Nord Stream

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Localização do gasoduto Nord Stream 1

Nord Stream é uma série de gasodutos para transporte de gás natural através do Mar Báltico. Atualmente existem 2 gasodutos: o Nord Stream 1 e o Nord Stream 2. Os gasodutos já foram denominados, anteriormente, de North Transgas e Gasoduto europeu do Norte; também conhecido como Gasoduto Russo-Alemão, Gasoduto do Mar Báltico, em russo: Северный поток (Severnyy potok), em alemão: Nordeuropäische Gasleitung. Da Alemanha, grande parte do gás é redistribuído para outros países da Europa. O projeto, desde sempre, está em meio a uma polêmica que envolve as relações de dependência da Europa Centro-Ocidental com a Rússia.[1]

O projeto[editar | editar código-fonte]

O projeto do gasoduto inclui dois ramais paralelos, cada um com 1.224 km de comprimento, 1.220 mm de diâmetro, 22 MPa (220 bar) de pressão e 55 billhões de metros cúbicos anuais de capacidade.[1][2]

A DW reportou em fevereiro de 2022 que "as duas instalações enviariam 110 bilhões de metros cúbicos de gás natural anualmente à Alemanha".[1]

O consórcio encarregado de construir e operar os Streams é o Nord Stream AG.[1]

Nord Stream 1[editar | editar código-fonte]

Ligando Vyborg, Rússia, e Greifswald, Alemanha, o primeiro ramal começou a ser construído em abril de 2010, tendo ficado pronto em junho de 2011 e sido inaugurado em 8 de novembro de 2011 pela chanceler alemã Angela Merkel e o presidente russo Dmitri Medvedev.

Em 2021, segundo informações no portal do Nord Stream 1, 59,2 bilhões de metros cúbicos de gás natural haviam sido transportados para consumidores na Europa, a marca mais alta desde o início das operações.[2]

Nord Stream 2[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Nord Stream 2

Conectando Ust-Luga, Rússia, a Greifswald, Alemanha, o segundo ramal estava projetado para começar a ser construído em maio de 2011, com o funcionamento previsto para finais de 2012, no entanto, só saiu do papel 10 anos depois, devido à controvérsia sobre a dependência da Europa do gás da Rússia. Assim, a construção só foi iniciada em maio de 2018 e concluída em setembro de 2021 e o funcionamento está previsto para iniciar em meados de 2022.[1][3]

A obra, que custou 9,5 bilhões de euros, pertence à estatal russa Gazprom e foi construída com o apoio de cinco empresas europeias de energia: OMV da Áustria, a anglo-holandesa Shell, Engie, da França, e as alemãs Uniper e Winterhall — esta última uma filial da multinacional Basf.[1]

Em 22 de fevereiro, um dia depois de Putin ter anunciado que reconhecia a independência das cidades separatistas Donetsk e Luhansk e de permitir que tropas russas invadissem a região, o chanceler alemão Olaf Scholz cancelou provisoriamente a certificação e inauguração do gasoduto. [4] [5]

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Gráfico mostra dependência dos países europeus do gás russo (em fev 2022)

O Nord Stream é objeto de controvérsia política e ambiental e de problemas de segurança em países como Suécia, Polónia e os Estados do Báltico que oferecem alternativas terrestres. Desde sempre, vários países, incluindo os Estados Unidos, pressionam para que a Alemanha e outros países europeus busquem saídas para não dependerem do Nord Stream. Havia e há o temor de que o governo russo possa usar o fornecimento de gás como "ferramenta de persuasão e pressão em disputas com o Ocidente", reportou a DW em fevereiro de 2022.[1][3]

As tensões aumentaram com o início da construção do Stream 2 e o presidente Donald Trump chegou, em 2018, a anunciar sanções a todo indivíduo ou entidade envolvida no projeto, o que fez com que cerca de 18 empresas europeias, incluindo a alemã Wintershall, desistissem de patrocinar a construção da nova linha.[1][3]

O papel da Alemanha[editar | editar código-fonte]

A Alemanha, a maior economia europeia, tem grande dependência da importações de gás natural e, de acordo com dados recentes (ver gráfico), mais da metade do gás usado no país vem da Rússia. A situação piorou nos anos 2010-2020, quando a Europa Centro-Ocidental começou projetos de transição energética, que exigem a parada do uso do carvão e da energia nuclear. "A necessidade de gás natural se tornou mais aguda com o fechamento de três das últimas seis usinas nucleares na Alemanha, em 31 de dezembro de 2021. As três unidades restantes serão fechadas em dezembro deste ano [2022]", reportou a DW.[1][3]

Além disto, a distribuição de gás a outros países europeus também tem papel econômico, já que a Alemanha revende parte do gás importando para outros países do Centro-Oeste do continente, como Áustria e Itália.[1][3]

O papel da Polônia e da Ucrânia[editar | editar código-fonte]

Nota: leia o artigo Disputa comercial pelo gás natural entre Rússia e Ucrânia

A Polônia e a Ucrânia são dois países que também pretendem usar o produto russo economicamente, já que ambos recebem taxas do governo russo para servirem como países de trânsito do gás do leste para o oeste da Europa. A Ucrânia, inclusive, tem até agora [fevereiro de 2022] papel relevante como passagem de grande parte do gás natural para a Europa Ocidental.[1][3]

Em fevereiro de 2022, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, citou o Stream 2 como parte do problema entre as tensões Rússia-Ucrânia que haviam iniciado no final de 2021. Após um encontro com o chanceler alemão Olaf Scholz em 14 de fevereiro, ele disse que "a Ucrânia precisa de garantias de segurança energética devido aos riscos relacionados ao Nord Stream 2".[6][7]

Posição da União Europeia[editar | editar código-fonte]

A União Europeia não apoiou a criação do Stream 2, anunciando num comunicado de 2017 que ele não contribuía com os objetivos relacionados à energia do bloco. A Comissão Europeia acrescentou que o gasoduto "não deve ser explorado num vazio legal ou exclusivamente ao abrigo da lei de um país terceiro", demonstrando preocupação com o poder de um único fornecedor, a Rússia, bem com com o poder da Alemanha como único revendedor, criticando o projeto como "exclusivamente nas mãos dos alemães".[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f g h i j k «Nord Stream 2 e a luta pelo poder entre Ocidente e Rússia – DW – 06/02/2022». dw.com. Consultado em 15 de fevereiro de 2022 
  2. a b AG, Nord Stream. «"The Nord Stream Pipeline Transported a Volume of 59.2 Billion Cubic Metres of Natural Gas in 2021" - Press Releases». Nord Stream AG (em inglês). Consultado em 15 de fevereiro de 2022 
  3. a b c d e f g Zimmermann, Sebastian (24 de janeiro de 2022). «Nord Stream 2: um gasoduto geopoliticamente controverso». euronews. Consultado em 15 de fevereiro de 2022 
  4. «Bruch des Völkerrechts – Deutschland an der Seite der Ukraine | Bundesregierung». Webseite der Bundesregierung | Startseite (em alemão). Consultado em 23 de fevereiro de 2022 
  5. «Alemanha suspende certificação do Nord Stream 2». euronews. 22 de fevereiro de 2022. Consultado em 23 de fevereiro de 2022 
  6. «President after the meeting with German Chancellor: Ukraine needs energy security guarantees due to the Nord Stream 2 related risks». Official website of the President of Ukraine (em inglês). Consultado em 15 de fevereiro de 2022 
  7. «Nord Stream 2, o gasoduto da discórdia». ISTOÉ DINHEIRO. 28 de janeiro de 2022. Consultado em 15 de fevereiro de 2022 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]