Norsk Hydro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Norsk Hydro
Norsk Hydro.svg
Atividade Alumínio
Energia
Fundação 1905
Sede Oslo,  Noruega
Website oficial www.hydro.com

Norsk Hydro ASA (muitas vezes referida apenas como Hydro ) é uma multinacional norueguesa com sede em Oslo, que tem na produção de alumínio o seu principal negócio. A empresa possui e opera vários negócios ao redor do mundo, investindo em indústrias sustentáveis. Está presente em uma ampla gama de segmentos do mercado de alumínio, energia, reciclagem de metais, energias renováveis e baterias.

Desde 1905, a Hydro utiliza recursos naturais e os transforma em produtos e negócios. Hoje, mais de 30.000 pessoas trabalham na Hydro, em mais de 140 unidades, em 40 países. Hilde Merete Aasheim é a CEO da empresa desde maio de 2019.[1]

Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a Hydro opera em 11 unidades. Em 2010, a empresa comprou os ativos referentes à produção de bauxita, alumina e alumínio da Vale S.A., antiga Vale do Rio Doce. Essas operações estão localizadas no estado do Pará, na região norte do país.[2]

A mineração ocorre no município de Paragominas e há também uma refinaria de alumina no município de Barcarena, onde também está localizada a fábrica de alumínio primário Albras, uma join-venture entre Hydro e o consórcio japonês NAAC – Nippon Amazon Aluminium Co. Ltd.

Paragominas[editar | editar código-fonte]

A Hydro lavra bauxita de sua própria jazida, localizada a aproximadamente 70 km do município de Paragominas, no nordeste do Pará. A bauxita lavrada é triturada e transportada através de um duto de 244 quilômetros até a cidade de Barcarena, onde é refinada e transformada em alumina pela Hydro Alunorte e, a seguir, é destinada à Albras e a outros produtores de alumínio primário no Brasil e em outras partes do mundo. As atividades de lavra em Paragominas começaram em 2007.

O rejeito gerado a partir da lavra da bauxita é armazenado em dois sistemas: o Vale e o Platô. Em Paragominas, a Hydro utiliza a metodologia “Tailing Dry Backfill”. O sistema visa eliminar o uso de grandes barragens para armazenamento permanente de rejeitos de bauxita. Com essa metodologia, o rejeito de bauxita é retornado para a área após a lavra, integrando o processo de reabilitação e reduzindo o dano ambiental.

O rejeito é inerte, ou seja, não oferece potencial de contaminação ao solo e às águas subterrâneas, uma vez que possui características químicas e físicas similares ao minério retirado no processo de lavra. Isto permite seu retorno ao solo de origem.[3]

Barcarena[editar | editar código-fonte]

Nesta cidade, a Hydro possui duas plantas: a refinaria de alumina Hydro Alunorte e a produtora de alumínio primário, Albras. Desta última, a Hydro é a principal acionista, detentora de 51% das ações da joint venture. A outra acionista é a NAAC – Nippon Amazon Aluminium Co. Ltd., formada por um consórcio de empresas japonesas, consumidores e fabricantes de produtos de alumínio.

A Hydro Alunorte é a maior refinaria de alumina do mundo fora da China, com importante eficiência energética. A bauxita usada na produção de alumina, matéria-prima do alumínio, vem da Hydro Paragominas, através de um mineroduto, e da MRN, através do porto de Vila do Conde. Parte da alumina produzida é exportada e a outra parte é fornecida para a planta da Albras, que produz lingotes de alumínio.[4]

O processo de produção de alumina gera um resíduo que é lavado, filtrado e armazenado nos depósitos de resíduos sólidos da refinaria, onde a Alunorte utiliza uma metodologia para a disposição de resíduos, com ajuda de filtros prensa. Esses filtros geram um resíduo seco com 78% de teor de sólidos, que é empilhado e passa por um processo de compactação. Com a combinação dessas duas tecnologias (filtros prensa e compactação), o espaço necessário para armazenar os resíduos passa a ser menor quando comparado à tecnologia anterior de filtro tambor. O resíduo seco é armazenado no Depósito de Resíduos Sólidos (DRS).[5]

A refinaria conta também com um sistema de drenagem com canaletas que direcionam a água da chuva que cai sobre os Depósitos de Resíduos Sólidos para Estação de Tratamento de Efluentes Industriais (ETEI) da própria empresa, onde a água passa por tratamento antes do descarte.

