Museu de Astronomia e Ciências Afins

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Museu de Astronomia e Ciências Afins
Tipo museu
Inauguração 1985 (34 anos)
Website oficial
Geografia
Coordenadas 22° 53' 44.6183" S 43° 13' 23.4466" O
Localização Rio de Janeiro
País Brasil

O Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) é uma instituição pública do Governo do Brasil que se dedica ao estudo e divulgação da história da ciência e da tecnologia no país, museologia e a educação em ciências. Se localiza no número 586 da rua General Bruce, no Bairro Imperial de São Cristóvão, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.[1] O seu arquivo em história da ciência é um dos mais importantes do país, sendo uma das principais instituições que cuidam da memória científica brasileira.

Criado no Rio de Janeiro, em 8 de março de 1985, o MAST é uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – MCTIC e tem

o missão ampliar o acesso da sociedade ao conhecimento científico e tecnológico por meio da pesquisa, preservação de acervos e divulgação da atividade científica brasileira. Uma visita ao museu é um verdadeiro mergulho na história do desenvolvimento científico e tecnológico no Brasil.

O MAST está situado no Morro de São Januário, Bairro Imperial de São Cristóvão, em um campus de aproximadamente 44 mil m2, que abriga um patrimônio arquitetônico formado por 16 edificações da década de 1920. Além do prédio sede do Museu, o conjunto é composto pelos pavilhões de observação astronômica, com suas cúpulas de cobertura pré-fabricadas em ferro adquiridas da Alemanha, Inglaterra e França, juntamente com os seus instrumentos científicos, que testemunham as inovações daquele tempo. Esse conjunto arquitetônico e paisagístico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, em 1986, e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural – INEPAC, em 1987.[2]

O MAST guarda o importante acervo do Observatório Nacional, coleção que reúne instrumentos científicos, máquinas, equipamentos, mobiliário e esculturas, totalizando mais de dois mil objetos representativos do Patrimônio Cientifico do Brasil.  Além da reserva técnica, o MAST apresenta regularmente ao público exposições e atividades planejadas, entre oficinas, palestras, visitas orientadas e as tradicionais observações do sol e do céu.[1][3][4][5]

Exposições[editar | editar código-fonte]

Reserva Técnica[editar | editar código-fonte]

Uma das coleções mais representativas da história da ciência e tecnologia no Brasil. São telescópios, teodolitos, círculos meridianos, relógios de precisão, instrumentos de meteorologia e diversos outros objetos disponíveis na Reserva Técnica do MAST.

Foto das pendulas da Reserva Técnica aberta
Pendulas da Reserva Técnica aberta

Essa rica coleção de instrumentos científicos está aberta à visitação. São quatro salas mobiliadas com armários e vitrines originais do século XX, que expõe uma coleção de objetos formada, em sua maioria, por instrumentos científicos adquiridos pelo Imperial Observatório do Rio de Janeiro, atual Observatório Nacional, entre 1850 e 1930, e fabricados na Alemanha, Inglaterra, França e Estados Unidos. A Reserva também é composta por alguns objetos produzidos no Brasil, no final do século XIX. Nos últimos anos, foram incorporados à coleção, instrumentos procedentes do Instituto de Engenharia Nuclear, do Centro de Tecnologia Mineral e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas.[6][4]

As Estações do Ano: Terra em Movimento[editar | editar código-fonte]

Inaugurada em julho de 2009, a exposição As Estações do Ano: Terra em Movimento oferece elementos para que os visitantes possam desvendar algumas curiosidades sobre os ciclos dos dias e das noites, as fases da Lua e as estações do ano em diferentes regiões do Brasil, da Terra e em outros planetas do Sistema Solar, interagindo com aparatos 3D, multimídias, vídeos, painéis e uma cenografia do céu. O principal objetivo da mostra é popularizar o conhecimento sobre fenômenos básicos relativos ao Sistema Terra-Lua-Sol. “O conhecimento da astronomia básica, após quatro séculos das primeiras observações dos corpos celestes por Galileu Galilei, poderia estar em um patamar melhor, já que a Astronomia, diferentemente de outras áreas do conhecimento, conta com uma percepção positiva do público. Daí, a divulgação da astronomia básica continuar a ter lugar de destaque”, explica o responsável pela exposição Douglas Falcão, da Coordenação de Educação em Ciências do MAST. [7][8]

