Multipotencialidade

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Multipotencialidade é um termo educacional e psicológico que faz referência à habilidade e preferência de uma pessoa, particularmente com forte curiosidade intelectual e/ou artística, em alcançar sucesso em duas ou mais áreas.[1] [2]

Pode, também, referir-se a um indivíduo cujos interesses ocupam vários campos ou áreas, em vez de serem focados em apenas um. Tais características são chamadas multipotencialidades, enquanto o termo "multipotenciais" foi sugerido como um nome para aqueles que possuem essa característica.

Em contrapartida, aqueles cujos interesses residem principalmente em um único campo são chamados de "especialistas".

História[editar | editar código-fonte]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Uma primeira instância do registro do termo vem de pesquisas relevantes em superdotação.

Em 1972, R.H. Fredrickson et al. definiu uma pessoa multipotencial como alguém que, "quando inserido com ambientes apropriados, pode selecionar e desenvolver uma série de competências em alto nível".[3][4]

Em 1990, Barbara Sher definiu multipotentialidade:[5]

Multipotencialidade é a capacidade de selecionar e desenvolver qualquer número de opções de carreira por causa de uma grande variedade de interesses, aptidões e habilidades (Frederickson & Rothney, 1972). A ampla gama de oportunidades disponíveis tende a aumentar a complexidade da tomada de decisões e a definição de metas, e pode atrasar a seleção da carreira. A multipotencialidade uma constante preocupação dos alunos com QI moderadamente elevados (120-140), aqueles que são academicamente talentosos e aqueles que têm duas ou mais habilidades, mas muito diferentes, como a virtuosidade do violino a precocidade da matemática.
— Barbara Kerr Career Planning for Gifted and Talented Youth. ERIC Digest #E492.

Em 1999, a "multipotencialidade" aparece na tese de doutorado de Laurie Diane Shute, que foi intitulada "Uma investigação de multipotencialidade entre estudantes de honras universitárias".[6]

Em 2010, a multipotencialidade aparece novamente no artigo de Tamara Fisher na semana da Educação. Sua definição:[1]

Multipotencialidade é o estado de ter muitos talentos excepcionais, qualquer um ou mais dos quais poderia ser uma ótima carreira para essa pessoa.
— Tamara Fisher Education week

Em 2010, Emilie Wapnick cunhou o termo "multipotencial" para definir o profissional (em inglês, multipotentialite), talvez para estabelecer uma identidade compartilhada entre a comunidade. Ela define dessa forma:[7][8]

Um multipotencial é uma pessoa que tem muitos interesses diferentes e atividades criativas na vida.

Multipotenciais não têm "um verdadeiro chamado" como os especialistas. Ser um multipotencial é o nosso destino. Temos muitos caminhos e seguimos todos eles, sequencialmente ou simultaneamente (ou ambos).

Multipotenciais prosperam em aprender, explorar e dominar novas habilidades. Somos excelentes para reunir ideias diferentes de maneiras criativas. Isso nos faz inovadores incríveis e solucionadores de problemas.

Quando se trata de novos interesses que emergem, nossa curiosidade insaciável nos leva a absorver tudo o que podemos alcançar. Como resultado, nós desenvolvemos novas habilidades rapidamente e tendemos a ser uma riqueza de informações.
— Emilie Wapnick Terminology, Puttylike


Terminologia relevante[editar | editar código-fonte]

Embora o termo "multipotencialidade" seja freqüentemente usado de forma intercambiável com "polímata" ou "Pessoa Renascentista", os termos não são idênticos. Você não precisa ser um expert em um campo específico para ser um multipotencial.

Na verdade, Isis Jade faz uma distinção clara entre multipotencialidade e polímatas.[9] Multipotencialidade refere-se simplesmente ao potencial de uma pessoa em vários campos, devido aos seus diversos interesses e tentativas. Polímatas, por outro lado, são distinguidos pelo seu domínio e experiência em vários campos. Nesse sentido, multipotenciais podem ser vistos como potenciais polímatas.

Outros termos utilizados para se referir a multipotenciais são "scanners", "slashers", "generalistas", "multiapaixonados", "RP2", e "multipods", entre outros.[7]


Contexto[editar | editar código-fonte]

Com o advento da era industrial, as normas culturais mudaram em favor da especialização.[10][11] Na verdade, nos dias atuais, quanto mais focada é a especialização, maior é a remuneração e o respeito, por exemplo: doutores PhD e advogados, médicos e engenheiros especializados. O aforismo João-faz-tudo enfatiza isso. Uma ênfase mais antiga para o generalismo e múltiplos potenciais, como o humanismo renascentista e o homem renascentista foram substituídos.

