Roma locuta, causa finita

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Roma locuta, causa finita é uma frase latina que significa literalmente em português: "Roma falou, o caso está encerrado".

É usado para indicar que um determinado assunto foi resolvido por alguém que possui autoridade incontestável.[1]

Origem[editar | editar código-fonte]

A origem desta frase encontra-se em Santo Agostinho de Hipona (354-430). Para encerrar a controvérsia pelagiana, o papa Inocêncio I condenou essa heresia tão enfaticamente em 417 que motivou Santo Agostinho de Hipona a pronunciar[2] essa famosa frase em 23 de setembro de 417 em seu sermão número 131,10: [3]


«...iam enim de hac causa duo concilia missa sunt ad sedem apostolicam; inde etiam rescripta venerunt; causa finita est.» (...sobre este assunto, já dois Concílios enviaram mensagens à Sé Apostólica, que retornou resposta. O caso está encerrado.)

Usos posteriores[editar | editar código-fonte]

Esta frase, transformada em ditado, foi citada em inúmeras ocasiões:

  • Após o Descobrimento da América, os Reis Católicos se voltaram para o Papa Alexandre VI para legitimar suas intervenções no Novo Mundo. O Papa emitiu até quatro bulas em 1493, marcando a linha de demarcação entre os territórios reservados à Espanha e Portugal (bulas que mais tarde lançariam as bases do Tratado de Tordesilhas). O rei português não aceitou a linha de demarcação papal e, após protesto ao Papa, recebeu em resposta: " Roma locuta, causa finita " impondo assim a vontade papal.[4]
  • Ironicamente, a frase também é usada substituindo o sujeito (Roma), ou usando pontos de interrogação. Por exemplo: «Cuba locuta, causa finita?",[5] "Ciência locuta, causa finita",[6] ou também "Google locuta, causa finita".

Referências

  1. Wikcionario
  2. Scot Windsor
  3. Sermón, cxxxi, 10, en Patrologia Latina, XXXVIII, 734
  4. Pérez Embid, F. Los descubrimientos en el Atlántico y la rivalidad castellano-portuguesa hasta el Tratado de Tordesilas, Sevilla, 1948.
  5. Artículo de opinión en el Diario El Mundo, de fecha 12 de junio de 2013
  6. Artículo de opinión en el Diario ABC, de fecha 10 de enero de 2010