, embora tivesse sido enterrado como indigente no Cemitério de Campo Grande/SP, poderia ser exumado, desde que a família se comprometesse a não abrir o caixão, que seria entregue lacrado, ao que a família se recusou, por não poder ter nem ao menos a certeza de que, no caixão lacrado, estava o corpo de Manoel.

Por ocasião do processo de exumação e identificação de Emanuel Bezerra dos Santos, o mesmo foi feito a Manoel, uma vez que ambos foram mortos e sepultados no mesmo local. Seu irmão não quis receber seus restos mortais que, então, foram colocados no Ossário Geral do Cemitério de Campo Grande, com a presença de amigos e entidades. 

O Relatório do Ministério da Aeronáutica diz que foi “morto em 4 de setembro de 1973, em São Paulo/SP, após cerrado e violento tiroteio com agentes de segurança." 

Legado[editar | editar código-fonte]

O revolucionário dá nome a um centro cultural - o Centro Cultural Manoel Lisboa -, que se encontra na rua Carneiro Vilela, número 138, em Recife, Pernambuco. O CCML é presidido pelo ex-líder estudantil da Universidade Federal de Pernambuco Edival Nunes Cajá, também dirigente do PCR.

Fundado em parceria com o já experiente líder camponês Amaro Luiz de Carvalho e os jovens Selma Bandeira, Valmir Costa e Ricardo ZarattinI, o PCR continua em atividade até hoje, mantendo sua ideologia marxista-leninista e atuando fortemente nos meios sindicais e estudantis. Edita o jornal "A Verdade".

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Comissão Municipal de Direitos Humanos (Data desconhecida). «Manoel Lisboa de Moura». Consultado em 7 de junho de 2012.  Verifique data em: |data= (ajuda)