Palácio de Herodes (Jerusalém)

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Modelo do Palácio de Herodes em Jerusalém mostrando a Primeira Muralha e, da esquerda para a direita, suas três torres: Fasael, Hípico e Mariane.

O Palácio de Herodes em Jerusalém foi construído no último quarto do século I a.C. por Herodes, o Grande, o rei da Judeia entre 37 e 4 a.C. Era o segundo edifício mais importante em Jerusalém, depois apenas do próprio Templo, na época de Herodes e estava situado na muralha noroeste da Cidade Alta de Jerusalém (a colina ocidental abandonada depois que os babilônios saquearam a cidade). Era a principal residência de Herodes, mas não a única, pois ele possuía outros palácios-fortalezas, principalmente em Massada, no Herodium e em Cesareia Marítima. Nada resta do palácio em Jerusalém, exceto porções do complexo muralha-torre, já muito alterado e geralmente chamado de "A Cidadela" (vide Torre de David). O local onde hoje está o antigo palácio está hoje ocupado pelo Museu da Torre de David, um posto policial e uma antiga prisão/quartel turco conhecido como Kishle.

Localização e estruturas associadas[editar | editar código-fonte]

O palácio-fortaleza de Herodes em Jerusalém estava no canto noroeste da "Primeira Muralha", construída em algum momento entre 142 e 134 a.C. para proteger a região ocidental da cidade, que ele fortificou ao construir as torres de Hípico, Fasael e Mariane. Estava localizada do lado de dentro da muralha da cidade, imediatamente ao sul do que é o hoje conhecido como Portão de Jaffa e "A Cidadela". Das três torres, apenas os enormes restos da porção inferior da Torre Hípico (Hippicus) sobreviveu (algumas autoridades ainda acreditam que esta base pertencia à Torre Fasael e não à Hípico). Restos de duas torres hasmoneanas mais antigas foram encontradas no atual pátio da Cidadela, no local onde estavam Fasael e Mariane. Elas eram parte de um amurada hasmoneana que Herodes reforçou quando construiu seu palácio-fortaleza. Mais tarde, depois que o palácio já não existia mais, o local foi alterado e transformado numa fortaleza conhecida como "Cidadela" e que é geralmente conhecida pelo nome de sua mais conhecida estrutura – a Torre de David.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Assim como o Templo, o palácio de Herodes em Jerusalém foi construído numa plataforma elevada com cerca de 300 m (norte-sul) por 60 m (leste-oeste) assentada numa série de muros de reforço de 4 a 6 metros de altura a partir do nível da rua. Ele consistia de dois edifícios principais, cada um com seus próprios salões de banquete, banhos e acomodações para centenas de hóspedes. As duas alas foram batizadas em homenagem a Agripa e César. Jardins rodeados por pórticos estavam no centro dos palácios. Existiam ainda grutas, canais e lagos decorados com fontes de bronze. O pretório no palácio se transformou, depois da morte de Herodes, na residência oficial dos governadores romanos quando estavam em Jerusalém durante os grandes festivais judaicos. É provável que tenha sido ali o local onde Jesus foi julgado por Pôncio Pilatos.

Vista da Torre de David, construída sobre a base da Torre Hípico do Palácio de Herodes, e a "Cidadela", que está hoje sobre suas ruínas.

No lado norte do Palácio de Herodes, junto à muralha, estavam as três grandes torres que o protegiam:

  • A Torre Fasael era a maior e foi batizada em homenagem a Fasael, o irmão de Herodes, e tinha 45 metros de altura;
  • A Torre Hípico foi batizada em homenagem a um amigo de Herodes e tinha 40 metros de altura;
  • A Torre Mariane foi batizada em homenagem à Mariane, a segunda esposa de Herodes, que ele mandou matar. Segundo Josefo, "o rei considerava apropriado que uma torre batizada em homenagem a uma mulher deveria ultrapassar em decoração as que foram batizadas com nomes de homem". Ela tinha 23 metros de altura e, segundo os relatos, era a mais bela das três.

Destino do palácio[editar | editar código-fonte]

O procurador romano (prefeito antes de 41) passou a viver no Palácio de Herodes depois da criação da província da Judeia em 6 d.C. Em 66, o governador Géssio Floro organizou uma crucificação massiva de judeus, dando início à Primeira revolta judaica. Os rebeldes invadiram e incendiaram o palácio e apenas as três torres permaneceram parcialmente em pé. Quando o futuro imperador romano Tito destruiu a maior parte da cidade em 70, as poupou e armou o acampamento da Legio X Fretensis no local onde estava o palácio, cobrindo praticamente toda a colina ocidental. Uma das torres — a Torre Hípico reconstruída sobre sua base original — passou a ser conhecida como "Torre de David", pois, já durante o período bizantino, acreditava-se que a colina era o Monte Sião e os restos da torre seriam parte das ruínas do palácio de David. Evidências mostram que os cruzados fortificaram a torre e aumentaram a altura da muralha hasmoneana, que já tinha 5 metros de largura, e que os árabes, que conquistaram Jerusalém em 637, fizeram o mesmo no ano seguinte. Um quartel para soldados turcos foi construído Cidadela no século XIX e depois se transformou numa prisão, conhecida como Kishle, utilizada ininterruptamente pelos turcos (até 1917), britânicos (1920–1948) e jordanianos (1948–1967). O Museu da Torre de David, também na Cidadela, é hoje bastante popular, tendo recebido mais de 300 000 visitantes em 2010.

Escavações nos séculos XX e XXI[editar | editar código-fonte]

Na década de 70, escavações do lado de fora da muralha descobriram a saída de um duto de água do palácio. Este aqueduto transportava água do palácio até o Vale de Hinom. Até recentemente, nenhuma parte do palácio propriamente dito — com exceção do complexo formado pela muralha e as torres — havia sido encontrada. Em 2001, porém, escavações descobriram duas paredes do edifício, construídas com os facilmente reconhecíveis blocos gigantes de pedra talhada herodianos[1]. Porém, mesmo elas talvez não tenham sido parte do palácio em si, mas das paredes de suporte para a base, uma construção similar à que Herodes utilizou na base do Monte do Templo. Escavações realizadas por Ruth Amiran e Avraham Eitan revelaram ainda partes da superestrutura, incluindo algumas seções com reboco decorado.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Schaalje, Jacqueline (2001), “Israeli Archaeologists Discover Herod's Palace”, The Jewish Magazine (October 2001).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]