Mercado Municipal de Santa Maria da Feira

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Imagem 1 - Mercado Municipal de Santa Maria da Feira

O Mercado Municipal de Santa Maria da Feira localiza-se em Portugal, no distrito de Aveiro, concelho de Santa Maria da Feira. É uma obra de grande importância para a arquitectura tradicional portuguesa, classificado como monumento de interesse público.[1]

1. Projecto (Arquitectura)[editar | editar código-fonte]

1.1. Ficha Técnica[2][editar | editar código-fonte]

Autoria: Arquitecto Fernando Távora;

Projecto: Datado de 1953;

Imagem 2 - Vista para o pátio central que organiza o espaço

Construção: Obra concluída em 1959;

Localização: Rua dos Descobrimentos, Santa Maria da Feira;

Cliente: Câmara Municipal de Santa Maria da Feira;

Colaboradores: Alberto Neves, Álvaro Siza, Fernando Lanhas.

1.2. O Arquitecto[3][editar | editar código-fonte]

Fernando Luís Cardoso de Meneses de Tavares e Távora (1923 – 2005) foi um arquitecto, professor e ensaísta português, de grande importância para a arquitectura moderna portuguesa, bem como, internacional. Como refere o arquitecto Eduardo Souto de Moura, "Távora é o pai da escola do Porto, mas bisavô da Europa. É uma figura histórica e universal".[4]

O arquitecto frequentou o curso de Arquitectura, na Escola de Belas Artes do Porto, iniciando a sua formação no Curso Especial de Arquitectura em 1941. Em 1945 inscreve-se no Curso Superior de Arquitectura em paralelo com o estágio com o Arquitecto Francisco Oldemiro Carneiro, no qual começou a realizar os seus primeiros projectos (1946 – 1947). Termina o estágio profissional em 1950, estando apto para exercer profissão.

Conhecido pelo forte sentido de responsabilidade social na forma como associa a criatividade à criteriosa abordagem ao sítio, aos pormenores técnicos e à funcionalidade da obra, Fernando Távora tem como principais exemplos da sua obra, o Mercado Municipal de Santa Maria da Feira (1953-59), o Pavilhão de Ténis da Quinta da Conceição, em Matosinhos (1956-1960), a Casa de Férias no Pinhal de Ofir, em Fão (1957-1958), a Ampliação das instalações da Assembleia da República, em Lisboa (1994-1999) ou a Casa da Câmara/Casa dos 24, no Porto (1995-2002), entre outros. Como docente, ligou-se essencialmente, a três instituições: a Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP), a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP) e a Universidade de Coimbra. Entre 1951 e 1959 participou nos CIAM (Congresso Internacional de Arquitectura Moderna). Fernando Távora ficou conhecido como um dos maiores vultos da Arquitectura Contemporânea Portuguesa, sabendo, como ninguém, fazer a síntese entre a Arquitectura tradicional nacional e a Arquitectura moderna internacional.

Como o próprio dizia “eu sou a arquitectura portuguesa”,[5] tendo sempre como base uma arquitectura entendida no contexto do ambiente envolvente.

1.3. Contexto do Projecto[editar | editar código-fonte]

O protejo do Mercado Municipal de Santa Maria da Feira foi uma das primeiras obras do arquitecto Fernando Távora, e teve o seu período de construção entre 1953 e 1959. É um edifício que marca a arquitectura da década de 1950 no país, no qual procurou integrar elementos locais e tradicionais na arquitectura moderna.[6] Neste momento, encontra-se classificado patrimonialmente pelo IGESPAR e como zona protegida pelo seu valor de interesse público e histórico, pela Portaria n.º 740- CF/2012.[7]

1.4. Implantação e Morfologia[editar | editar código-fonte]

O mercado situa-se no centro histórico de Santa Maria da Feira, enquadrando- se na paisagem envolvente próxima e mantendo relações visuais com o Castelo e com a Igreja e Convento dos Lóis.[8] O projecto tira partido da morfologia do terreno e integra-se no seu contexto, definindo uma frente de carácter urbano para com a rua.[9]

