Operação Cactus

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Golpe de Estado nas Maldivas em 1988
Parte da(o) Guerra civil do Sri Lanka e intervenção indiana na guerra civil do Sri Lanka
IAF IL-76 Hawaii.JPG
Um avião de transporte Ilyushin Il-76 da Força Aérea Indiana utilizado para o transporte de paraquedistas indianos para Male.
Data 3 de Novembro de 1988
Local Maldivas, Oceano Índico
Desfecho Vitória decisiva maldiva / indiana
Governo restaurado em Maldivas
Combatentes
Índia Índia
Maldivas Maldivas
Bandera del PLOTE (Tàmils).svg Organização Popular de Libertação de Tamil Eelam
Maldivas rebeldes de Maldivas
Líderes e comandantes
Índia Presidente Ramaswamy Venkataraman
Índia Primeiro-Ministro Rajiv Gandhi
MaldivasPresidente Maumoon Abdul Gayoom
MaldivasMinistro da Defesa Ilyas Ibrahim
Índia Brigadeiro Farouk Bulsara
Índia Coronel Subhash Joshi
MaldivasMajor Ambaree Abdul Sattar
MaldivasMajor Mohamed Zahir
MaldivasMajor Adam Zahir
Maldivas Tenente Moosa Ali Jaleel
Bandera del PLOTE (Tàmils).svg Uma Maheswaran
Bandera del PLOTE (Tàmils).svgWasanti 
MaldivasAbdullah Luthufi
MaldivasSagaru Ahmed Nasir
MaldivasAhmed Ismail Manik Sikka
Forças
1600 paraquedistas 80–200 guerrilheiros

O golpe de Estado nas Maldivas em 1988, cuja intervenção pelas forças armadas da Índia receberia o codinome de Operação Cactus, foi a tentativa de um grupo de maldivianos liderados por Abdullah Luthufi e apoiados por mercenários armados de uma organização separatista tâmil do Sri Lanka - a Organização Popular de Libertação de Tamil Eelam (PLOTE) - de derrubar o governo na república ilha das Maldivas. O golpe de Estado fracassou devido à intervenção do exército indiano.[1][2]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A pequena nação insular das Maldivas passou para uma forma de governo republicano de tipo presidencial em 1968, abandonando o tradicional sultanato; em novembro de 1978 Maumoon Abdul Gayoom foi eleito como o segundo presidente da história das Maldivas: durante a sua presidência, que perdurou com sucessivas eleições até 2008, Gayoom foi acusado de exercer um poder totalitário, controlando rigorosamente os meios de comunicação e aprisionando seus adversários políticos. [3] Durante seu mandato, Gayoom denunciou três tentativas de golpe.[1] Em maio de 1980, o presidente fez alegações detalhadas sobre uma fracassada tentativa de golpe promovida por seu antecessor na presidência, Ibrahim Nasir, naquela época no exílio em Singapura;[4] Nasir seria mais tarde condenado à revelia por um tribunal das Maldivas, em 1981. A segunda tentativa de golpe, também fracassada, foi denunciada por Gayoom em 1983.[4]

Durante a terceira tentativa de golpe em novembro de 1988, cerca de 80-200 mercenários armados da PLOTE[2] desembarcaram na capital Malé antes do amanhecer a bordo de lanchas de um cargueiro.[5] Disfarçados como visitantes, um número similar já havia se infiltrado em Malé anteriormente. Os mercenários rapidamente ganharam o controle da capital, incluindo os principais edifícios do governo, aeroporto, porto, estações de televisão e rádio.[1] No entanto, eles não conseguiram capturar o presidente Gayoom, que fugiu de casa em casa e pediu a intervenção militar da Índia, Estados Unidos e Reino Unido. O primeiro-ministro indiano Rajiv Gandhi imediatamente despachou 1.600 soldados por via aérea para restaurar a ordem em Malé. [6]

Operação Cactus[editar | editar código-fonte]

