Osmunda regalis

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaOsmunda regalis
feto-real
OsmundaRegalis.jpg
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Pteridophyta
Classe: Pteridopsida
Ordem: Osmundales
Família: Osmundaceae
Género: Osmunda
Espécie: O. regalis
Nome binomial
'Osmunda regalis
L.

Osmunda regalis e uma planta de larga distribuição, na Europa Ocidental, na América, na África e na Ásia. Aparece em todas as ilhas dos Açores onde é conhecida também por feto-real. Surge também na ilha da Madeira. É uma espécie botânica pertencente à família de fetos Osmundaceae.[1][2]

Nomes comuns[editar | editar código-fonte]

Dá pelos nomes comuns de Afentos, Fento-real[3], Fento-de-flor[4], Feto-real.[5][6]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome do táxon Osmunda deriva do vocábulo Osmunder, nome saxão do deus Thor.[7]

O término latino regalis significa «real». [8]

Quanto ao nome comum «feto-real», por seu turno, resulta de este ser o feto de maiores dimensões, dentre os fetos europeus.[9]

Descrição[editar | editar código-fonte]

É uma planta caducifólia herbácea, do tipo fisionómico hemicriptófito[5]. Tem um rizoma grosso, coberto pelos restos dos pecíolos[10].

Produz separadamente dois tipos de frondas fascículadas de crescimento anual, heteromorfas: as fertéis e as estéreis. As estéreis atingem até 60 a 160 centímetros de altura e entre 30 a 40 cm de largura. As frondas férteis são erectas e mais curtas, medindo entre 20 a 50 cm de altura.[11]

Conta com esporângios dispostos em forma de panícula na parte superior das frondes, subglobosos, curtamente pediculados.[12][11]

A folhagem adquire um tom vermelho acastanhado no Outono.[2]

Variedades[editar | editar código-fonte]

Closeup of sterile frond
  • Osmunda regalis var. regalis. Europa, África, sudoeste de Asia. Frondas estéreis de 1,6 m de altura[13][14]
  • Osmunda regalis var. panigrahiana R.D.Dixit. Sur de Asia (India).[13][14]
  • Osmunda regalis var. brasiliensis (Hook. & Grev.) Pic.Serm. Regiões tropicais do Centro e Sul do continente América; tratada como sinónimo de la var. spectabilis por alguns autores.[13][14]
  • Osmunda regalis var. spectabilis (Willd.) A.Gray; este do Norte da América. Frondas estéreis de 1 m de altura.[13][14]

Distribuição[editar | editar código-fonte]

É uma planta de cosmopolita[2], capaz de prosperar tanto em zonas tropicais como temperadas, pelo que conhece grande distribuição pelo mundo, com expressão na Europa Ocidental, na América, na África e na Ásia, excluindo-se, por conseguinte, a Austrália e as ilhas do Pacífico, de onde está ausente.[4]

Portugal[editar | editar código-fonte]

Na Córsega

Trata-se de uma espécie presente no território português, em Portugal Continental e nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

Mais concretamente, em Portugal continental, encontram-se maiores populações nas zonas do Noroeste, sendo certo que também algumas populações mais modestas dispersas pelas regiões do Centro e da Estremadura. Há uma população significativa no barlavento Algarvio, ao passo que o interior alentejano e o interior algarvio têm muito poucas comunidades desta espécie .[11][4]

Em termos de naturalidade é nativa da região atrás indicada.

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Rebentos de folhas novas

Trata-se de uma planta ripícola e higrófita, ou seja, privilegia as orlas dos cursos de água e o sotobosque de áreas ribeirinhas ou em barrocas.[4][6] Medra em zonas húmidas e umbrias, em solos tendencialmente mais ácidos.[6]

Cultivo[editar | editar código-fonte]

Planta

A Osmunda regalis é lautamente cultivada nas regiões temperadas.[2] As espécies[15] e o cultivar "cristata"[16] chegaram, inclusive, a ganhar o prémios da Royal Horticultural Society britânica.[17]

O feto-real deve ser plantado em solos húmidos com PH de teor ácido. Convivem bem com outras plantas higrófilas como a Rodgersia e a Gunnera.[18][2]

Usos[editar | editar código-fonte]

A raiz, na senda do que também acontece com as raizes das demais espécies do género Osmunda, são usadas para produzir "fibra de osmunda"[19], que por sua vez serve como suporte de crescimento de orquídeas e outras plantas epifíticas.[20]

Feto-real temperado é um prato tradicional da cozinha namul da corte real da Coreia. Os rebentos da planta são comestíveis, a par dos de outras variedades de fetos, ostentando um travo similar ao dos espargos.[21]

No folclore[editar | editar código-fonte]

Folhas do feto-real


A esta planta foram atribuidas propriedades mágicas em diferentes mitologias e folclores europeus, ao longo dos séculos.[21][22]

Folclore português[editar | editar código-fonte]

Na crença popular portuguesa sustentava-se que, na noite de S. João, pouco antes da meia-noite, o feto real brota uma flor vermelha e escura, que ilumina tudo o que estiver derredor. À meia noite, essa flor larga uma semente invisível, que confere uma infinidade de virtudes mágicas possíveis[22][23]:

  • Obter conhecimento a respeito do que quiser.
  • Obter força mágica, para derrotar demónios.
  • Obter uma espécie de magnetismo carismático, capaz de atrair as pessoas que se deseje ou de produzir encontros fortuitos com quem se queira, e de convencer a pessoa atraída a aceder às vontades do detentor da semente mágica.[22][23]

