Pedro Almeida Vieira

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Pedro Almeida Vieira
Nascimento 17 de novembro de 1969 (49 anos)
Coimbra
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação Escritor, Jornalista
Principais trabalhos Nove Mil Passos; A Mão Esquerda de Deus; O Estrago da Nação", Portugal: O Vermelho e o Negro

Pedro Almeida Vieira (Coimbra, 17 de novembro de 1969) é um escritor e antigo jornalista português, tendo publicado romances, obras de divulgação histórica e ensaios na área ambiental.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em Coimbra (Beira Litoral), em 17 de Novembro de 1969, é licenciado em Engenharia Biofísica pela Universidade de Évora, em Economia e também em Gestão, ambas pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). Foi jornalista entre 1995 e 2012, tendo colaborado de forma regular nos jornais Expresso e Diário de Notícias, bem como nas revistas Forum Ambiente e Grande Reportagem, além de colaborações pontuais em outros órgãos de comunicação social. Em 2003 foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Ambiente «Fernando Pereira», pela Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente, pela sua contribuição, como jornalista, para as causas ambientais[1].

Em 2003 publicou um livro de ensaio de temática ambiental intitulado «O Estrago da Nação». Na ficção, o seu romance de estreia, «Nove Mil Passos», foi publicado em 2004 e aborda a construção do Aqueduto das Águas Livres na região de Lisboa, consolidando-se a partir daí como um dos mais reconhecidos romancista do género histórico do início do século XXI [2] [3] [4].

Em finais de 2005, publicou o seu segundo romance, «O Profeta do Castigo Divino», que tem como foco principal a vida do jesuíta Gabriel Malagrida e a ascensão política do Marquês de Pombal, desenrolando-se a trama no período imediatamente anterior ao terramoto de Lisboa de 1755.

Em 2006, publicou um livro de investigação sobre a floresta e os incêndios em Portugal, intitulado «Portugal: O Vermelho e o Negro», sendo considerado um dos especialistas portugueses neste sector[5] [6] [7].

Em 2009 regressou ao romance do género histórico, com «A Mão Esquerda de Deus» - obra finalista do Prémio Literário Casino da Póvoa [8] -, uma reconstrução da heterodoxa vida de Alonso Perez de Saavedra, pegando numa fábula sobre o falso núncio que criou a Inquisição lusitana, durante o reinado de D. João III de Portugal. Esta origem da Inquisição portuguesa foi considerada durante séculos como verídica, tendo sido defendida mesmo por Voltaire. Regressou em 2010 com o romance «Corja Maldita», relatando a expulsão dos jesuítas de Portugal, França e Espanha, e a sua extinção por Roma em 1773, mas subvertendo o género histórico.

Em 2011 e 2013 publicou um conjunto de dois crónicas em dois volumes sobre sobre crimes em Portugal até à abolição da pena de morte, sob os títulos "Crime e Castigo no País dos Brandos Costumes" e "Crime e Castigo - O Povo não é Sereno". Em 2012 regressou à temática ambiental com a publicação do ensaio «Resíduos: Uma Oportunidade».

Foi também o responsável pela redescoberta da obra de Guilherme Centazzi (1808-1875), médico natural de Faro, precursor do romance moderno português, com o romance «O Estudante de Coimbra». Originalmente publicado em 1840 e 1841, teve a incumbência de fazer a edição científica (fixação de texto e comentários), republicada em 2012[9], e que mereceu a Menção Honrosa do Prémio Grémio Literário de Lisboa[10].

Publicou ainda um conjunto de crónicas sobre o Brasil colonial, compiladas na obra «Assim se pariu o Brasil», com edição portuguesa em 2015 e edição brasileira (português do Brasil) em 2016[11].

Obras Publicadas[editar | editar código-fonte]

Ficção[editar | editar código-fonte]

  • 2004 - Nove Mil Passos
  • 2005 - O Profeta do Castigo Divino
  • 2009 - A Mão Esquerda de Deus
  • 2010 - Corja Maldita

Narrativas históricas[editar | editar código-fonte]

  • 2011 - Crime e Castigo no País dos Brandos Costumes
  • 2013 - Crime e Castigo - O Povo não é Sereno
  • 2015 - Assim se Pariu o Brasil

Contos[editar | editar código-fonte]

  • 2012 - Nas Trevas, o Amor (revista Egoísta)
  • 2013 - Em Dublin sem Joyce (antologia Contos Capitais)
  • 2016 - Traições em Noite Egípcia (revista Egoísta)

Edição científica[editar | editar código-fonte]

Ensaios de cariz ambiental[editar | editar código-fonte]

  • 1994 - Os Rios, a Vida e o Homem
  • 1997 - Eco-Grafia do País Real
  • 2003 - O Estrago da Nação
  • 2006 - Portugal: O Vermelho e o Negro
  • 2012 - Resíduos: Uma Oportunidade
  • 2015 - Portugal a Pedalar