A operação começou na noite de 3 de novembro de 1988, quando aeronaves Ilyushin Il-76 da Força Aérea Indiana transportaram elementos da 50ª Brigada de Paraquedistas Independente, comandada por Brig Farukh Bulsara, do 6º Batalhão do Regimento de Paraquedistas, e do 17º Campo de Regimento de Paraquedistas da Estação da Força Aérea de Agra e os levaram sem escala a mais de 2.000 quilômetros (1.240 milhas) para desembarcá-los sobre o Aeroporto Internacional de Malé na Ilha Hulhulé. Os paraquedistas do exército indiano chegaram em Hulhulé em nove horas após o apelo do presidente Gayoom. [6][7]

Os paraquedistas indianos imediatamente asseguraram o aeródromo, atravessaram para Male usando barcos requisitados e resgataram o presidente Gayoom. Os paraquedistas restauraram o controle da capital para o governo do presidente Gayoom dentro de horas. Alguns dos mercenários fugiram para o Sri Lanka em um cargueiro sequestrado. Aqueles que não puderam chegar ao navio a tempo foram rapidamente cercados e entregues ao governo das Maldivas. Dezenove pessoas teriam morrido nos combates, a maioria mercenários. Entre os mortos estavam dois reféns mortos pelos mercenários. As fragatas da marinha indiana Godavari e Betwa interceptaram o cargueiro ao largo da costa do Sri Lanka, e capturaram os mercenários. A rápida e precisa operação pela informação da inteligência militar reprimiu com êxito a tentativa de golpe de Estado na nação insular.

Consequências[editar | editar código-fonte]

A Índia recebeu elogios internacionais pela operação. O presidente estadunidense Ronald Reagan expressou seu apreço pela ação da Índia, chamando-a de "um valioso contributo para a estabilidade regional". Margaret Thatcher teria comentado: "Graças a Deus pela Índia: o governo do presidente Gayoom foi salvo". Mas a intervenção, no entanto, causaria alguma inquietação entre os vizinhos da Índia no Sul da Ásia. [2]

Em julho de 1989, a Índia repatriou os mercenários capturados a bordo do cargueiro sequestrado para as Maldivas para serem julgados. O presidente Gayoom comutou as condenações à morte proferidas contra eles à prisão perpétua sob pressão indiana. [4]

O golpe de Estado de 1988 havia sido dirigido por um importante empresário das Maldivas chamado Abdullah Luthufi, que estava agindo de uma fazenda no Sri Lanka. O ex-presidente das Maldivas Ibrahim Nasir foi acusado, mas negou qualquer envolvimento no golpe de Estado. De fato, em julho de 1990, o presidente Gayoom perdoou oficialmente Nasir à revelia, em reconhecimento ao seu papel na obtenção da independência das Maldivas.

As tropas indianas ficariam estacionadas nas Maldivas por um ano após o golpe fracassado, como uma força de proteção e para manter a ordem; os últimos contingentes foram retirados em setembro de 1989.[4] A Operação Cactus reforçou as boas relações entre Nova Déli e Malé, que se tornaram ainda mais próximas; a ação foi também um modo, pela Índia, de se apresentar no papel de garantidor do status quo na região, bem como uma potência dominante na área.[8]

Referências

  1. a b c La India envía tropas para sofocar el golpe de Estado en las islas Maldivas, El País, 4 de novembro de 1988
  2. a b c David Brewster. «Operation Cactus: India's 1988 Intervention in the Maldives.» 
  3. (em inglês) «Protests in paradise: Repression in the Maldives». amnesty.org 
  4. a b c d (em inglês) «Madagascar Security Concerns». photius.com 
  5. Institute of Peace and Conflict Studies
  6. a b Chordia, AK (n.d.). «Operation Cactus». Bharat-Rakshak.com. Arquivado do original em 21 de setembro de 2009 
  7. Kapoor, Subodh (1 de julho de 2002). The Indian Encyclopaedia. [S.l.]: Cosmo Publications. pp. 5310–11. ISBN 978-81-7755-257-7 
  8. (em inglês) «India - Maldives». Library of Congress Country Studies