Monumento ao prisioneiro político desconhecido

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Monumento ao prisioneiro político desconhecido, 1953 (1994), é uma obra do escultor português Jorge Vieira.

Historial[editar | editar código-fonte]

Monumento ao prisioneiro político desconhecido, maqueta de 1953, bronze, 445 x 300 x 290 mm

Foi projetada em 1953 para o Concurso Internacional de Escultura promovido pelo Institute of Contemporary Arts, Londres, O Prisioneiro Político Desconhecido, onde foi premiada. A maqueta levada a concurso integrou, depois, a mostra de artistas premiados nesse certame na Tate Gallery, Londres. Foi apresentada também na II Bienal de S. Paulo, Brasil (representação portuguesa).[1][2]

Em 1958 a escultura foi novamente exposta, no Pavilhão de Portugal da Exposição Universal de Bruxelas (Exposition Universelle de Bruxelles). Foi então selecionada pelo júri de admissão para integrar a exposição 50 Ans d'Art Moderne (Bruxelas, 1958); organizada no âmbito da Exposição Universal de Bruxelas, essa mostra apresentou uma panorâmica da arte internacional nas primeiras cinco décadas do século XX através de obras dos seus mais destacados representantes (a imagem a preto e branco que ilustra este artigo foi publicada no catálogo dessa exposição).[3]

Segundo Raquel Henriques da Silva, o Monumento ao prisioneiro político desconhecido, 1953 (1994), tem particular acutilância no contexto cultural repressivo em que foi realizado (ditadura de Salazar).[4]

Evitando o caráter óbvio de uma solução ilustrativa tradicional, Jorge Vieira "ultrapassou qualquer tentação de emotividade imediata, optando por uma plena intervenção abstrata em que duas elipses entrelaçadas articulam uma memória antropológica com meios exclusivamente plásticos". Atente-se na eficácia orgânica das barras que agarram impressivamente a luz, "a sua repetição como motivo minimal no corpo dos dois aros e nas suas linhas divisórias, o ligeiro descentramento da elipse superior, introduzindo conceitos antitéticos de dinamismo e fragilização". Por último, repare-se no suporte, "uma tripla garra, aguçada nos extremos, pertinente e frágil também, garantindo a imagem da composição". A sucessão de espaços abertos e vazios que daí resulta, "afirma a escultura como fundadora de um real outro, abstrato mas percorrido de intencionalidade figural".[4]

A maqueta inicial foi exposta em 1992-93 na exposição Arte Portuguesa nos anos 50 (Beja, Biblioteca Municipal; SNBA, Lisboa); encontra-se em depósito no Museu do Chiado, Lisboa.[5]

O projeto foi concretizado em maiores dimensões em 1994, sendo instalado na cidade de Beja.[2]

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

  • Jorge Vieira, Monumento ao prisioneiro político desconhecido, 1953, bronze, 445 x 300 x 290 mm. Localização: em depósito no Museu do Chiado (inv.2340).[5]
  • Jorge Vieira, Monumento ao prisioneiro político desconhecido, 1994, aço e chapa de cobre [2]. Localização: cidade de Beja.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. A.A.V.V. – II Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1961
  2. a b c Oliveira, Luísa Soares de – Jorge Vieira. Lisboa: Editorial Caminho, 1997. ISBN 978-972-21-1848-4
  3. A.A.V.V. – 50 Ans d'Art Moderne. Cologne: Editions DuMont Schauberg, 1960.
  4. a b Silva, Raquel Henriques da – "Jorge Vieira – Monumento ao prisioneiro político (maquete)". In: A.A.V.V. – Museu do Chiado: Arte portuguesa 1850-1950. Lisboa: Museu do Chiado; Instituto Português de Museus, 1994, p. 356.
  5. a b A.A.V.V. – Museu do Chiado: Arte portuguesa 1850-1950. Lisboa: Museu do Chiado; Instituto Português de Museus, 1994, p. 356.