Referências

  1. «Os brandos costumes de Pedro Almeida Vieira». Público. Consultado em 9 de agosto de 2019. Pedro Almeida Vieira (n. 1969), jornalista e engenheiro biofísico, é autor de dois livros de temática ambiental, "O Estrago da Nação" (2003) e "Portugal: O Vermelho e o Negro" (2006) - este último sobre a problemática dos incêndios no nosso país. Para além disso, é também um dos mais talentosos escritores de ficção da sua geração, autor de quatro romances em que o seu interesse pela História é evidente, "Nove Mil Passos" (2004), "O Profeta do Castigo Divino" (2005), "A Mão Esquerda de Deus" (2009) e "A Corja Maldita" (2010) 
  2. «A Literatura Portuguesa e a História». Revista Desassossego. Consultado em 10 de agosto de 2019. Na literatura portuguesa, em particular, esse diálogo foi bastante profícuo: pensamos, por exemplo, no mais canônico de seus textos, Os Lusíadas, no qual Camões mistura o histórico ao mítico costurados por sua linguagem poética. Já Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco, no século XIX, dedicam-se a recontar acontecimentos, numa ambientação que recupera aspectos de outrora, inserindo-se no nascente gênero do “romance histórico”, caminho que seria seguido por outras figuras essenciais para o contexto português ao longo dos séculos XX e XXI, como o laureado José Saramago e diversos nomes de relevo, entre eles Mário de Carvalho, Miguel Real e Pedro Almeida Vieira.) 
  3. «Caminhos do Romance Histórico Contemporâneo Português: Percorrendo Vereda». Miscelânea, Assis. Consultado em 10 de agosto de 2019. O padre Malagrida figura também como personagem de um notável romance, O profeta do castigo divino: A venturosa vida de Gabriel Malagrida, o jesuíta que tentou salvar Lisboa do terramoto de 1755 (2005), da autoria de Pedro Almeida Vieira, considerado por Miguel Real (2010) uma das grandes revelações do romance histórico contemporâneo português neste século) 
  4. «Bons jornalistas, óptimos romancistas». Expresso. Consultado em 10 de agosto de 2019. Lembro Pedro Almeida Vieira que publicou dois romances históricos, um sobre a construção do Aqueduto das Águas Livres (Nove Mil Passos) e outro, verdadeiramente notável, sobre a vida do jesuíta Gabriel Malagrida e a ascensão política do Marquês de Pombal (O Profeta do Castigo Divino)) 
  5. «"Portugal pior do que a Amazónia». Diário de Notícias. Consultado em 10 de agosto de 2019. "Estamos a perder a guerra mas continuamos a cultivar heróis e a fechar os olhos à dimensão real do problema", afirmou ao DN Pedro Almeida Vieira, um investigador na área dos incêndios florestais.) 
  6. ««Em Portugal, o melhor bombeiro é o São Pedro»». Jornal Tornado. Consultado em 10 de agosto de 2019. Onze anos depois da investigação sobre os incêndios de 2003 a 2005, Pedro Almeida Vieira diz que “perdeu-se uma década a investir num sistema de combate pseudo-voluntário, ineficaz e assente numa organização caótica”.) 
  7. «Mudança cultural não é mandar limpar matos». Público Online. Consultado em 10 de agosto de 2019. Não sei se António Costa alguma vez acreditou que roçar mato, fazer umas mexidas nas cúpulas da Autoridade Nacional de Protecção Civil e criar uma Estrutura de Missão para a Gestão dos Fogos Florestais constituem "mudança cultural") 
  8. «Correntes d'Escritas: anunciados finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa». Câmara Municipal de Póvoa do Varzim. Consultado em 10 de agosto de 2019. Foi divulgada a lista das dez obras finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa, para a edição de 2010 do Correntes d’Escritas, que irá decorrer entre 24 e 27 de Fevereiro.) 
  9. «"Guilherme Centazzi. O romance pioneiro de um doutor algarvio». Jornal i. Consultado em 9 de agosto de 2019. O rebuçado literário ficou a ganhar pó na lata até o investigador lhe tomar o gosto. Tudo começou com um projecto paralelo à actividade de escrita de Pedro Almeida Vieira, uma base de dados sobre a literatura do género histórico em Portugal, a biblioHistória, que conta já com mais de 500 autores e cerca de 1400 obras, entre contos, romances e novelas 
  10. «Prémio Grémio Literário 2012» (PDF). Grémio Literário de Lisboa. Consultado em 10 de agosto de 2019. Pela edição com fixação de textos e notas do romance O Estudante de Coimbra de Guilherme Centazzi, publicado inicialmente em 1840-1841 – primeiro romance de actualidade em Portugal, que assim foi recuperado do esquecimento total em que caíra na literatura nacional 
  11. «"Livro de Pedro Almeida Vieira apresenta visão ácida do nascimento do Brasil». Correio Braziliense. Consultado em 9 de agosto de 2019. Com um texto ágil e divertido, elaborado em cima de um competente trabalho de pesquisa, o jornalista, economista e engenheiro português Pedro Almeida Vieira escreveu 25 ensaios sobre “invasões, guerras, rebeliões e outras calamidades” ocorridas durante o nosso período colonial. Esses ensaios foram enfeixados em um livro intitulado Assim se pariu o Brasil, lançado no ano passado por uma editora brasileira, a Sextante.