Olhar o Céu, Medir a Terra[editar | editar código-fonte]

A partir de documentos históricos e instrumentos científicos de medição do tempo e do espaço, que integram o Acervo Museológico do MAST, a exposição permanente “Olhar o Céu, Medir a Terra” explora a relação entre a ciência e a configuração territorial do Brasil. A mostra também reúne réplicas de instrumentos dos séculos XVI e XVII, além de documentos, mapas, vídeos e fotografias de diferentes períodos da história da ciência no Brasil. Durante as grandes navegações, as medições das coordenadas de latitude e longitude eram feitas com o auxílio de uma série de instrumentos que permitiam medir as alturas dos astros: astrolábios, quadrantes, balestilhas e a bússola. Além destes, quando se queria confeccionar uma carta de marear ou carta náutica, era necessário o uso de compassos e réguas para transferir os dados coletados para o papel. [9][3]

O Eclipse: Einstein, Sobral e o GPS[editar | editar código-fonte]

Para celebrar os 100 anos do fenômeno que confirmou a verdade da nova teoria do Universo, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), em parceria com o Observatório Nacional (ON), inaugurou a exposição O Eclipse – Einstein, Sobral e o GPS. A mostra conta a história da expedição científica que comprovou da Teoria da Relatividade Geral, de Albert Einstein, trazendo detalhes sobre como foram registradas as fotografias da posição das estrelas próximas à borda solar nas cidades de Sobral (Ceará) e na Ilha do Príncipe (África).

A mostra exibe imagens e instrumentos utilizados para a realização da experiência. Para isso, um andar inteiro do MAST abriga os ambientes da exposição. O visitante pode fazer uma imersão na história do eclipse por meio de um conteúdo interativo, se deparando com a projeção de imagens e animações. O Eclipse – Einstein, Sobral e o GPS mistura história e tecnologia, com instalações detalhadamente pensadas para que o público viva experiências sensoriais surpreendentes, incluindo a simulação do momento em que Lua começou a sobrepor-se ao Sol naquele dia 29 de maio de 1919, na cidade de Sobral. É uma oportunidade de viver a história![10]

As experiências propostas na exposição permitem ao público conhecer detalhes da proeza científica que foi fundamental para comprovar a deflexão da luz pela gravidade, transformando Einstein em celebridade mundial e abrindo novos horizontes para o conhecimento científico.

A concepção da mostra é de Marcello Dantas, renomado curador, diretor artístico e documentarista. Responsável por inovar o conceito de museologia no Brasil, Marcello traz ao MAST doses sem precedentes de tecnologia, interatividade e recursos multimídia para oferecer aos visitantes uma experiência de imersão total.[11]

De 29 de maio de 2019 a 28 de abril de 2020

Anna Bella Geiger: Uma Visão Lunar[editar | editar código-fonte]

No dia 20 de julho de 2019 foi inaugurada a mostra Uma Visão Lunar, de Anna Bella Geiger, celebrando os 50 anos da chegada do homem na Lua. A prestigiada artista visual irá exibir 10 serigrafias históricas da série batizada de Fase Lunar, desenvolvidas com base em fotografias cedidas pela NASA, em 1970, e que tem exemplares em coleções internacionais como a Fondation Cartier pour L’Art Contemporain, de Paris.

Anna Bella Geiger prestigia o MAST mais uma vez com suas obras em técnica mista que serão exibidas no belo Pavilhão do Círculo Meridiano de Gautier. Um dos trabalhos deste acervo é a fotosserigrafia Lunar I, de 1973, que virou pop no ano seguinte, depois que a imagem foi licenciada para uma editora estampar a capa de cadernos escolares.[12][13]

Lua Nova: 50 Anos de Uma Jornada Lunar[editar | editar código-fonte]

Em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), os jovens designers do Departamento de Artes & Design exibem uma nova exposição no MAST: Lua Nova: 50 Anos de Uma Jornada Lunar, em homenagem aos 50 anos em que o Programa Apollo levou o homem até o satélite da Terra.