No entanto, a economia de convergência, a era da Internet, a conectividade, o aumento da Classe Criativa e outros desenvolvimentos modernos estão trazendo um retorno de uma opinião mais positiva para generalistas e multipotenciais.

Em Specialization, Polymaths And The Pareto Principle In A Convergence Economy, Jake Chapman escreve:[12]

Os economistas nos dizem que a história do trabalho humano é uma especialização cada vez maior. Nos dias do caçador-coletor, todos os membros da tribo deveriam ter algum grau de proficiência com cada tarefa.

À medida que progredimos ao longo do continuum econômico do caçador-coletor através das economias de agricultura e industrial e agora em economias pós-industriais, a força de trabalho tornou-se mais fragmentada e agora os trabalhadores contam com mais e mais conjuntos de habilidades especializadas. ... Historicamente, a especialização tem sido um caminho para a prosperidade. Embora a especialização tenha certas vantagens econômicas, na era da convergência tecnológica, os generalistas bem educados serão aqueles que são os mais valiosos. É hora de um renascimento do "Homem Renascentista". ... Os pensadores renascentistas reconheceram o potencial dos indivíduos, assim como o enorme valor para ser bem sucedido. Infelizmente, em algum lugar ao longo do caminho, a ideia de alguém que se aventurou em muitos campos perdeu seu apelo cultural e começamos a louvar aqueles que buscavam expertises mais profundas.

Agora vivemos em um mundo em que as distinções entre indústrias anteriormente separadas estão se desfazendo e as oportunidades reais de crescimento são exatamente onde essas indústrias se cruzam. Aproveitar estas oportunidades do século XXI exigirá pessoas que sejam "João-faz-tudo", ou, talvez mais precisamente, mestres polímatas.
— Jake Chapman


Negócios[editar | editar código-fonte]

Organizações como startups que exigem adaptabilidade e ocupam múltiplas funções podem empregar vários multipotenciais e ter um especialista como um recurso.

Em Specialization, Polymaths And The Pareto Principle In A Convergence Economy, Chapman diz:

No mundo moderno, onde um trabalho muito comum pode exigir que alguém seja um especialista em mídia social, orador público, escritor e analista de dados, o polímata vence e o especialista é relegado para um canto de trás para serem utilizados como um recurso para outros. Como investidor, se eu fosse escolher a equipe perfeita, seria um grupo de polímatas brilhantes com um único especialista como um recurso.
— Jake Chapman In Specialization, Polymaths And The Pareto Principle In A Convergence Economy

Stretch Magazine discute o papel dos multipotenciais nas organizações e como eles serão os profissionais mais demandados no futuro.[13][14]


Crítica à especialização[editar | editar código-fonte]

O contexto histórico, a sabedoria convencional atual, a vantagem comparativa, USPs (Unique Selling Propositions), entre outros, contribuem para a ampla aceitação da especialização.[15][16][17][18]

Os defensores da especialização, acima, citam a excelência e suas recompensas com maior percepção em comparação com a mediocridade em tudo. Os defensores das múltiplas capacidades, abaixo, enfatizam a importância da adaptabilidade.

Em "Master of Many Trades", Robert Twigger chega até a criar a palavra "monopath": "Significa uma pessoa com uma mente estreita, um cérebro de uma via, um furo, um super-especialista, um especialista sem nenhum outro interesse - em outras palavras, o modelo de escolha no mundo ocidental." [19]

Essa ideia não é nova. Em Time Enough for Love (1973), Robert A. Heinlein escreveu:

Um ser humano deve ser capaz de trocar uma fralda, planejar uma invasão, cozinhar um porco, navegar um navio, projetar um prédio, escrever um soneto, equilibrar contas, construir uma parede, ajeitar um osso, confortar a morte, receber ordens, dar ordens, cooperar, agir sozinho, resolver equações, analisar um novo problema, adubar, programar um computador, cozinhar uma refeição saborosa, lutar de forma eficiente, morrer galantemente. A especialização é para insetos.
— Robert A. Heinlein Time Enough for Love


A Vida de um Multipotencial[editar | editar código-fonte]