O mercado é fragmentado em quatro corpos de consistência volumétrica diferente numa plataforma expressiva. Lança desde a rua uma leitura horizontal, evidenciada pelo bloco mais importante do conjunto dos quatro pavilhões, distribuídos em torno de um pátio, conseguindo transmitir um sentido de protecção. Segundo Fernando Távora, este não é um lugar para trocas comerciais e bens essenciais (coisas) mas, um lugar para integrar ideias, é o lugar onde os homens se reúnem.[10]

As diferentes cotas do terreno, que dinamizam o espaço e permitem usufruir de vistas e de vários percursos, remetem para uma concepção espacial liberta, tendo em conta os princípios do movimento moderno, direccionando-se mais para uma atitude integradora da envolvente e de uma tipologia tendencialmente tradicional.[11]

A proposta de implantar um mercado num terreno de 50 x 50 metros leva a adoptar uma modulação base, onde toda a composição é organizada e onde simultaneamente se introduz a sua geometria.[12] Este conjunto de blocos é implantado em dois níveis distintos de acordo com as características do terreno.

1.5. Programa e Organização[editar | editar código-fonte]

O projecto para o mercado previa um sector de estabelecimentos comerciais e sectores para venda de produtos alimentares, nomeadamente, carne, peixe, frutas e verduras, animais vivos, entre outras instalações operativas complementares.[13]

O corpo principal que faz a transição entre a rua e a área destinada ao mercado é onde se situa os estabelecimentos comerciais e as zonas de serviço destinadas aos mesmos, o veterinário e a administração e a fiscalização. Num outro corpo, situa-se as bancas de flores e frutas, como também, o espaço expositivo. Ainda outro é constituído por balcões para venda de produtos hortícolas. Por fim, é no último corpo que se localizam as zonas para venda de carne e peixe, bem como, animais vivos e respectivas zonas de serviço. Todas estas zonas foram distribuídas segundo uma métrica definida e evidenciada pelo pavimento em betonilha esquartelada de 1x1 m que formam uma grelha em torno de todo o lote e onde foram integrados mosaicos alusivos aos vários produtos para venda, implantados nas zonas a que se destinam. A forma como a organização do espaço, com as diversas bancas e lojas, se organiza em torno do pátio com a fonte, ao mesmo tempo que cria uma frente urbana de lojas voltadas à rua, confere ao edifício um equilíbrio que explora e permite a valorização do local.[14]

2. Componente Técnica/Construtiva[editar | editar código-fonte]

O projecto apresenta uma linguagem austera, pelo uso de materiais e pormenores racionalistas, onde alguns críticos referem influências pré-colombianas na sua evocativa monumentalidade.[15] A particularidade formal do projecto baseia-se num conjunto de coberturas desenhadas como “asas” protectoras que pairam sobre o terreno e que se organizam em plataformas, numa espécie de borboleta adaptada a uma estrutura modular de pequenos pavilhões.[16]

Os quatro corpos elementares de abrigo, que constituem o edifício são construídos numa estrutura em betão, de cobertura em plano inclinado, com fecho no topo, por uma peça de protecção solar que remata as vigas em dupla consola, com uma secção decrescente encastrada nas colunas centrais e estruturantes.[17]

Esta estrutura dos pavilhões aproxima-se da forma de um Y constituída por um pilar central espesso que suporta duas vigas de pendente inclinada para o centro (em sentidos opostos), que por sua vez recebe uma laje contínua ao longo dos vários suportes (Y). Isto permite que a cobertura não seja sobrecarregada com o peso da água das chuvas e que seja escoada directamente para uma caleira central situada no eixo dos pilares e direccionada para tubos de queda. Assim sendo, na construção é predominante o uso do betão armado, nos pilares e vigas e o granito em muros e paredes. Na criação da frente urbana de lojas, são utilizados grandes planos de vidro que permitem uma maior relação interior/exterior. Nos revestimentos são utilizados azulejos azuis e brancos.[18]

