Quentecaus I

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Quentecaus I
Quentecaus como descrita em sua tumba
Rainha-consorte do Egito
Antecessor(a)
Sucessor(a) Quentecaus II
 
Cônjuge
Enterro Tumba de Quentecaus I, Gizé
Religião Politeísmo egípcio
Titularia
Nome
xnt
t
kA kA
kA
s
(Ḫntkaws)
Título
M23
X1
L2
X1
M23
X1
L2
X1
G14
(Mw.t-nsw-bi.tj-nsw-bi.tj)

Quentecaus I (em egípcio: Ḫntkaws) foi uma rainha do Antigo Egito, talvez esposa dos faraós Seberquerés e Userquerés da IV e V dinastias e mãe dos faraós Neferircaré e Sefrés.[1] Talvez reinou no Egito em seu próprio direito. Sua tumba em Gizé – Tumba LG100 – está muito perto do complexo da Pirâmide de Miquerinos. Essa proximidade pode representar uma incerta relação familiar, tendo ela talvez sido filha dele.

Vida[editar | editar código-fonte]

Origem e família[editar | editar código-fonte]

A origem de Quentecaus não é clara. Como não tinha o título de "filha do rei" nem "consorte real", possivelmente não veio diretamente da família real da IV dinastia ou, no máximo, duma linha lateral.[2] Uma inscrição remanescente do templo do vale do faraó Miquerinos com o título de filha do rei e um nome danificado foi tida por Selim Hassan como uma indicação de que era filha dele.[3] Porém, Silke Roth duvidou disso e considerou a leitura do restante do nome como "[...] kau [...]" improvável, optando por atribuir a inscrição a outra pessoa.[4] Além de sua descendência, o também proposto casamento com um dos faraós da IV dinastia (Miquerinos, Seberquerés ou Tanfétis) não está garantido.[5]

É incerto quais filhos teve. Segundo a tradição do Papiro Westcar, que descreve os ancestrais lendários dos faraós Userquerés, Sefrés e Neferircaré, estes deveriam ser os filhos de Quentecaus.[6] Porém, a descoberta, em 2002, de novos blocos com relevos da Pirâmide de Sefrés deixou mais clara esta relação familiar. Neles, a rainha Neferetepés é identificada como mãe de Sefrés e a ela foi erigido um pequeno complexo tumular ao lado do de Userquerés em Sacará, indicando que fosse sua esposa e que Sefrés era seu filho.[7] Assim, a posição de Neferircaré está agora assegurada. Ele filho de Sefrés e sua esposa e irmã Meretenebeti e neto de Userquerés.[8] Desse modo, apenas Userquerés permanece como possível filho de Quentecaus, para o qual não há evidência direta. Considerou-se também a possibilidade dele ser consorte dela, permitindo-lhe, por sua posição de "princesa hereditária", a ascensão ao trono.[9]

Referências

  1. Dodson 2004, p. 64.
  2. Altenmüller 1970, p. 223-235.
  3. Hassan 1930, p. 58.
  4. Roth 2001, p. 92-93.
  5. Roth 2001, p. 91.
  6. Erman 1890.
  7. El Awady 2006, p. 192–198.
  8. El Awady 2006, p. 198–213.
  9. Beckerath 1997, p. 159.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Beckerath, Jürgen von; Zabern, Verlag Philipp von (1997). Chronologie des pharaonischen Ägypten: die Zeitbestimmung der ägyptischen Geschichte von der Vorzeit bis 332 v. Chr. Mogúncia: Philip von Zabern. ISBN 3805323107 
  • Dodson, Aidan; Hilton, Dyan (2004). The Complete Royal Families of Ancient Egypt. Londres: Thames & Hudson. ISBN 0-500-05128-3 
  • El Awady, Tarek (2006). «The royal family of Sahure. New evidence». In: Bárta, Miroslav; Coppens, Filip; Krejčí, Jaromír. Abusir and Saqqara in the Year 2005. Praga: [s.n.] 
  • Erman, Adolf (1890). «Die Märchen des Papyrus Westcar I. Einleitung und Commentar». Berlim. Mensagens das Coleções Orientais. V 
  • Hassan, Selim (1930). Excavations at Gîza IV. 1932–1933. Cairo: Imprensa do Governo 
  • Roth, Silke (2001). Die Königsmütter des Alten Ägypten von der Frühzeit bis zum Ende der 12. Dynastie. Viesbade: Harrassowitz