A mostra retrata a visão dos alunos acerca da chegada da humanidade à Lua e os impactos resultantes desta conquista, apresentando trabalhos nas áreas de Projeto de Produto, Comunicação Visual, Mídia Digital e Moda, com trajes e acessórios inspirados pelo tema. Serão exibidos animações, aparatos interativos, projeções, peças futurísticas de moda, tudo trazendo de forma criativa e inovadora a história dos 50 anos desde que o homem pisou pela primeira vez na Lua.

Os trabalhos variados contam um pouco da história da corrida espacial e instigam a reflexão sobre o papel da ciência, da tecnologia e da sociedade na construção de nosso futuro. “Lua Nova é uma exposição que nos leva não apenas a observar o satélite com novos olhares, mas também a pensar na Terra como nossa origem”, afirma Marcelo Pereira, Coordenador Adjunto de Tecnologia Departamento de Artes & Design da PUC-Rio.[14]

Visitação[editar | editar código-fonte]

Museu[editar | editar código-fonte]

O MAST é um espaço interativo com atividades que priorizam o conteúdo científico. Escolas, organizações e empresas podem agendar visitas em grupo e com isso, conhecer melhor o espaço do museu e também as exposições. Em 2019, foi inaugurado o novo centro de visitantes do MAST, com conteúdo interativo e imersivo.[15] Horário de Funcionamento:[16][17][4]

Foto da fachada do Museu de Astronomia e Ciências Afins
Fachada do Museu de Astronomia e Ciências Afins

Exposições no Prédio Sede do Museu[editar | editar código-fonte]

Terça a sexta - 09h às 17h          

Sábados - 14h às 19h    

Domingos e feriados - 14h às 18h

Programa de Observação do Céu (POC)  [editar | editar código-fonte]

Sábados - 17h30 às 20h[2]  

Biblioteca Henrique Morize[editar | editar código-fonte]

A Biblioteca é aberta ao público. Para que os usuários possam acessar a internet são disponibilizados 10 terminais para consulta além do serviço de impressão.

Dias e horários de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.[18]

Acervo Museológico[editar | editar código-fonte]

Para divulgar a coleção de instrumentos científicos, são elaboradas e montadas exposições, publicados livros, inventários e catálogos e produzidos multimídias, que permitem uma melhor compreensão sobre o funcionamento e os contextos em que foram utilizados.

Parte representativa desse acervo encontra-se em exposição permanente no MAST, o que é uma iniciativa inédita no país.[19]

Arquivo de História da Ciência[editar | editar código-fonte]

O acervo arquivístico do Arquivo de História da Ciência é formado por arquivos pessoais de cientistas, coleções de documentos e arquivos institucionais sob a guarda do MAST. Os arquivos já organizados têm suas informações disponibilizadas na base de dados Zenith (descrição dos conjuntos documentais que compõem os arquivos).

Os documentos podem ser consultados na Sala de Consulta, presencialmente, ou através da Base de Dados Zenith, disponível para consulta online, no caso dos arquivos já digitalizados.

O horário de funcionamento da Sala de Consulta: de segunda a sexta, de 9h às 12h e de 13h às 17h, mediante agendamento prévio, através do telefone 3514-5276; ou pelo email arquivo@mast.br[20]

História[editar | editar código-fonte]

O Museu de Astronomia e Ciências Afins, o MAST, foi criado em 8 de março de 1985, na cidade do Rio de Janeiro. Sua origem remonta ao Grupo Memória da Astronomia que, em 1982, abriu à visitação pública o conjunto de cúpulas de observação do céu do campus do Observatório Nacional, visando divulgar a ciência e sensibilizar os visitantes para a importância da preservação do patrimônio da cultura científica.