Todo o tipo de mobiliário utilizado no projecto, nomeadamente, as bancas para venda e os lavatórios de apoio, são construídos em betão e granito, respectivamente, ou seja, constituem um mobiliário fixo, dado a permeabilidade do espaço. Os materiais escolhidos mostram o cuidado de envelhecer com o tempo, desde o betão (moderno), passando pelo granito e pela utilização da cor vermelha nos tectos (moderno), até aos cerâmicos, onde Siza Vieira experimenta uma composição de pequenos mosaicos alusivos aos produtos para venda. A modernidade convive e assimila a tradição nos usos e costumes do programa e nas subtis inflexões ao recurso a materiais e soluções espaciais.[19]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Diário da República. Portaria n.º 740-CF/2012. 2.ª Série — N.º 248 — 24 de dezembro de 2012
  2. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção: Arquitectos Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.36
  3. Antigos estudantes ilustres na Universidade do Porto: Fernando Távora. Índices biografados da Universidade Digital do Porto (2008).
  4. MOURA, Eduardo Souto, in Público de 4 de Setembro de 2005.
  5. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção: Arquitectos Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.11.
  6. VALE, Francisco (2010). Mercado Municipal de Santa Maria da Feira.
  7. Diário da República. Portaria n.º 740-CF/2012. 2.ª Série — N.º 248 — 24 de dezembro de 2012
  8. Diário da República. Portaria n.º 740-CF/2012. 2.ª Série — N.º 248 — 24 de dezembro de 2012
  9. REIS, Roberto Carlos. Mercado Municipal de Vila da Feira (1953-1959). Arquitecto Fernando Távora.
  10. REIS, Roberto Carlos. Mercado Municipal de Vila da Feira (1953-1959). Arquitecto Fernando Távora.
  11. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção: Arquitectos Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.36
  12. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção: Arquitectos Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.38
  13. REIS, Roberto Carlos. Mercado Municipal de Vila da Feira (1953-1959). Arquitecto Fernando Távora.
  14. Diário da República. Portaria n.º 740-CF/2012. 2.ª Série — N.º 248 — 24 de dezembro de 2012
  15. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção Arquitectos: Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.36
  16. REIS, Roberto Carlos. Mercado Municipal de Vila da Feira (1953-1959). Arquitecto Fernando Távora.
  17. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção Arquitectos: Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.38
  18. REIS, Roberto Carlos. Mercado Municipal de Vila da Feira (1953-1959). Arquitecto Fernando Távora.
  19. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção: Arquitectos: Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.40
  20. Diário da República. Portaria n.º 740-CF/2012. 2.ª Série — N.º 248 — 24 de dezembro de 2012
  21. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção: Arquitectos Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.36.
  22. Antigos estudantes ilustres na Universidade do Porto: Fernando Távora. Índices biografados da Universidade Digital do Porto (2008).
  23. MOURA, Eduardo Souto, in Público de 4 de Setembro de 2005.
  24. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção: Arquitectos Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.11.
  25. VALE, Francisco (2010). Mercado Municipal de Santa Maria da Feira.
  26. Diário da República. Portaria n.º 740-CF/2012. 2.ª Série — N.º 248 — 24 de dezembro de 2012
  27. Diário da República. Portaria n.º 740-CF/2012. 2.ª Série — N.º 248 — 24 de dezembro de 2012
  28. REIS, Roberto Carlos. Mercado Municipal de Vila da Feira (1953-1959). Arquitecto Fernando Távora.
  29. REIS, Roberto Carlos. Mercado Municipal de Vila da Feira (1953-1959). Arquitecto Fernando Távora.
  30. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção: Arquitectos Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.36
  31. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção: Arquitectos Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.38
  32. 3 REIS, Roberto Carlos. Mercado Municipal de Vila da Feira (1953-1959). Arquitecto Fernando Távora.
  33. Diário da República. Portaria n.º 740-CF/2012. 2.ª Série — N.º 248 — 24 de dezembro de 2012.
  34. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção Arquitectos: Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.36
  35. REIS, Roberto Carlos. Mercado Municipal de Vila da Feira (1953-1959). Arquitecto Fernando Távora.
  36. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção Arquitectos: Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.38
  37. REIS, Roberto Carlos. Mercado Municipal de Vila da Feira (1953-1959). Arquitecto Fernando Távora.
  38. COELHO, Paulo. Fernando Távora: Mercado Municipal. Colecção: Arquitectos: Portugueses (2011). Vila do Conde: QN Edições e Conteúdos, S.A. Pág.40

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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