Carlos Castaneda

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Carlos Castaneda
Nome completo Carlos César Salvador Arana Castañeda
Data de nascimento 25 de dezembro de 1925
Local de nascimento Cajamarca, no  Peru
Data de morte 27 de abril de 1998 (72 anos)
Local de morte Los Angeles, nos  Estados Unidos
Ocupação Escritor e antropólogo
Alma mater Universidade da Califórnia

Carlos César Salvador Arana Castañeda, mais conhecido simplesmente como Carlos Castaneda (Cajamarca, 25 de dezembro de 1925Los Angeles, 27 de abril de 1998), foi um escritor e antropólogo formado pela Universidade da Califórnia; notabilizou-se após a publicação, em 1968, de sua dissertação de mestrado intitulada The Teachings of Don Juan - a Yaqui way of knowledge, lançada no Brasil como A Erva do Diabo.[1]

Pôr do sol no deserto de Sonora

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

Sua obra consiste em onze livros autobiográficos nos quais relata experiências decorrentes de sua associação com o bruxo conhecido por Don Juan Matus, índio da tribo Yaquis, do deserto de Sonora, no México. Como relata em entrevista para Sam Keen, pensando em ir para o curso de antropologia, buscava a publicação de um artigo científico para dar início à carreira acadêmica. Castaneda havia lido o livro de Aldous Huxley As Portas da Percepção, que havia celebrizado, no mundo ocidental, os efeitos psicotrópicos da mescalina, alcaloide alucinógeno presente em grandes quantidades no botão do cacto de peiote, que era usado de forma ritual por vários povos indígenas americanos. Castaneda havia escrito um pequeno ensaio sobre o livro. Castaneda, então, pesquisou o tema das plantas medicinais em livros como o de Weston La Barre, O ritual do peiote, e partiu para o trabalho de campo no sudoeste da Califórnia.

Foi então para o estado de Arizona, onde conheceu o índio bruxo conhecido como Don Juan Del Peiote. Este viria a ser seu guia, e é personagem central nos livros autobiográficos que escreveu. O encontro com o índio foi um episódio marcante, que é recontado várias vezes na sua obra. Numa estação rodoviária, indicado por um colega da faculdade, Castaneda aproximou-se e apresentou-se como especialista em peiote, convidando o índio a lhe conceder uma entrevista. Como não sabia virtualmente nada a respeito do cacto, segundo relata, Don Juan teria captado sua mentira e devolvido-a com um olhar. Este olhar foi bastante significativo, pois Castaneda, normalmente um homem falante e extrovertido, ficou sem ação e tímido ao ser perscrutado. Nas explanações posteriores, diz que Don Juan o havia capturado com o olhar mostrando-lhe o nagualismo, pois havia percebido que Castaneda poderia ser o homem que ele procurava para lhe passar seu conhecimento. Depois de mais alguns encontros, Don Juan lhe anuncia sua decisão e decide levá-lo a experimentar as plantas medicinais que Castaneda tanto pedia.

Aos poucos, o jovem latino e acadêmico foi sendo posto ao encontro de experiências cognitivas que desafiavam o poder de explicação de sua razão, sendo forçado finalmente a mudar toda a sua concepção de mundo em prol das novas explicações que o mestre lhe fornecia e que ia compreendendo, gradualmente. A Erva do Diabo, seu primeiro livro, também tese de mestrado, tornou-se um best-seller entre os jovens do movimento hippie e da contracultura, que, rapidamente, elegeram Castaneda um guru da nova era, formando legiões de admiradores que queriam, por conta própria, reviver as experiências descritas no livro. O livro também era bastante prezado no meio acadêmico, sobretudo porque, em seu princípio, era considerada uma obra de cunho científico. Foi muito criticada por, supostamente, atrair os jovens para o mundo das drogas e do crime.

Uma controvérsia formou-se em torno de sua figura tanto por parte de admiradores, que queriam encontrar Don Juan pessoalmente e, de alguma forma, fazer parte do processo de aprendizado, quanto de céticos, que queriam encontrar motivos para desacreditá-lo academicamente, argumentando que o testemunho fornecido em seus escritos era ficcional e apontando a escassez de fontes documentais sobre sua pesquisa de campo junto ao mestre indígena. Castaneda foi procurado pela polícia brasileira durante a ditadura militar brasileira e seus livros foram banidos de entrar no Brasil pelo Governo Federal, por se acreditar que o livro incentivava os jovens do movimento hippie ao uso de drogas (no caso, o cacto peiote descrito no livro "A Erva do Diabo").