Naquele mesmo ano, o grupo liderado pelo astrônomo e divulgador da ciência Ronaldo de Freitas Mourão – e do qual faziam parte os historiadores da ciência José Carlos de Oliveira e João Carlos Victor Garcia –, organizou uma mesa-redonda para discutir o perfil de um novo museu de ciência no país. Estiveram presentes reconhecidos cientistas de instituições do Rio de Janeiro e São Paulo, bem como representantes do Observatório Nacional e do CNPq.

As discussões evidenciaram a preocupação dos cientistas com a divulgação da ciência e com a preservação do legado histórico da produção científica e tecnológica do Brasil. Para isso, defendiam a criação de uma instituição dinâmica e interdisciplinar, voltada para a promoção de atividades relacionadas à cultura científica, tais como: exposições, debates, biblioteca especializada, arquivos de ciência e tecnologia, edição de livros e periódicos, etc. O encontro resultou no envio de um documento ao presidente do CNPq, Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque, sugerindo “a adoção de uma política abrangente de recuperação e preservação do acervo histórico da cultura científica nacional; o apoio ao Grupo Memória da Astronomia para ampliar seus trabalhos e criar um museu de ciência no prédio principal do Observatório Nacional; o tombamento do patrimônio histórico da cultura científica, incluindo conjuntos arquitetônicos, bibliotecas e instrumentos científicos; e o apoio a cursos, pesquisas e centros de documentação na área de história da ciência".

A ocasião era duplamente favorável. De um lado, iniciativas semelhantes tinham curso na esfera do governo federal no âmbito do Ministério da Educação e Cultura e do próprio CNPq, ao qual pertencia o Observatório Nacional. De outro lado, como já haviam tido início as pesquisas no Observatório Astrofísico Brasileiro, previa-se para breve a desocupação do prédio principal do Observatório Nacional e sua transferência para uma edificação mais moderna no próprio campus de São Cristóvão. Logo, eram grandes as possibilidades do imponente prédio sede do Observatório, inaugurado em 1922 e fiel às características da arquitetura eclética até hoje, abrigar o novo museu de ciência.

Os desdobramentos foram rápidos. O presidente do CNPq transformou o Grupo Memória da Astronomia em Projeto Memória da Astronomia no Brasil e Ciências Afins, e este inaugurou em 8 de dezembro de 1982 a exposição Passagem de Vênus no disco do Sol. A mostra ocupou o nobre salão de reuniões e outras duas salas do antigo prédio sede do Observatório Nacional, e os visitantes tiveram a singular experiência de examinar instrumentos científicos, conferir documentos históricos originais, assim como se deleitar com charges, caricaturas e notícias publicadas em jornais de 1882. As imagens evidenciavam que o imperador e os astrônomos do Imperial Observatório do Rio de Janeiro (antiga denominação do Observatório Nacional) eram alvo de impiedosas críticas da imprensa carioca. Em doze dias úteis, a exposição foi visitada por mais de mil pessoas. Um marco para a época.

Em novembro de 1984, após outra mobilização que envolveu arquitetos, intelectuais e pessoas ligadas às áreas artísticas, científicas e culturais, a Subsecretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tombou o antigo prédio sede do Observatório Nacional, o conjunto de nove cúpulas de observação astronômica e outras cinco edificações de caráter histórico existentes no campus de São Cristóvão, como o acervo museológico no qual se destaca a coleção de instrumentos científicos. Logo em seguida, o Projeto Memória da Astronomia no Brasil e Ciências Afins ganhou o status de coordenação, diretamente subordinada à presidência do CNPq, e o nome de Núcleo de Pesquisa em História da Ciência (NHC). Os objetivos do grupo eram claros: realizar pesquisas nesse âmbito; criar um museu de ciência em colaboração com o Observatório Nacional e demais institutos de pesquisa do CNPq; e fomentar o intercâmbio com instituições brasileiras e estrangeiras.