Já a Albras produz alumínio de alta pureza, contribuindo para a verticalização da indústria de alumínio no Pará. Em 2020, por exemplo, a empresa destinou 84,7 mil toneladas de alumínio líquido para a Alubar, fabricante paraense de cabos elétricos de alumínio.

Além do metal líquido e dos lingotes de alumínio, a Albras também produz outros tipos de lingotes e barramentos. A Primary Foundry Alloy (PFA) ou Liga de Alumínio Primário é um produto criado, por exemplo, para atender à indústria automotiva e desenvolvido a partir do metal primário, com adição de quatro elementos: silício, magnésio, estrôncio e titânio. [6]

Itu[editar | editar código-fonte]

Em Itu, cidade do interior de São Paulo, a Hydro tem uma planta de extrusão especializada na fabricação de perfis de alumínio, tubos de alta precisão e de múltiplas cavidades, além de perfis gerais para o mercado automotivo, construção civil e industrial.[7]

Também há uma unidade de refusão no local, que produz tarugos de alumínio a partir de metal primário ou sucata. Seus processos de fabricação agregam serviços de corte, usinagem ou pintura aos perfis de alumínio.[8]

Utinga[editar | editar código-fonte]

Localizada no importante pólo industrial do estado de São Paulo, a planta de extrusão da Hydro de Utinga é especializada na fabricação de perfis de alumínio voltados para o mercado industrial, especialmente para o setor automotivo. A unidade foi fundada em 1943.[9]

Tubarão[editar | editar código-fonte]

Neste município de Santa Catarina, a empresa possui uma planta de extrusão especializada na fabricação de perfis de alumínio voltado para a construção civil. Na unidade, também funciona a ferramentaria geral da empresa, uma unidade de anodização com diversas cores, além do acabamento superficial polido para perfis de alumínio.

No local, a empresa também mantém uma reserva ambiental de 39 hectares, localizada a 3 quilômetros da planta, que possui 85% de floresta nativa. Nela, vivem 176 espécies botânicas. [10]

Reserva Ambiental em Tubarão (SC)[editar | editar código-fonte]

Com 39 hectares, a reserva conta com 85% de floresta nativa e é o berço de 176 espécies botânicas diferentes. [11]

Belém[editar | editar código-fonte]

A Hydro mantém um escritório em Belém, capital do estado do Pará. O escritório reúne empregados de diversas áreas, como Compliance, Pesquisa Mineral, Suprimentos, Jurídico, Tecnologia da Informação, Centro de Competências de RH (CCRH), Comunicação, Relações Governamentais, Centro de Competência Contábil (ACC), Saúde, Segurança e Meio Ambiente (HSE), Responsabilidade Social Corporativa (CSR), entre outras, responsáveis pela área de negócios de Bauxita & Alumina e Energia. [12]

O prédio, chamado Torre Infinito, em homenagem ao alumínio produzido no Estado, foi o primeiro prédio comercial do Pará a receber certificação LEED, assegurando a construção a partir de práticas ambientalmente sustentáveis.[13]

Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

Na capital carioca, a empresa possui dois escritórios, sendo um deles comercial. O principal, localizado no bairro de Botafogo, reúne profissionais das seguintes áreas: Jurídico, Recursos Humanos, Comunicação, Tecnologia da Informação, Suprimentos Estratégicos, Financeiro e Comercial. Já o escritório comercial, fica no bairro da Barra da Tijuca e é voltado para o atendimento do mercado de construção civil.[14]

Questões ambientais[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 2018, a Hydro foi forçada a cortar a produção de alumínio em 50% em sua fábrica localizada no Pará, Brasil (operada pela joint venture Albras). Isso se seguiu após alegações afirmando que água não tratada e contaminada havia sido liberada para o meio-ambiente, resultando em poluição da água. Uma equipe de pesquisadores locais encontrou um tubo de esgoto clandestino e níveis de alumínio altamente elevados em sua proximidade. Outras substâncias como nitrato, sulfato, cloreto e chumbo também foram encontradas em concentrações anormalmente altas.[15] Desde então, a Hydro alegou que, apesar de alguns vazamentos não autorizados terem acontecido,[16] seus relatórios independentes e independentes não mostraram poluição ambiental do rio, mas apenas uma pequena mudança no pH.[17]

Após negar irregularidades, a Hydro admitiu, em nota, a existência de um canal clandestino para lançar rejeitos em nascentes amazônicas, a tubulação encontrada por pesquisadores fazia o lançamento de efluentes não tratados em um conjunto de nascentes do rio Muripi, segundo um laudo divulgado pelo Instituto Evandro Chagas, do Ministério da Saúde. A nota da empresa dizia:[18]

Durante uma das vistorias, verificou-se a existência de uma tubulação com pequena vazão de água de coloração avermelhada na área da refinaria", afirma a empresa. "Conforme solicitado pelas autoridades, a empresa está fazendo as investigações necessárias para identificar a origem e natureza do material, bem como realizando a imediata vedação desta tubulação.

