Pelta

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Pente de ouro cita com soldado portando um pelta (direita)
Jarra de fundo branco do com peltasta lutando com pantera atribuída ao Pintor de Berlim. Século V a.C.. Louvre

Pelta (em grego: πέλτη; romaniz.: pélte) era um pequeno e leve escudo da Antiguidade utilizado por vários povos diferentes. Consistia em um escudo leve de madeira ou cestaria coberto com pele ou couro. Possuía inúmeras formas conhecidas dependendo da região onde fosse utilizado, variando entre exemplares circulares, quadrangulares, elípticos, sinuados na margem ou lunares.

O pelta fora incorporado pelos gregos durante as reformas de Ifícrates, com os soldados que o utilizavam sendo chamados peltastas. Na Roma Antiga, contudo, os peltas tornar-se-iam um motivo decorativo costumeiro de monumentos e sarcófagos, bem como em mosaicos e artes menores.

Escudo[editar | editar código-fonte]

Segundo a Anábase de Xenofonte, ele consistia principalmente de uma moldura de madeira ou cestaria que fora coberta com pele ou couro, mas sem borda metálica. Ele foi incorporado pelos gregos durante as reformas de Ifícrates e os soldados leves que o portaram foram chamados, por conseguinte, de peltastas. Antes de sua incorporação pelos gregos, os peltas variaram consideravelmente de forma dependendo da região.[1]

O cetra, por exemplo, era um tipo de pelta circular utilizado pelos povos da Hispânia e Mauritânia. Segundo Tucídides, o pelta também podia ser quadrangular. Um escudo leve similar a este fez parte do armamento nacional da Trácia, bem como de várias outras partes da Ásia e inclusive aparece nesta forma em relatos mitológicos envolvendo as Amazonas. O modelo amazônico de pelta é por vezes elíptico, como os exemplos dos bronzes de Siris, ou sinuado na margem, mas mais comumente com recuo semicircular que lhe rendeu o nome de "pelta lunar" (lunatis peltis) por Virgílio. Numa urna sepulcral dos Museus Capitolinos de Roma há uma representação de Pentesileia, rainha das Amazonas, oferendo um pelta como sinal de ajuda para Príamo, rei de Troia.[1]

Decoração[editar | editar código-fonte]

Broche romano em forma de pelta encontrado na Panônia, século II

Na época romana os escudos das amazonas tornar-se-iam um costumeiro motivo decorativo para ornar mosaicos e artes menores, bem como enquadram cartuchos com inscrições em monumentos e sarcófagos. R. Gavelle considerou o pelta como atributo báquico, evocando a similaridade entre "a forma do pelta e a folha da hidra". Para G. Ch. Picard, durante o período imperial a pelta simbolizava a virtude, com ela possuindo dois valores: um étnico como "a arma dos orientais" e outro simbólico, com as Amazonas convertendo-se em "símbolos da virtude guerreira, a virtus, que constituíam a principal das qualidades reais requeridas pela teologia helenística." Entre a maioria dos estudiosos, entretanto, comumente se aceita que a pelta possuía um valor apotropaico similar ao da górgona Medusa.[2]

Referências

  1. a b Smith 1875, p. 882.
  2. Walter 1970, p. 82.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Smith, Sir William; Cheetham, Samuel (1875). Dictionary of Greek and Roman Antiquities. [S.l.]: Little, Brown and Company 
  • Walter, Hélène (1970). La colonne ciselée dans la Gaule romaine. [S.l.]: Presses Univ. Franche-Comté