O afluxo de visitantes se intensificou com a inauguração da exposição Panorama da Astronomia Moderna, em cooperação com o Palais de la Découverte (Paris), e a parceria com o Espaço Ciência Viva. Simultaneamente, realizavam-se outras modalidades de divulgação da ciência, como Noite do Céu e Astronomia na Praça, época em que começou a ser desenvolvido o projeto arquitetônico e pedagógico Parque da Ciência. Inspirado em experiência desenvolvida na Índia, protótipos de brinquedos visavam proporcionar às crianças oportunidade de experimentação de fenômenos científicos. O Parque da Ciência teve um grande impacto, inclusive na imprensa, pelo seu caráter inovador na área de educação em ciências.

Nesses trinta anos, o MAST consolidou suas características de museu de ciência e tecnologia no sentido amplo do termo: instituição de pesquisa e ensino pós-graduado voltada para história e educação em ciência, que privilegia a divulgação e as atividades inerentes à preservação do legado nacional da ciência e tecnologia.[5]

Acervo[editar | editar código-fonte]

Arquivístico[editar | editar código-fonte]

O acervo arquivístico sob a guarda do MAST, em constante crescimento, é composto atualmente mais de cinquenta arquivos pessoais, de instituições científicas brasileiras e coleções. Em metros lineares isso representa ao em torno de 1.500 metros de documentos textuais, iconográficos, cartográficos, tridimensionais e audiovisuais.

O acervo reúne importante conjunto de arquivos de importância para o estudo da história da ciência e da tecnologia no Brasil, entre eles o Arquivo do Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas, integrante do Programa Memória do Mundo da UNESCO; o arquivo CNPq/Acervo MAST, referencial para pesquisas sobre fomento à pesquisa e a política científica brasileira, entre 1951 e 1973; os arquivos do Observatório Nacional (1860-1980) e de seus ex-diretores Luiz Cruls, Henrique Morize, Lélio Gama, tombado pelo IPHAN, e Jacques Danon, relevantes para o estudo da Astronomia no Brasil; arquivos pessoais de físicos como Alexandre Girotto, Joaquim da Costa Ribeiro, Fernando de Sousa Barros, Mario Giambiasi, Jayme Tionmo e Elisa Frota-Pessoa, essenciais para o estudo sobre energia nuclear no Brasil, por exemplo; além de astrônomos, químicos, matemáticos, engenheiros, educadores em ciências, dentre outros especialistas e gestores de instituições científicas. O Arquivo Institucional do MAST também faz parte desse acervo.

Além das atividades voltadas para a preservação e disseminação de informações, atendimento ao público e pesquisas na sua área de atuação, a equipe do Arquivo de História da Ciência presta assessoria e orienta outras instituições científicas do país na organização e preservação de seus respectivos acervos arquivísticos.[21]

Bibliográfico[editar | editar código-fonte]

Instalada em um prédio de três pavimentos, com área total de 1.200 m² a Biblioteca do MAST é especializada em história da ciência, astronomia, educação, divulgação científica, museologia, preservação e patrimônio de ciência e tecnologia. Este acervo, formado por mais de 27 mil títulos, está aberto ao público, que tem a sua disposição salas de consulta dotadas de espaços multimídia.

A iniciativa de criar uma biblioteca dedicada a essas áreas do conhecimento surgiu em 1984, com o Projeto Memória da Astronomia no Brasil e Ciências Afins (PMAC), que foi o embrião da criação do Museu de Astronomia e Ciências Afins. Ao longo dos anos, a biblioteca vem enriquecendo o seu acervo com novos livros, dissertações, monografias, folhetos, obras de referência, periódicos, CDs e DVDs.

Recentemente o MAST recebeu em doação da Academia Brasileira de Ciências (ABC), um valioso acervo, composto por 5568 livros, 2167 obras e periódicos de referência, 2973 trabalhos acadêmicos, 1751 folhetos e 386 obras especiais.[22]

O mobiliário no qual está armazenado o acervo é original e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.  A biblioteca do MAST recebeu o nome de Henrique Morize em homenagem ao célebre engenheiro, geógrafo, físico e matemático francês naturalizado brasileiro, com forte atuação no campo da astronomia, que dirigiu o Observatório Nacional entre 1908-1929 e foi o primeiro presidente da Academia Brasileira.