Em 16 de janeiro de 2019 a Norsk Hydro recebeu aval de autoridades ambientais no Brasil para retomar operações da Alunorte, porém sem operar com capacidade total devido a embargo na Justiça.[19]

Em 19 de março de 2019, o MPF presentou à empresa a proposta de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), por causa do descumprimento da legislação e do desrespeito a direitos de quilombolas, entre eles os do Território Quilombola do Jambaçu, que reúne 15 comunidades, em Moju, nordeste do estado.[20]

Depósitos de Resíduos Sólidos (DRS)[editar | editar código-fonte]

A refinaria de alumina Alunorte, em Barcarena, no Pará, utiliza uma metodologia para a disposição de resíduos, com a ajuda de 8 filtros prensa. Os filtros geram um resíduo seco com 78% de teor de sólidos. Esse material é empilhado a seco e passa por um processo de compactação.[21]

Além disso, a refinaria de alumina investe na gestão de efluentes e monitora os DRSs (Depósitos de Resíduos Sólidos), utilizando instrumentos geotécnicos para avaliar a segurança e a estabilidade operacional.

Os filtros prensa usados na Alunorte são usados para reduzir a umidade do resíduo de bauxita, o que possibilita o empilhamento a seco e depois a compactação no depósito. O processo reduz ainda a concentração de soda cáustica no resíduo.

A combinação dessas duas tecnologias (filtros de prensa e compactação) resulta em uma redução quatro vezes menor no espaço necessário para armazenar os resíduos, quando comparado à tecnologia anterior de filtro de tambor.

As bacias e os depósitos são cobertos com uma geomembrana que impede a contaminação do solo e das águas subterrâneas. Os sistemas foram avaliados por professores da Universidade Federal de Campina Grande, reconhecidos como especialistas na área de engenharia química.[22]

Monitoramento do DRS1[editar | editar código-fonte]

Atualmente, o DRS 1 recebe apenas resíduos dos filtros prensa e conta com sistema de drenagem superficial para reforçar a segurança, como vertedouros, canais de contorno e bacias de clarificação de água. O monitoramento desse depósito é feito por meio de inspeções, com a verificação da crista e das encostas dos diques, geomembrana e instrumentação, que incluem indicadores de nível de água e benchmarks.

Levantamentos a laser também são realizados, assim como análises computacionais para o cálculo da estabilidade do depósito.[23]

Monitoramento do DRS2[editar | editar código-fonte]

O monitoramento do DRS2 inclui indicadores de nível de água, piezômetros de tubo vertical e de arame, inclinômetros e marcos superficiais. Outros controles incluem o analisador de umidade, controle geométrico e teste de hilf (para controle de compactação).[24]

Barragens[editar | editar código-fonte]

Para armazenar os rejeitos, a Mineração Paragominas, localizada em Barcarena, no Pará, possui duas instalações: o Sistema de Barragens do Vale e o Sistema do Platô (RP1), que estão na região do entorno da mina.[25]

Sistema de Barragens do Vale[editar | editar código-fonte]

É composto pelas barragens B1, B5 e B6. Apenas a primeira delas é destinada aos rejeitos do beneficiamento de bauxita, com capacidade de armazenamento de mais de 50 milhões de metros cúbicos. A barragem B5 foi projetada para proteger as nascentes, enquanto a B6 é usada para a clarificação e armazenamento da água que é bombeada para reutilização na planta de beneficiamento.[26]

Sistema de Disposição de Rejeitos do Platô (RP1)[editar | editar código-fonte]

Construído sobre antiga área de lavra de bauxita, o Sistema do Platô (RP1) iniciou a operação no final de 2017 e tem capacidade de armazenamento de aproximadamente 11 milhões de metros cúbicos de rejeitos. O sistema é subdividido em quatro reservatórios de rejeitos e oito reservatórios de água (bacias de clarificação), visando maior aproveitamento deste recurso para reutilização no processo produtivo.

