Maomé ibne Zaide

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Maomé, o Jovem Missionário
emir zaidita
Reinado 884 - 900
Antecessor(a) Haçane
Sucessor(a) ocupação samânida
Nome completo Muḥammad ibn Zayd ibn Muḥammad ibn Ismā‘il ibn al-Ḥasan ibn Zayd
Morte 3 de outubro de 900
  Gorgam

Maomé ibne Zaide ibne Maomé ibne Ismael ibne Haçane ibne Zaide (Muḥammad ibn Zayd ibn Muḥammad ibn Ismā‘il ibn al-Ḥasan ibn Zayd - lit. Maomé, filho de Zaide, filho de Maomé, filho de Ismael, filho de Haçane, filho de Zaide; m. 3 de outubro de 900), também conhecido como Maomé, o Jovem Missionário (Muḥammad al-Da‘ī al-ṣaghīr), foi um alida que sucedeu seu irmão, Haçane ibne Zaide, como governante do Emirado Zaidita do Tabaristão em 884. Pouco se sabe de sua vida antes de vir ao Tabaristão após Haçane estabelecer o governo zaidita ali em 864. Ele serviu seu irmão como general e governador, e continuou suas políticas após sua ascensão.

Seu reinado foi confrontado por rebeliões e guerras, mais notavelmente pela invasão de Rafi ibne Hartama em 889-892, que ocupou grande parte de seus domínios. Após Rafi cair em desgraça com os abássidas, Maomé recuperou sua posição e assegurou a aliança de Rafi, mas não apoiou-o contra o Império Safárida. Em 900, após a derrota dos safáridas pelo Império Samânida, ele tentou invadir o Coração, mas foi derrotado e morreu de suas feridas, após o que o Tabaristão caiu para os samânidas.

Vida[editar | editar código-fonte]

Infância e carreira sob Haçane[editar | editar código-fonte]

Maomé era o irmão mais novo de Haçane, um alida que fundou o domínio zaidita sobre o Tabaristão em 864.[1] Nada se sabe sobre sua infância. O iranologista Wilferd Madelung especula que a família viveu no Iraque antes de partir ao Tabaristão após Haçane assumir o controle da província; Maomé parece ter ido ao Tabaristão por 867. Durante o reinado de seu irmão, Maomé é mencionado como tendo sido capturado por Iacube Alaite Alçafar durante sua invasão de 874, mas libertado em Gorgam quando Iacube retirou-se em 876. Após uma breve visita ao Tabaristão para ver sua mãe, ele retornou para Gorgam como um assistente para o cunhado de Haçane, Maomé ibne Ibraim. Os zaiditas foram removidos de Gorgam pelo general taírida Ixaque de Sari na primavera de 977, mas logo recuperaram-a.[2]

Em 880, Maomé também suprimiu a rebelião de Rustam I (r. 867–896), um membro da nativa dinastia bavandida que governou as montanhas do Tabaristão Oriental e opôs-se aos zaiditas.[3] Ele então suprimiu uma rebelião em Gorgam chefiada por outro alida, Haçane ibne Maomé ibne Jafar Alacici, e provavelmente continuou a governar a província em nome de seu irmão até sua morte em 6 de janeiro de 884. Devido a ausência de Maomé em Gorgam, o poder no Tabaristão foi usurpado pelo cunhado de Haçane, Abul Huceine Amade ibne Maomé, que proclamou-se emir legítimo. Maomé foi impedido de retornar diretamente ao Tabaristão devido ao motim de suas tropas dailamitas, e foi capaz de readquirir o controle de Gorgam somente através da ajuda do antigo general taírida e agora governante do Coração, Rafi ibne Hartama. Finalmente, em outubro de 884, Maomé foi capaz de retomar o Tabaristão, tomar a capital Amul e decapitar o usurpador.[2][4]

Reinado[editar | editar código-fonte]

Coração em meados do século IX
Dinar de ouro de Almutadide (r. 892–902)

Maomé assumiu o mesmo nome real de seu irmão, Aldai Ilalaque (al-Da‘ī ila‘l-Ḥaqq, "Ele que invoca a Verdade"), e foi conhecido como Aldai Alçaguir (al-Da‘ī al-ṣaghīr, "o Jovem Missionário") em contraste a Haçane (Aldai Alquibir (al-Da‘ī al-kabīr), "o Velho Missionário").[1][4] Ele é também encontrado em algumas fontes como Alcaim Bialaque (al-Qa’im bi al-Ḥaqq, "Defensor da Verdade"). Como seu irmão, Maomé tentou expandir seu domínios por meios militares, e campanhas ocuparam grande parte de seu reinado. Maomé atacou Rustam I, que tinha apoiado a usurpação de Ahmad, e obrigou-o a partir de seus domínios para a corte safárida. Com mediação dos safáridas, Rustam foi permitido retornar. Em agosto de 885, ele tentou capturar Ragas de seu governante turco Açateguim, mas foi expulso. Rafi ibne Hartama usou a oportunidade para ocupar Gorgam, mas Maomé recuperou o controle da província tão longo quando Rafi deixou-a. Em 888 ou 889, Maomé novamente atacou Rustam, que agora fugiu para Rafi e procurou sua ajuda. Rafi lançou uma grande invasão aos domínios zaiditas e conquistou muitos deles, forçando Maomé, como seu irmão antes dele, a procurar proteção nas fortalezas montanhosas dos distritos ocidentais.[2]