A Biblioteca é responsável pela guarda e disseminação do acervo bibliográfico que é formado por livros, folhetos, periódicos, teses, e-books, CDs, DVDs e outros, cujos assuntos estão relacionados às áreas da história da ciência e da tecnologia, educação e divulgação da ciência, museologia e patrimônio cultural. Também fazem parte do acervo as coleções especiais, com especial destaque para as publicações da Academia Brasileira de Ciências; as coleções Brasiliana e Documentos Brasileiros.[23]

Disponibilização do acervo[editar | editar código-fonte]

Em maio de 2017, o Mast possibilitou que o público tivesse acesso a aproximadamente 2 mil títulos da Academia Brasileira de Ciências (ABC). O material, considerado de grande importância histórica, contém anotações de seus próprios autores, além de cartas trocadas por cientistas conceituados, no ano de 1950.

Livros como Homens e Coisas da Ciência, de Carlos Chagas Filho e Principles of Nuclear Engineering, de Samuel Glasstone, fazem parte dos títulos disponibilizados, bem como as correspondências trocadas pelo cientista Donald Kallman e pelo físico carioca Joaquim da Costa Ribeiro.[24]

O ABC disponibilizou mais de 400 obras de grande influência para a ciência nacional, contribuindo para que o Mast fosse considerado o maior acervo de publicações científicas em nível histórico no país. No total, a Academia Brasileira de Ciências possui 14 mil livros.[24]

Museológico[editar | editar código-fonte]

O acervo de objetos científicos do MAST é composto, até o momento, por mais de 2300 objetos procedentes do Observatório Nacional – ON, do Instituto de Engenharia Nuclear – IEN, do Centro de Tecnologia Mineral - CETEM e do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas - CBPF, além de doações particulares.

A coleção procedente do Observatório Nacional é uma das mais importantes do gênero. É composta de instrumentos científicos que foram utilizados em serviços e pesquisas de grande importância para o país como a determinação e a transmissão da hora oficial do país, a previsão do tempo, o cálculo de efemérides astronômicas, a demarcação das fronteiras brasileiras, o mapeamento magnético do solo brasileiro, nas comissões contra os efeitos das secas e nas de melhoramentos dos portos. Estes instrumentos foram adquiridos de relevantes fabricantes estrangeiros e, em sua maioria, foram fabricados entre o século XIX e o início do XX. As demais coleções têm como ponto comum serem provenientes da segunda metade do século XX, constituindo-se no que se denomina patrimônio recente.[25]

Pesquisa[editar | editar código-fonte]

Três áreas de produção de conhecimento compõem seu corpo de pesquisa: História da Ciência e Tecnologia no Brasil; Educação em Ciências; Museologia e Patrimônio.[17]

Coordenações[editar | editar código-fonte]

História da Ciência[editar | editar código-fonte]

Coordenação de História da Ciência e Tecnologia - COHCT dedica-se à pesquisa acadêmica, ao ensino e orientação de projetos na área de história da ciência e tecnologia, privilegiando a análise, a reflexão sobre as práticas científicas e o desenvolvimento da ciência no Brasil na perspectiva da história social.

Os projetos de pesquisa se concentram em duas linhas de investigação: Ciência, tecnologia e sociedade - estudos históricos das práticas científicas e inovações tecnológicas tem como objetivos problematizar e analisar a construção do conhecimento, os processos de produção, circulação, difusão, tradução e recepção desses saberes nos diversos âmbitos da sociedade.

Ciência, tecnologia e contextos culturais - estudos históricos das práticas científicas e inovações tecnológicas com o objetivo de problematizar e analisar a construção do conhecimento, levando em consideração as relações e tensões entre saberes institucionais e locais e outras manifestações sócio-políticas e culturais.[26]

Educação em Ciências[editar | editar código-fonte]

A Coordenação de Educação em Ciências - COEDU concentra suas ações nas atividades de divulgação da ciência e tecnologia e na pesquisa nas áreas de educação em ciências em espaços não formais, em consonância com a literatura na área de educação em ciências e com a evolução dos modelos de comunicação pública da ciência. As atividades educacionais realizadas abrangem temas de astronomia, matemática e ciências em geral, direcionadas aos diferentes públicos de visitação e são concebidas de forma a estimular interações sociais, promover motivação para o aprendizado e favorecer o empoderamento científico.