No Sistema do Platô, os quatro reservatórios são utilizados alternadamente para disposição dos rejeitos, permitindo que ocorra a secagem e a compactação das camadas depositadas. Essa metodologia aumenta a segurança e a estabilidade das estruturas.[27]

Talling Dry Backfill[editar | editar código-fonte]

Trata-se de uma metodologia utilizada na Mineração Paragominas, que permite que, em vez de serem depositados em barragens permanentes

de armazenamento, os rejeitos de bauxita sejam devolvidos às áreas mineradas, antes de elas serem reabilitadas e reflorestadas. Isso elimina a necessidade de construção de novas barragens permanentes de rejeitos, ou mesmo a necessidade de adicionar camadas às estruturas existentes, e proporciona significativa redução do impacto ambiental da mineração de bauxita e mais segurança operacional.[28]

Referências

  1. «Svein Richard Brandtzæg - Hydro Internet». Web.archive.org. 15 April 2008. Consultado em 24 June 2019  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  2. «Norsk Hydro tem lucro no 1º tri quatro vezes maior que em 2021». Valor Econômico. Consultado em 22 de agosto de 2022 
  3. «Hydro Paragominas». www.hydro.com. Consultado em 7 de fevereiro de 2017 
  4. «Barcarena». www.hydro.com. Consultado em 20 de junho de 2022 
  5. «Alunorte». www.hydro.com. Consultado em 20 de junho de 2022 
  6. «Albras». www.hydro.com. Consultado em 20 de junho de 2022 
  7. Itu.com.br. «Hydro mantém fábrica em Itu». Itu.com.br. Consultado em 10 de agosto de 2022 
  8. «Hydro Extrusions Itu». www.hydro.com. Consultado em 10 de agosto de 2022 
  9. «Hydro Extrusions Utinga». www.hydro.com. Consultado em 10 de agosto de 2022 
  10. «Hydro Extrusions Tubarão». www.hydro.com. Consultado em 10 de agosto de 2022 
  11. «Hydro Extrusions Tubarão». www.hydro.com. Consultado em 11 de agosto de 2022 
  12. «Hydro abre escritório definitivo em Belém». www.hydro.com. Consultado em 11 de agosto de 2022 
  13. «Escritório de Belém». www.hydro.com. Consultado em 11 de agosto de 2022 
  14. «Rio de Janeiro». www.hydro.com. Consultado em 11 de agosto de 2022 
  15. Phillips, Dom (16 de março de 2018). «Pollution, illness, threats and murder: is this Amazon factory the link?». The Guardian (em inglês). Consultado em 24 de maio de 2018 
  16. «Norway's Hydro says Brazil plant made unauthorized spills». Reuters.com (em inglês). Consultado em 24 de maio de 2018 
  17. «Norsk Hydro Internal Task Force – Executive summary» (PDF). Hydro.com. Consultado em 25 de maio de 2018 
  18. Ricardo Senra, Mineradora norueguesa tinha 'duto clandestino' para lançar rejeitos em nascentes amazônicas, BBC Brasil, 23 fevereiro 2018
  19. Refinaria Hydro Alunorte é autorizada pela a retomar operações, 16/1/2019, InfoMoney/Estadão
  20. Mineroduto de bauxita que atravessa cidades do PA está com licença vencida, diz MPF; Hydro diz que já solicitou renovação, G1, 19/03/2019
  21. «Depósitos de Resíduos Sólidos». www.hydro.com. Consultado em 16 de novembro de 2022 
  22. «Relatório elaborado por professores da UFCG demonstra que não ocorreu transbordamento na Alunorte». notícias. Consultado em 16 de novembro de 2022 
  23. «Depósitos de Resíduos Sólidos». www.hydro.com. Consultado em 16 de novembro de 2022 
  24. «Depósitos de Resíduos Sólidos». www.hydro.com (em inglês). Consultado em 16 de novembro de 2022 
  25. «Barragens». www.hydro.com. Consultado em 16 de novembro de 2022 
  26. «Barragens». www.hydro.com. Consultado em 16 de novembro de 2022 
  27. «Barragens». www.hydro.com. Consultado em 16 de novembro de 2022 
  28. «Hydro replaced tailings dam with dry backfilling technology of bauxite tailings._SMM | Shanghai Non ferrous Metals». news.metal.com. Consultado em 16 de novembro de 2022 

Ligações[editar | editar código-fonte]