Vantagens[editar | editar código-fonte]

Algumas vantagens dos indivíduos que desenvolveram habilidades em vários áreas:[20][21][22]

  • aprendizado aceleradodo e rápida aquisição de habilidades (aprender a aprender)
  • síntese de ideias
  • adaptabilidade
  • traduzir modos de pensamento
  • inventar novas soluções
  • pensamento contextual
  • entusiasmo
  • novidade e variedade
  • se encaixam bem em papéis de liderança


De acordo com Tim Ferriss, renomado generalista: [23]

Em um mundo de especialistas dogmáticos, é o generalista que acaba ganhando a fama. O CEO é um contador melhor que o CFO ou CPA? Steve Jobs era um melhor programador que os principais programadores da Apple? Não, mas ele tinha uma ampla gama de habilidades e viu a interconectividade invisível. À medida que a tecnologia se torna uma mercadoria com a democratização da informação, são os generalistas de grande contexto que vão prever, inovar e crescer mais rapidamente na carreira. Existe uma razão pela qual os "generais" militares são chamados assim.

Aviso: o multipotencial pode encontrar vários problemas se eles não são tão bons ou medianos em tudo. É recomendado que o multipotencial atinja um nível acima do intermediário, ou alcance o nível de mestre em pelo menos uma área do conhecimento.


James Liu, fundador / desenvolvedor da BoxCat Games, diz:

Ao longo dos meus muitos anos de aprendizagem, iteração e ensino, cheguei às conclusões de que o processo de aprendizagem, como humano, pode ser enfatizado, ajustado e escalado facilmente.

Chega um ponto específico em sua vida, onde você pode alcançar ou obter um domínio próximo de um assunto específico. Depois disso, existe uma base de conhecimento em que você pode (e irá) construir analogias. Assim, você analisa um setor e espelha-o para um outro setor.

Eu gostaria de enfatizar, você não pode ser um "faz-tudo" sem ser um mestre de pelo menos uma área. Pode ser habilidades social, fabricação de bonecas, matemática, idiomas, consciência emocional - você deve ser um mestre de pelo menos um para partir para outros setores...

O domínio de um área pode ser convertido em um catalisador para aprender outras áreas. Você tem conhecimento suficiente para extrair algo novo, idéias complexas que você pode identificar padrões e analogias metafóricas que podem completar um contexto.

Quanto mais você aprender, mais rápido você aprende.


Desvantagens[editar | editar código-fonte]

  • perder os benefícios da especialização, compromisso de ultra longo prazo
  • distração e fadiga[22]
  • dependendo da pessoa, domínio ou competência, pode demorar mais para alcançar. Embora exista alguma discordância quanto ao grau de prevalência deste fenômeno, pode ser um problema significativo para aqueles que a experimentam, levando a marcar muitos compromissos, altos níveis de estresse, confusão, paralisia por análise e escolhas impulsivas ou conformistas em crianças superdotadas e sentimentos de alienação social, falta de propósito, apatia e depressão nos mais brilhantes adultos.


O tédio também é uma ocorrência freqüente em multipotencialidades que já "dominaram" ou aprenderam tudo o que desejam conhecer sobre um assunto específico antes de seguir em frente.[24]

Eles também encontrarão oposição de conselheiros de carreira, pais e amigos que desejam que eles escolham caminhos convencionais de carreira especializada.[25] [26]


Estratégias[editar | editar código-fonte]

Para os desafios acima, vários recursos publicaram estratégias para lidar com a multipotencialidade:


Impacto[editar | editar código-fonte]

Em um mundo que supervaloriza a especialização, o termo e a sua crescente popularidade (especialmente entre a comunidade de blogs) contribuíram para o ressurgimento da consciência sobre a importância dos generalistas. O conceito foi mesmo mencionado em um jornal jamaicano como o tema da sessão de treinamento de uma competição. [27]

Na economia atual, a criatividade e o aumento da classe criativa estão ligados ao pensamento divergente e às soluções inovadoras para os problemas atuais. Como novas ideias podem ser encontradas na interseção de vários campos, há um benefício conjunto das vantagens das multipotencialidades.


Exemplos notáveis[editar | editar código-fonte]

Leonardo da Vinci pode ser considerado como um conhecido exemplo histórico de um gênio que passou por dificuldade associadas à multipotencialidade.