No contexto de uma agenda de pesquisas para o século 21, os pesquisadores da Coordenação de Educação em Ciências buscam novos instrumentos de medição e metodologia estatística de análise para avaliar a eficácia das atividades educacionais realizadas. Além disso, com base nas investigações, desenvolvem modelos pedagógicos para a divulgação da ciência; analisam possibilidades de uso de acervo museológico na educação em ciências; investigam mecanismos de formação continuada de professores.

Resultado da colaboração entre a Casa de Oswaldo Cruz, o Museu de Astronomia e Ciências Afins, a Casa da Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Fundação Cecierj e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, os cursos de Especialização em Divulgação e Popularização da Ciência e de Mestrado em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde têm por objetivo oferecer formação profissional e acadêmica nesse campo de atuação e são destinados a jornalistas, museólogos, professores, cientistas e profissionais que atuam ou pretendem atuar na área.

O curso de especialização já formou cerca de 150 especialistas desde a sua primeira turma em 2008. O curso de mestrado iniciou sua primeira turma em 2016.

No âmbito do Mestrado Profissional, a COEDU também participa do Programa de Pós-Graduação de Preservação de Acervos de Ciência e Tecnologia – PPACT do Museu de Astronomia e Ciências Afins, objetivando imprimir a importância do encontro da sociedade com o patrimônio de ciência e tecnologia.

O Laboratório de Inovação de Recursos Educacionais - LIRE integra um programa de inovação na área do desenvolvimento de atividades educativas e aparatos interativos para museus e centros de ciência. É composto de uma oficina equipada por instrumentos e ferramentas específicas para a geração de novos produtos e sua equipe é formada por bolsistas, técnicos e pesquisadores.[27]

Museologia[editar | editar código-fonte]

A Coordenação de Museologia - COMUS desenvolve pesquisas no campo da museologia e dos estudos sobre o patrimônio científico e tecnológico do Brasil, cujos resultados orientam ações voltadas para a valorização desse patrimônio; a concepção, elaboração e montagem de exposições; a realização de eventos científicos; e a formação de pessoal.

Os projetos de pesquisa tiveram origem nos desafios enfrentados no decorrer das atividades de preservação do Acervo museológico e do Patrimônio Arquitetônico do MAST, tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. As pesquisas se ampliaram a partir do advento, em 2006, do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio - PPG-PMUS, uma parceria com a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro que oferece cursos de mestrado e doutorado em Museologia e Patrimônio

O acervo museológico reúne mais de dois mil objetos, dentre os quais se destaca o rico conjunto de instrumentos científicos oriundos do Observatório Nacional. O acervo foi ampliado com objetos provenientes de outros institutos de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. A política de aquisição e descarte de acervos orienta essa coleta.

O patrimônio arquitetônico compreende dezesseis edificações de valor histórico localizadas no campus do Observatório Nacional/MAST, dentre as quais os pavilhões que abrigam centenárias lunetas e o edifício sede.

A partir dos projetos de pesquisa desenvolvidos na Instituição e de temas relevantes para a sociedade brasileira, a COMUS é responsável pelos espaços expositivos do MAST, além de desenvolver um Programa de Exposições Itinerantes que divulga o conhecimento científico para todas as regiões do Brasil.

O Laboratório de Conservação de Objetos Metálicos - LAMET é responsável pela conservação e restauração dos objetos do acervo, possibilitando o desenvolvimento de projetos de pesquisa aplicada na área. O LAMET é também espaço onde são realizadas aulas práticas dos cursos de pós-graduação.[28]

Documentação e Arquivo[editar | editar código-fonte]

A Coordenação de Documentação e Arquivo - CODAR desenvolve pesquisas nos campos da arquivologia, da biblioteconomia e da conservação preventiva de documentos referentes à ciência e tecnologia. Os resultados das pesquisas contribuem para o aprimoramento das ações voltadas para a organização, preservação e disseminação dos Acervos arquivístico e bibliográfico. As pesquisas estimulam o desenvolvimento de novas técnicas aplicadas aos acervos de C&T e a formação de pessoal especializado.