Mas a sua apanha é difícil e perigosa, porque há entidades maléficas (como sendo, o Diabo, bruxas ou almas penadas) que também desejam apanhar a semente encantada, pelo que é necessário vencê-las, para a obter.[22]

A tradição popular prescreve, para esse efeito, que é preciso, aquando da meia-noite, pôr-se sob o feto um lenço, guardanapo, pano ou toalha, para onde a semente invisível possa cair, sem se perder, visto que, se cair ao chão nunca mais se volta a encontrar. Para que o diabo não interfira com esta solução, a tradição popular aconselhava a que se desenhasse um signo saimão no chão, englobando o espaço ocupado pela planta e pelo aventureiro, porquanto o Diabo era incapaz de entrar nesse espaço.[23]

Mitologia Eslava[editar | editar código-fonte]

De acordo com a mitologia eslava, o feto-real, denominado "flores de Perun"[24], estavam imbuídas dos mais varriegados poderes mágicos, como sendo: dar ao seu detentor a força para derrotar demónios; concretizar desejos; desvendar segredos; permitir comunicar com as árvores e as plantas.[20]

Sem embargo, para que se pudesse colher as «flores de Perun» era necessário triunfar numa provação difícil e medonha. As tradições mais recuadas no tempo indicavam que a flor só poderia ser colhida por ocasião da noite de Kupala (coincidente com a véspera de S. João); ulteriormente, no rescaldo da cristianização dos povos eslavos, a data foi alterada por forma a coincidir com a Páscoa. [25]

O ritual de provação implicava desenhar um círculo de volta da planta e resistir ao assédio de demónios, que também cobiçavam a flor de Perun.[25]

Referências

  1. University), Izolda Matchutadze (Shota Rustaveli State (17 de fevereiro de 2013). «IUCN Red List of Threatened Species: Osmunda regalis». IUCN Red List of Threatened Species. Consultado em 27 de janeiro de 2021 
  2. a b c d e «Osmunda regalis | royal fern/RHS Gardening». www.rhs.org.uk (em inglês). Consultado em 27 de janeiro de 2021 
  3. S.A, Priberam Informática. «Consulte o significado / definição de fento no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, o dicionário online de português contemporâneo.». dicionario.priberam.org. Consultado em 27 de janeiro de 2021 
  4. a b c d «UTAD- Jardim Botânico -Osmunda Regalis». Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Consultado em 21 de janeiro de 2020 
  5. a b Castroviejo, S. (coord. gen.). 1986-2012. Flora iberica 255. Real Jardín Botánico, CSIC, Madrid.
  6. a b c «Flora-On | Flora de Portugal interactiva». flora-on.pt. Consultado em 14 de janeiro de 2021 
  7. Coombes, Allen J. (2012). The A to Z of plant names. USA: Timber Press. p. 312. ISBN 9781604691962 
  8. «Latin Dictionary». Consultado em 27 de janeiro de 2021 
  9. RHS A-Z encyclopedia of garden plants. United Kingdom: Dorling Kindersley. 2008. p. 1136. ISBN 978-1405332965 
  10. «Le zone umide della Toscana settentrionale». web.archive.org. 19 de agosto de 2009. Consultado em 27 de janeiro de 2021 
  11. a b c «Flora-On | Flora de Portugal interactiva». flora-on.pt. Consultado em 14 de janeiro de 2021 
  12. Castroviejo, S. (coord. gen.). 1986-2012. Flora iberica 255. Real Jardín Botánico, CSIC, Madrid.
  13. a b c d «Tropicos | Name - Osmunda regalis L.». legacy.tropicos.org. Consultado em 27 de janeiro de 2021 
  14. a b c d «Osmunda species of fern in the world». web.archive.org. 8 de setembro de 2009. Consultado em 27 de janeiro de 2021 
  15. «RHS Plant Selector - Osmunda regalis». Consultado em 16 de Janeiro de 2021 
  16. «RHS Plant Selector - Osmunda regalis 'Cristata'». Consultado em 16 de Janeiro de 2021 
  17. «AGM Plants - Ornamental» (PDF). Royal Horticultural Society. p. 70. Consultado em 14 de Abril de 2018 
  18. «Osmunda regalis». BBC Gardeners’ World Magazzine. Consultado em 14 de Setembro de 2019 
  19. «Osmunda fibre | plant anatomy». Encyclopedia Britannica (em inglês). Consultado em 27 de janeiro de 2021 
  20. a b Schönfelder, Peter (1988). Atlas der Farn- und Blütenpflanzen der Bundesrepublik Deutschland. Stuttgart: Eugen Ulmer. 768 páginas. ISBN 3-8001-3434-9 
  21. a b Metzgar, J.S. (2008). The paraphyly of Osmunda is confirmed by phylogenetic analyses of seven plastid loci. Oxford: Systematic Botany. pp. 31–36 
  22. a b c d Veiga de Oliveira, Ernesto (1984). Festividades cíclicas de Portugal, Cap. 11 «O São João em Portugal». Lisboa: Publicações Dom Quixote. 357 páginas. doi:10.4000/books.etnograficapress.5888 
  23. a b c VILHENA, M. Assunção (1995). Gentes da Beira Baixa. Castelo Branco: Colibri. p. 97 
  24. «Perun's flowers». TheFreeDictionary.com. Consultado em 27 de janeiro de 2021 
  25. a b «Oxford University Plants 400: Osmunda regalis». herbaria.plants.ox.ac.uk. Consultado em 27 de janeiro de 2021 
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