Maomé também ganhou o apoio de Jastane ibne Uaçudane, senhor de Dailam. Com sua ajuda, Maomé envolveu-se em luta constante com Rafi, mas foi incapaz de recuperar seu reino. Posteriormente, Rafi selou a paz com Jastane, e os dailamitas retiraram-se. Neste ponto, a fortuna de Maomé mudou, com a ascensão do novo califa abássida, Almutadide (r. 892–902), ao trono em 892. Temeroso do poder de ibne Hartama, o califa removeu-o do governo do Coração e deu-o a seu rival, o safárida Amir ibne Alaite. Em resposta, Rafi concluiu a paz com Maomé, retornando do Tabaristão (mas não Gorgam) para ele e mesmo prometeu aliar-se à causa zaidita. Maomé reentrou em Amul em 24 de junho de 893. Apesar da aliança deles, Maomé absteve-se de auxiliar Rafi em suas guerras com os safáridas, e os dois separaram-se novamente brevemente quando Maomé tentou recuperar Sari. Após a reconciliação deles, Rafi torturou e matou Rustam I em 895, e em 896, quando suas forças brevemente conquistaram Nixapur, a oração da sexta-feira foi lita em nome de Maomé. Rafi foi morto logo depois por seus rivais safáridas, após o que Maomé recuperou Gorgam.[2][3][4]

Em 897, Maomé forneceu refúgio para Baquir ibne Abdalazize, um rebento da deposta dinastia duláfida de Ispaã. Inicialmente, Maomé recebeu-o com honras, e mesmo deu-lhe o governo das cidades de Chalus e Ruyan, mas em 898 envenenou-o. Em 900, a balança do poder na região mudou abruptamente com a derrota e morte do safárida Amir ibne Alaite pelos samânidas em abril daquele ano. Os samânidas agora exigiam a entrega de Gorgam, enquanto Maomé estava planejando aproveitar-se do tumulto para invadir o Coração. Maomé e seu exército encontraram-se com o exército samânida sob Maomé ibne Harune de Sarachs em Gorgam, e na batalha subsequente, os samânidas prevaleceram, e o severamente ferido Maomé foi capturado. Ele morreu no dia seguinte, 3 de outubro de 900 (ou em agosto, segundo Abul Faraje).[3][4] Seu corpo foi decapitado, e enquanto sua cabeça foi enviada à corte samânida em Bucara, seu corpo foi enterrado no portão de Gorgam.[2] Dentro de pouco tempo, como relata Almaçudi, sua tumba tornar-se-ia centro de peregrinação.[4]

Como o filho de Maomé e herdeiro designado Zaide também foi capturado e enviado para Bucara, os líderes zaiditas concordaram em nomear Zaide, o infante de al-Mahdi, como líder deles, mas dissensão eclodiu entre seus postos: um deles proclamou-se para os abássidas, e suas tropas atacaram e massacraram os apoiantes zaiditas. Porém, foram os samânidas que ocuparam a província.[2] A conquista samânida trouxe a restauração do sunismo à província, mas a causa xiita foi acolhida e espalhada entre os dailamitas e gilanitas por outro alida, Haçane, o Surdo, que em 914 conseguiu conquistar o Tabaristão e restaurar o governo Zaidita.[5]

Políticas religiosas e caráter[editar | editar código-fonte]

Como seu irmão, Maomé financiou e promoveu o xiismo zaidita e o mutazilismo, enquanto reprimiu a oposição sunita. Esta opressão religiosa, combinada com a confiança deles nos montanheses dailamitas, cuja falta de disciplina e comportamento bárbaro foi muito ressentido pela população, resultou no afastamento da massa com o governo zaidita.[3] Maomé alcançou alguma proeminência entre os xiitas por financiar a reconstrução da mesquita de Ali e seu filho Huceine em Carbala, no Iraque, após sua destruição pelos abássidas, bem como por suas doações liberais para outros membros da família alida através do mundo muçulmano.[1] No entanto, os posteriores zaiditas não consideraram-o ou seu irmão Haçane como imames legítimos.[2]

Apesar de seu fervor religioso, ele não parece ter sido um inimigo resoluto dos abássidas: segundo uma história, o califa Almutadide ficou entristecido pela morte de Maomé. Maomé também foi um homem erudito, que apreciou boa poesia e mesmo compôs poemas, dos quais apenas algumas linhas sobreviveram, relatadas por Alçuli.[4][2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Haçane ibne Zaide
emir zaidita
884 - 900
Sucedido por
ocupação samânida

Referências

  1. a b c Madelung 1975, p. 206.
  2. a b c d e f g h Madelung 1993, p. 595–597.
  3. a b c d Madelung 1975, p. 207.
  4. a b c d e f Bearman 1993, p. 417-418.
  5. Madelung 1975, p. 208–209.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bearman, P.; Bianquis, Th.; Bosworth, C. E.; Donzel, E. van; Heinrichs E. P. (1993). «Muḥammad b. Zayd». The Encyclopedia of Islam, New Edition, Volume VII: Mif–Naz. Leida e Nova Iorque: BRILL. ISBN 90-04-09419-9 
  • Bosworth, C.E. (1975). «The Ṭāhirids and Ṣaffārids». In: Frye, R.N. The Cambridge History of Iran, Volume 4: From the Arab Invasion to the Saljuqs. Cambridge: Cambridge University Press 
  • Madelung, W. (1975). «The Minor Dynasties of Northern Iran». In: Frye, R.N. The Cambridge History of Iran, Volume 4: From the Arab Invasion to the Saljuqs. Cambridge: Cambridge University Press 
  • Madelung, W. (1993). «DĀʿĪ ELAʾL-ḤAQQ, ABŪ ʿABD ALLĀH MOḤAMMAD». In: Yarshater, Ehsan. Encyclopaedia Iranica, Vol. VI, Fasc. 6. London et al.: Routledge & Kegan Paul. ISBN 1568590075