O Arquivo de História da Ciência é o responsável pelo acervo arquivístico do MAST, e reúne arquivos pessoais de cientistas, engenheiros, tecnologistas e gestores, cujas trajetórias profissionais estiveram associadas ao ensino, institucionalização ou produção de ciência e de tecnologia, bem como de instituições científicas brasileiras. O acervo é ampliado em conformidade com a política de aquisição e descarte de acervos, que orienta a captação de novos arquivos e coleções.

O acervo bibliográfico é formado por livros, folhetos, periódicos, teses, vídeos, CDs, DVDs e outros materiais relacionados às áreas da história da ciência e da tecnologia, educação e divulgação da ciência, museologia e patrimônio cultural. Este acervo está à disposição do público na Biblioteca do MAST.

O Laboratório de Conservação e Restauração de Papel - LAPEL é responsável pela conservação e restauração dos acervos arquivístico e bibliográfico, o que possibilita o desenvolvimento de pesquisa aplicada na área. No LAPEL são ministradas as aulas práticas dos cursos de pós-graduação do MAST.[29]

Publicações[editar | editar código-fonte]

As publicações feitas por pesquisadores do MAST podem ser acessadas neste link.

Referências

  1. a b MAST. Disponível em http://www.mast.br/index.php/conheca-o-museu.html. Acesso em 6 de fevereiro de 2018.
  2. a b «Um Programão no MAST: Museu de Astronomia e Ciências Afins». G1. Consultado em 6 de junho de 2019 
  3. a b «Museu de Astronomia organiza fim de semana com atrações gratuitas no Rio». G1. Consultado em 5 de junho de 2019 
  4. a b c «Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST)». visit.rio. Consultado em 5 de junho de 2019 
  5. a b «SBHC - Sociedade Brasileira de História da Ciência - Boletim - Boletim 5 - MAST: origens e atividades». www.sbhc.org.br. Consultado em 6 de junho de 2019 
  6. «Reserva Técnica». MAST. 3 de julho de 2018. Consultado em 5 de junho de 2019 
  7. «As Estações do Ano: Terra em Movimento». MAST. 10 de julho de 2018. Consultado em 5 de junho de 2019 
  8. «Fim de semana no Museu de Astronomia tem atividades gratuitas». boadiversao.com.br. Consultado em 5 de junho de 2019 
  9. «Olhar o Céu, Medir a Terra». MAST. 10 de julho de 2018. Consultado em 5 de junho de 2019 
  10. «Exposição explica relatividade e aventura para ver eclipse em Sobral». ISTOÉ Independente. 29 de maio de 2019. Consultado em 5 de junho de 2019 
  11. «O Eclipse: Einstein, Sobral e o GPS». MAST. 8 de maio de 2019. Consultado em 5 de junho de 2019 
  12. «Anna Bella Geiger: Uma Visão Lunar». MAST. 4 de julho de 2019. Consultado em 22 de julho de 2019 
  13. Julia (19 de julho de 2019). «Anna Bella Geiger: Uma Visão Lunar». Arte Que Acontece. Consultado em 22 de julho de 2019 
  14. «Lua Nova: 50 Anos de Uma Jornada Lunar». MAST. 12 de julho de 2019. Consultado em 22 de julho de 2019 
  15. «Museu de Astronomia e Ciências Afins, em São Cristóvão, ganha centro de visitantes interativo». O Globo. 31 de maio de 2019. Consultado em 5 de junho de 2019 
  16. «Visitas». MAST. 11 de junho de 2018. Consultado em 5 de junho de 2019 
  17. a b Bessa, Simone. «Museu de Astronomia e Ciências Afins - MAST». MUSEUS DO RIO.COM.BR. Consultado em 5 de junho de 2019 
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  22. «Museu de Astronomia disponibiliza acervo com 2 mil livros». Governo do Brasil. Consultado em 5 de junho de 2019 
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