Em 1973, no auge de sua fama, a conhecida revista norte-americana Time publicou uma extensa matéria de capa sobre o autor. Esta só foi conseguida depois de muita insistência junto aos agentes literários do autor, que, inclusive, imploraram para Castaneda posar para fotos em ângulos parciais, o que sempre evitava a todo custo. A abrangente matéria notabilizou-se por publicar o resultado de uma suposta investigação envolvendo a biografia de Castaneda antes da fama, a qual tinha, entre seus objetivos implícitos e explícitos, o propósito de retratá-lo como um mentiroso. A reportagem alega que Castaneda era peruano, nascido na andina cidade de Cajamarca. A reportagem cita amigos da terra natal e mesmo uma irmã de Castaneda, falando sobre traços da personalidade de Castaneda, como sendo alguém dono de imaginação fértil e entregue ao vício do jogo e das drogas. Segundo ela, Castaneda seria filho de um relojoeiro e teria nascido no ano de 1925. Aos 24 anos, em 1951, teria decidido imigrar para os Estados Unidos após a traumática morte da mãe, assassinada por seu pai, o que teria sido testemunhado por Castaneda em seus seis anos de vida. No livro de entrevistas "Conversando com Carlos Castaneda", da jornalista Carmina Fort, Castaneda, décadas depois, lamenta a decisão da TIME de publicar estes dados, que teriam sido inseridos porque ela "precisava de uma história". O autor ironiza o esforço da matéria em situar sua ascendência junto a índios sul-americanos.

Em 1973, revê os conceitos apresentados na primeira obra em uma versão de sua tese de doutorado em filosofia intitulada Journey to Ixtlan - Lessons of Don Juan (Viagem a Ixtlan). Como explica no sexto livro, O Presente da Águia, o sistema de interpretações e crenças que se dispôs a estudar terminou por engalfinhá-lo, ao se revelar tão ou mais complexo que o sistema "ocidental" de interpretações do mundo.

Um 13° livro chamado Magical Passes (Passes Mágicos) foi lançado, destoando aparentemente do conjunto da obra, pois parece se aproximar mais de um manual prático de aplicação de exercícios corporais de educação física, embora não o seja.

Livros[editar | editar código-fonte]

  • A Erva do Diabo (The Teachings of Don Juan: A Yaqui Way of Knowledge - 1968)
  • Uma Estranha Realidade (A Separate Reality: Further Conversations with Don Juan - 1971)
  • Viagem a Ixtlan (Journey to Ixtlan: The Lessons of Don Juan - 1972) Tese de PhD de Castaneda na UCLA em 1973 com o título: "Sorcery: A Description of the World"
  • Porta Para o Infinito (Tales of Power - 1975)
  • O Segundo Círculo do Poder (The Second Ring of Power - 1977)
  • O Presente da Águia (The Eagle's Gift - 1981)
  • O Fogo Interior (The Fire from Within - 1984)
  • O Poder do Silêncio (The Power of Silence: Further Lessons of Don Juan - 1987)
  • A Arte do Sonhar (The Art of Dreaming - 1993)
  • Readers of Infinity: A Journal of Applied Hermeneutics - 1996 - Diários do trabalho de Castaneda com suas discípulas ainda não traduzido.
  • Passes Mágicos (Magical Passes: The Practical Wisdom of the Shamans of Ancient Mexico - 1998)
  • O Lado Ativo do Infinito (The Active Side of Infinity - 1999)
  • A Roda do Tempo (The Wheel Of Time : The Shamans Of Mexico - 2000) - uma antologia de citações comentadas.

Outros autores[editar | editar código-fonte]

  • Sonhos Lúcidos: uma iniciação ao mundo dos feiticeiros (Being-in dreaming) (Florinda Donner) [1991]
  • A Bruxa e a Arte do Sonhar (The Witch´s dream) (Florinda Donner-Grau) [1998]
  • Travessia das Feiticeiras (The Sorcerer’s Crossing: A Woman’s Journey) (Taisha Abelar) [1992]
  • Pelo Caminho do Guerreiro (Ana Catan) [1993]
  • Encontros com o Nagual (Encounters With The Nagual) (Armando Torres) [2004]
  • Os Ensinamentos de Don Carlos (The Teachings of Don Carlos) (Víctor Sánchez) [1995]
  • Conversando com Carlos Castaneda (Conversations With Carlos Castaneda) (Carmina Fort) [1995]
  • O Caminho do Nagual (Roberto Carriconde) [2013]
  • Aprendiz de Feiticeiro: minha vida com Carlos Castaneda (The Sorcerer's Apprentice: My Life with Carlos Castaneda) (Amy Wallace) [2003]
  • Carlos Castaneda e a Fresta entre os Mundos (Vislumbres da Filosofia Ānahuacah no Século XXI) (Lui Morais) [2012]
  • O Domínio da Consciência (Compilação dos Ensinamentos de Juan Matus, apresentados por Carlos Castañeda em seus doze livros) (Flórion) [ano]
  • O xamanismo de Carlos Castaneda: apropriação, ruptura ou continuidade? (Nelson Neraiel) Bia Labate Julho 2011
  • Entrevista Revista Time, de março de 1973, capa

Referências

  1. «Carlos Castañeda morre aos 72 anos». Folha de S.Paulo. 20 de junho de 1998. Consultado em 17 de abril de 2016. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Casteneda, Carlos (1972), The Teachings of Don Juan: a Yaqui way of Knowledge, New York: Pocket Books.


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