Tabela de Cutter

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A Tabela de Cutter é uma tabela de códigos que indicam a autoria de uma obra literária elaborada por Charles Ammi Cutter em 1880 e é utilizada para classificar livros em bibliotecas. A tabela utiliza todas as letras para designar as categorias de livros, em contraste com a Classificação Decimal de Dewey que utiliza apenas números.

Origem[editar | editar código-fonte]

Charles Ammi Cutter (1837-1903), inspirado pela classificação decimal desenvolvida por Melvil Dewey, seu contemporâneo, desenvolveu o seu próprio sistema de classificação para classificar as colecções do Boston Athenaeum, onde serviu como bibliotecário durante 24 anos. Começou a desenvolver a classificação por volta do ano de 1880 e publicou os primeiros esboços no início dos anos de 1890. O seu catálogo da colecção Athenaeum em cinco volumes é um clássico na história bibliográfica.

Apesar de a Tabela de Cutter, ter sido adoptado por, comparativamente, poucas bibliotecas, principalmente em Nova Inglaterra, foi considerada um dos mais lógico e académicos sistemas de classificações dos EUA. A sua tabela serviu como base para a classificação da Biblioteca do Congresso que utilizou algumas das suas características.

Codificação[editar | editar código-fonte]

Este código correspondente à autoria do livro, formado por letras e números, aparecendo na segunda linha dos endereços das obras nas bibliotecas.

Um modo prático de simbolizar a autoria é usando as três primeiras letras do sobrenome do autor. Utiliza-se então uma tabela com números correspondentes aos sobrenomes dos autores. O sobrenome é simbolizado pela sua inicial e pelos números a ele correspondentes. A estes números segue-se, em letra minúscula, a primeira inicial do título:

  • Inicial do sobrenome do autor;
  • Número atribuído ao sobrenome na Tabela de Cutter;
  • Inicial da primeira palavra do título.

Além desses dados, podemos colocar outras informações para diferenciar livros do mesmo assunto, escritos pelo mesmo autor e com o mesmo título, por exemplo:

  • 1989 - ano de publicação, para diferenciar livros iguais publicados em anos diferentes;
  • e.1 -número do exemplar, para diferenciar os diversos exemplares de um mesmo livro.

Classificação[editar | editar código-fonte]

A maior parte dos números da classificação da Tabela de Cutter seguem convenções que oferecem pistas para o tema do livro. A primeira linha representa o sujeito, o segundo o autor (e talvez o título), a terceira e quarta as datas das edições, indicações de traduções, críticas em determinados livros ou autores. Todos os números da Tabela de Cutter são (ou deveriam ser), arquivado em ordem decimal.

O tamanho dos volumes é indicada por pontos (.), sinal de somar (+) ou barras (/ ou //).

A segunda linha representa normalmente o nome do autor com letras maiúsculas acrescidas de um ou mais números dispostos de forma decimal, podendo ser seguido pela primeira letra ou letras do título em minúsculas, e/ou às vezes, as letras a, b, c indicando outras edições do mesmo título. Quando necessário, a segunda linha pode começar com um número. Por exemplo: 1 representa história, 2 bibliografias, 5 para dicionários, 6 para atlas ou mapas, 7 jornais e periódicos, 8 sociedade ou publicações universitárias, 9 para colecções de obras de diferentes autores.

Na terceira linha a letra grande Y indica um trabalho sobre o autor ou um livro representado pelas duas primeiras linhas e a letra grande E (em Inglês, outras letras são usadas para outros idiomas) indica uma tradução para Inglês. Se as críticas e a tradução se aplicarem a um único título, o número aumenta em quatro linhas.

Números de Cutter[editar | editar código-fonte]

Uma das características adoptadas por outros sistemas de classificação bibliográfica, incluindo a Biblioteca do Congresso, é o número de Cutter. É um sistema de código alfanumérico para codificar texto, para que possa ser organizado em ordem alfabética usando a menor quantidade possível de caracteres. Utiliza uma ou duas das primeiras letras e algarismos, tratados como uma casa decimal. Para construir um número de Cutter, um catalogador consulta a tabela de Cutter, como exigido pela classificação das regras. Apesar de os números de Cutter serem mais utilizados para a classificação dos nomes dos autores, o sistema pode ser utilizado para fins de títulos, assuntos, áreas geográficas, e muito mais.

Referências[editar | editar código-fonte]

Bibliografia
  • Bliss, Henry Evelyn. The Organization of Knowledge in Libraries: and the Subject-Approach to Books, 2nd ed. New York: H. W. Wilson, 1939.
  • Cutter, Charles A. Rules for a Dictionary Catalog. W. P. Cutter, ed. 4th ed. Washington, D.C.: Government Printing Office, 1904. London: The Library Association, 1962.
  • Cutter, William Parker. Charles Ammi Cutter. Chicago: American Library Association, 1931. Ann Arbor, MI: University Microfilms, 1969.
  • Foster, William E. "Charles Ammi Cutter: A Memorial Sketch". Library Journal 28 (1903): 697-704.
  • Hufford, Jon R. "The Pragmatic Basis of Catalog Codes: Has the User Been Ignored?". Cataloging and Classification Quarterly 14 (1991): 27-38.
  • Immroth, John Philip. "Cutter, Charles Ammi". Encyclopedia of Library and Information Science. Allen Kent and Harold Lancour, ed. 47 vols. New York, M. Dekker [1968-]
  • Slavis, Dobrica. "CUTT-x: An Expert System for Automatic Assignment of Cutter Numbers". Cataloging and Classification Quarterly. Vol 22, no. 2, 1996.
  • Tauber, Maurice F., and Edith Wise. "Classification Systems". Ralph R. Shaw, ed.. The State of the Library Art. New Brunswick, NJ: Rutgers U. Graduate School of Library Service, 1961. 1-528.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Acesso ao código[editar | editar código-fonte]