Mescalina

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Mescalina
Nome Químico 3,4,5-trimethoxy-

phenethylamine or
2-(3,4,5-trimethoxyphenyl)
ethanamine

Fórmula molecular C11H17NO3
Massa Molecular 211.26 g/mol
Ponto De Fusão 128–129 °C
CAS 54-04-6
SÍMILES

NCCC1=CC(OC)=C(OC)C(OC)=C1

Chemical structure of mescaline

A mescalina é um alucinógeno natural extraível do cacto peiote (Lophophora williamsii), como de uma série de outros. Sua fórmula química é 3,4,5-trimetoxifeniletilamina.

Chemical structure of mescaline

História[editar | editar código-fonte]

A mescalina era usada, inicialmente, em rituais e práticas etnomédicas de várias tribos pré-hispânicas.

Ela foi isolada em 1896 por Arthur Heffter[1] e sintetizada em 1919 por Ernst Späth. Uma descrição da utilização do cacto Anhalonium Lewinii, ou botão de mescal, por índios Kiowa do Novo México foi realizada por Havelock Ellis, em 1898, num artigo intitulado "Mescal: um novo paraíso artificial [2]. Seus efeitos psicofisiológicos na mente humana foram descritos como resultantes da ação de uma substância alucinógena em 1927 por Ernst Spath que sintetizou o elemento ativo desse cacto, a mescalina, em laboratório em 1919[3], publicando em seguida o mais extenso estudo sobre ela "Der Meskalinrausch" (The Mescaline High), em 1927 [4].

Por volta da década de 60 ela torna se popular, impulsionada pela obra de Carlos Castañeda que descreve seu uso entre os índios Yaquis. A obra "As portas da percepção" de Aldous Huxley, 1954, também teve como base os estudos descritivos dos efeitos dessa substância na mente humana. A utilização indígena, por sua vez, apesar de proibida e combatida pela igreja e governo americano, sofreu contínua expansão até a consolidação e reconhecimento jurídico da Native American Church [5].

Posteriormente se descobriu que algumas espécies de cacto (da tribo Trichocereeae, gênero Echinopsis) utilizadas por curandeiros da região andina também contém mescalina, em especial as espécies Echinopsis pachanoi e Echinopsis peruviana. A faixa de concentração de mescalina em espécies cultivadas de Echinopsis, situa-se de a partir de 0,053% até 4,7% em peso seco [6].

Efeitos[editar | editar código-fonte]

Peiote cacto
Echinopsis pachanoi, San Pedro em seu natural habitat no Peru
Botões de peiote secos

Efeitos que podem ocorrer com o consumo da droga.[7] [8]

  • Sentimento de Introspecção.
  • Brilho mais intenso das cores.
  • Alucinações visuais de olhos abertos e fechados.
  • Sinestesia (consiste na mistura entre os sentidos sensoriais. Ex: cheirar uma cor ou ouvir um gosto).
  • Euforia.
  • Risadas.
  • Aumento da energia corporal (Estimulante).
  • Tato mais intenso
  • Sensações felizes e de estar sonhando.
  • Sensações de esperança e rejuvenescimento
  • Aumento da percepção espiritual, experiências esotéricas profundas
  • Mudança na consciência.
  • Perda de apetite.
  • Mudança na temperatura corporal.
  • Pensamentos e fala incomuns.
  • Atenção incomum em pequenos detalhes ou grandes conceitos; mudanças no significado ou significância das experiências.
  • De leve a extrema deficiência de atenção.
  • Mudanças na percepção de tempo
  • Mudanças na percepção da realidade.
  • Mudanças no autocontrole
  • Sensações corporais incomuns
  • Leveza do Ego
  • Dilatação das pupilas.
  • Vasodilatação.
  • Tremores corporais.
  • Necessidade de urinar (no começo da experiência, provavelmente devido à forma de ingestão)
  • Cansaço
  • Náusea e/ou vômitos.
  • Dores no pescoço e opressão física no peitoral (durante o começo da experiência).
  • Falta de ar.
  • Mudanças desconfortáveis na temperatura (calafrios/suor).
  • Confusão, dificuldade na concentração e problemas com atividades que requerem atenção linear.
  • Dificuldade na comunicação.
  • Inibição da libido.
  • Insônia.
  • Visões desagradáveis ou assustadoras.
  • Pensamentos indesejáveis, impressionantes, inclusive: depressão, ansiedade.
  • Paranoia, medo e pânico.

Na descrição de Aldous Huxley [9] : (1) a capacidade de lembrar-se e raciocinar corretamente não sofre redução perceptível; (2) as percepções visuais tornam-se grandemente intensificadas, desligando-se o percebido (senso) descrição conceptual automática, reduzindo-se também o interesse por exploração do espaço; (3) reduz-se a inquietação e a atividade motora voluntária; (4) Ocorrem percepções sucessivas e simultâneas do exterior / interior isenta de angústias.

Referências

  1. Heffter, Arthur. Ueber Pellote – Beiträge zur chemischen und pharmakologischen Kenntniss der Cacteen Zweite Mittheilung. Naunyn-Schmiedeberg's Archives of Pharmacology, Vol. 40, Nr. 5-6, pp. 385–429, 1898
  2. Havelock Ellis, Mescal: a new artificial paradise
  3. Späth, Ernst. Über die Anhalonium-Alkaloide I. Anhalin und Mezcalin. Monatshefte für Chemie - Chemical Monthly, Vol. 40, Nr. 2, pp. 129–154, 1919
  4. Trenary, Klaus. History Of Mescaline (Drug Information Arquivado em 7 de outubro de 2009, no Wayback Machine. Dez. 2010; Mycotopia Jun 2011)
  5. Lanternari, Vittorio. As religiões dos oprimidos. SP, Perspectiva, 1974
  6. Ogunbodedea,Olabode; McCombsa, Douglas; Troutb, Keeper; Daleyc, Paul; Terrya, Martin. New mescaline concentrations from 14taxa/cultivars of Echinopsis spp. (Cactaceae) (“SanPedro”)and their relevance to shamanic practice. Journal of Ethnopharmacology, 131(2), 356-362
  7. Anderson E. Peyote: the Divine Cactus. University of Arizona Press. 1996.
  8. Peyote Effects Erowid Experience Reports. Erowid.org
  9. Huxley, Aldous. As portas da percepção e O céu e o inferno. RJ. Civilização Brasileira, 1954 (1965) p.12-13

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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