Ao longo da história, outros multipotenciais notáveis destacaram-se em muitos campos (também polímatas), tais como:


Veja também[editar | editar código-fonte]


Notas[editar | editar código-fonte]

  1. a b Fisher, Tamara (11 de agosto de 2010). «Multipotentiality - Unwrapping the Gifted». Education Week Teacher. Consultado em 25 de fevereiro de 2013 
  2. Fredrickson, R. H. (1 de fevereiro de 1979). «Career development and the gifted». In: Colangelo, N.; Zaffrann, R. T. New Voices in Counseling the Gifted. [S.l.]: Kendall‐Hunt Dubuque, Iowa. pp. 264–276. ISBN 978-0-840-31998-2 
  3. Bechtold, Patty. «Creative Blocks or Multipotentiality?». Living Deep Studio. Consultado em 27 de julho de 2016 
  4. «Recognizing and assisting multipotential youth.». Consultado em 27 de julho de 2016 
  5. Kerr, Barbara. «Career Planning for Gifted and Talented Youth. ERIC Digest #E492.». ERIC Clearinghouse on Handicapped and Gifted Children Reston VA. Consultado em 27 de julho de 2016 
  6. Shute, Laurie Diane. «An investigation of multipotentiality among university honors students». University of Connecticut, Doctoral Dissertations. Paper AAI9942597. Consultado em 27 de julho de 2016 
  7. a b «Terminology». Puttylike. Consultado em 27 de fevereiro de 2016 
  8. Enoma, Belinda. «Will the Real Multipotentialite Please Stand Up?». I Start And Finish. Consultado em 27 de julho de 2016 
  9. «Isn't Polymath and Multipotentiality the Same Thing?». IsisJade. Consultado em 27 de julho de 2016 
  10. «Division of Labor». Boundless.com. Consultado em 27 de julho de 2016. Arquivado do original em 13 de outubro de 2016 
  11. «The History and Importance of Specialization in Professional Psychology». Oxford Handbooks. Consultado em 27 de julho de 2016 
  12. Chapman, Jake. «Specialization, Polymaths And The Pareto Principle In A Convergence Economy». TechCrunch. Consultado em 27 de julho de 2016 
  13. Anupam Kundu, Tanmay Vora. «The Future of Work and Multipotentialites Part 1: Identify Polymaths In Your Organization». Stretch Magazine. Consultado em 27 de julho de 2016 
  14. Anupam Kundu, Tanmay Vora. «The Future of Work and Multipotentialites Part 2: Engage polymaths for organizational success». Stretch Magazine. Consultado em 27 de julho de 2016 
  15. Bergan, Nicolas. «Marketing Yourself: The Importance of Specialization». Online Career Tips. Consultado em 27 de julho de 2016 
  16. Van Noy, Andrew. «The Importance of Specialization in the Tech Job Market». Mashable. Consultado em 27 de julho de 2016 
  17. «Benefits of Specialization». Boundless. Consultado em 27 de julho de 2016 
  18. Saddington, John. «The Power and Importance of Specialization». Consultado em 27 de julho de 2016 
  19. Twigger, Robert. «Master of many trades». Aeon.co. Consultado em 27 de fevereiro de 2016 
  20. «The 7 Multipotentialite Super Powers». Puttylike. Consultado em 27 de julho de 2016 
  21. «Emilie Wapnick: Why some of us don't have one true calling». TED 
  22. a b Allan, Patrick. «The Surprising Benefits (and Pitfalls) of Being a "Jack of All Trades"» (em inglês). Consultado em 27 de julho de 2016 
  23. Ferris, Tim. «The Top 5 Reasons to Be a Jack of All Trades». Four Hour Work Week. Consultado em 27 de julho de 2016 
  24. Enoma, Belinda. «Multipotentiality Problems and Why You Are Not Being Hired». I Start and Finish. Consultado em 27 de julho de 2016 
  25. a b Rivero, Lisa. «Multipotentiality: When High Ability Leads to Too Many Options». Psychology Today. Consultado em 27 de julho de 2016 
  26. Wapnick, Emilie. «The Ultimate Guide to Dealing with Friends and Family Members who Disapprove of Your Multipotentiality». Puttylike. Consultado em 27 de julho de 2016 
  27. «On the Joys of "Multi-Potentialism"». Jamaica Gleaner. Consultado em 27 de julho de 2016 


Links Externos[editar | editar código-fonte]

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