Thema de Dirráquio

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Mapa da Grécia por volta de 900, mostrando o Thema de Dirráquio à noroeste.

O Thema de Dirráquio (em grego: θέμα Δυρραχίου) foi uma província (thema) militar-civil bizantina, localizada na moderna Albânia, cobrindo a costa adriático do país. Foi criado no início do século IX e batizado com o nome de sua capital, Dirráquio (moderna Durrës), mas era conhecido também como Thema da Ilíria.

História[editar | editar código-fonte]

A data exata de criação do thema é incerta; um estratego de Dirráquio é atestado no Taktikon Uspensky de 842, mas selos de vários estrategos datados de décadas antes sobreviveram. J. B. Bury propôs a sua criação, ao lado dos themata do Peloponeso e Cefalônia no começo do século IX, com o historiador Jadran Ferluga colocando a data de sua criação no reinado do imperador Nicéforo I, o Logóteta (r. 802–811).[1] [2] Durante as guerras bizantino-búlgaras do final do século X e começo do XI, a cidade de Dirráquio parece ter sido autônoma ou, às vezes, sob suserania búlgara. A partir de meados do século XI em diante, seu governador ostentava o título de duque ou catepano.[3] Em 1040-1041, as tropas do thema, sob seu líder Tihomir, rebelaram-se e juntaram-se a revolta de Pedro Delian.[4]

Durante o final do século XI começo do XII, a cidade de Dirráquio e sua província foram de grande importância para o Império Bizantino. A cidade era a "chave da Albânia" e o principal ponto de entrada para o comércio, mas também para os invasores da Itália, e foi idealmente colocada para controlar as ações dos governantes eslavos dos Bálcãs Ocidentais. Assim, o duque de Dirráquio tornou-se a autoridade sênior bizantina em todas as províncias dos Bálcãs Ocidentais. Dois sucessivos governadores, Nicéforo Briênio, o Velho e Nicéforo Basilácio, utilizaram este posto como uma plataforma para suas ambições imperiais no final da década de 1070. A região também desempenhou papel crucial nas guerras bizantino-normandas, sendo ocupada pelos normandos em 1081-1084. Após sua recuperação, o imperador Aleixo I Comneno confiou o comando do thema a alguns de seus parentes mais próximos.[1] [5] [6] No entanto, os magnatas da cidade (arcontes) mantiveram grande influência e autonomia de ação por toda parte, e foram eles que, em 1205, após o saque de Constantinopla pela Quarta Cruzada entregaram a cidade para os venezianos.[7]

Lista de governadores conhecidos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Kazhdan 1991, p. 668
  2. Pertusi 1952, p. 177
  3. Nesbitt 1991, p. 40
  4. Stephenson 2000, p. 130
  5. Angold 1997, p. 129; 152
  6. Stephenson 2000, p. 151-152; 159-160
  7. Stephenson 2000, p. 184

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Angold, Michael. The Byzantine Empire, 1025–1204: A Political History. [S.l.]: Longman, 1997. ISBN 0-582-29468-1
  • Nesbitt, John W.; Nicolas Oikonomides. Catalogue of Byzantine Seals at Dumbarton Oaks and in the Fogg Museum of Art. [S.l.]: Dumbarton Oaks Research Library and Collection, 1991. vol. 1. ISBN 0-88402-194-7
  • Pertusi, A.. Constantino Porfirogenito: De Thematibus. [S.l.]: Biblioteca Apostolica Vaticana, 1952.
  • Stephenson, Paul.. Byzantium's Balkan Frontier: A Political Study of the Northern Balkans, 900–1204. [S.l.]: Cambridge University Press, 2000. ISBN 0-521-77017-3