Tibério (filho de Maurício)

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Tibério
Morte 27 de novembro de 602
Porto de Eutrópio, Calcedônia
Nacionalidade Império Bizantino
Progenitores Mãe: Constantina
Pai: Maurício
Religião Cristianismo

Tibério (em latim: Tiberius; falecido em 27 de novembro de 602) foi o segundo filho do imperador bizantino Maurício (r. 582–602) e sua esposa Constantina. Seu pai pretendia que herdasse a Itália e as ilhas ocidentais, centradas em Roma; no entanto, isso não se concretizou quando seu pai foi derrubado pelo novo imperador Focas (r. 602–610), que mandou executar ele e seu pai, junto com seus irmãos mais novos, no porto de Eutrópio, Calcedônia.

Vida[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos e família[editar | editar código-fonte]

Soldo de Maurício (r. 582–602)

Tibério era o segundo filho do imperador Maurício e Constantina.[1][2] Foi nomeado em homenagem ao imperador Tibério II (r. 574–582), seu avô materno.[3] Tinha um irmão mais velho, Teodósio, quatro irmãos mais novos (Pedro, Paulo, Justino e Justiniano[4]) e três irmãs (Anastácia, Teoctiste e Cleópatra). Maurício não foi apenas o primeiro imperador bizantino desde Teodósio I (r. 378–395) a ter um filho, mas a capacidade dele e de Constantina de produzir vários filhos foi objeto de piadas populares.[5][6] Maurício serviu como mestre dos soldados do Oriente, o comandante das forças bizantinas no Oriente,[7] garantindo vitórias decisivas sobre o Império Sassânida.[8] O imperador bizantino reinante, Tibério II, enfraquecido pela doença, nomeou Maurício um de seus dois herdeiros, ao lado de Germano,[9] planejando dividir o império em dois, dando a Maurício a metade oriental. No entanto, Germano declinou e, portanto, em 13 de agosto de 582, Maurício casou-se com Constantina e foi declarado imperador.[10] Tibério II morreu no dia seguinte, e Maurício tornou-se o único imperador.[11]

Anos finais[editar | editar código-fonte]

Síliqua de Teodósio, irmão de Tibério
Dinar de Cosroes II (r. 590–628)

De acordo com o testamento de seu pai, escrito em 597 quando sofria de uma doença grave, Maurício pretendia que Tibério governasse a Itália e as ilhas ocidentais, centradas em Roma,[1][12] em vez de Ravena,[13] com Teodósio governando no Oriente, centrado em Constantinopla.[1] Teofilato Simocata, uma fonte contemporânea, afirma que o restante do império seria dividido pelos filhos mais novos de Maurício, e o bizantininista J. B. Bury sugere que um governaria o norte da África e o outro a Ilíria,[12] incluindo a Grécia, com Domiciano de Melitene como guardião deles.[14] O historiador Johannes Wienand sugere que, neste arranjo, Teodósio serviria como augusto sênior, Tibério como augusto júnior e os irmãos mais novos como césares.[6]

Em 602, Maurício ordenou que o exército bizantino passasse o inverno além do Danúbio, fazendo com que as tropas exaustas pela guerra contra os eslavos se levantassem e declarassem Focas seu líder.[15] As tropas exigiram que Maurício abdicasse em favor de Teodósio ou o general Germano.[16] Em 22 de novembro, enfrentando distúrbios em Constantinopla liderados pela facção verde do hipódromo, Maurício e sua família embarcaram num navio de guerra com destino à Nicomédia.[5] Teodósio pode ter estado naquela época no Império Sassânida, numa missão diplomática,[17] ou, de acordo com algumas fontes, foi posteriormente enviado por Maurício para solicitar ajuda do xainxá Cosroes II (r. 590–628).[4]

Focas foi coroado imperador no dia seguinte, 23, depois de chegar à capital. Após sobreviver a uma tempestade, Tibério e sua família desembarcaram em São Autônomo, perto de Preneto, a 72 quilômetros de Constantinopla, mas foram forçados a ficar lá devido à artrite de Maurício, que o deixou acamado. Foram capturados por Lílio, um oficial de Focas, e levados ao porto de Eutrópio em Calcedônia, onde, em 27 de novembro, Tibério e seus três irmãos mais novos foram mortos, seguidos pelo próprio Maurício. Seus restos mortais foram recolhidos por Górdia, tia de Tibério, e enterrados no Mosteiro de São Mamas, que ela havia supostamente fundado.[4][5][18] Teodósio foi posteriormente capturado e executado quando retornou, enquanto Constantina e suas filhas foram levadas sob a proteção de Ciríaco II (595–606), o patriarca de Constantinopla.[17]

Referências

  1. a b c Baum 2001.
  2. Martindale 1992, p. 1541.
  3. Moorhead 2014, p. 130.
  4. a b c Stratos 1968, p. 52.
  5. a b c Garland 1999a.
  6. a b Wienand 2014, p. 262.
  7. Martindale 1992, p. 856–857.
  8. Martindale 1992, p. 859, 1215.
  9. Treadgold 1997, p. 226.
  10. Martindale 1992, p. 859–860.
  11. Garland 1999b.
  12. a b Ostrogorsky 1956, p. 80.
  13. Gregory 2011, p. 165.
  14. Bury 1889, p. 94.
  15. Previté-Orton 1975, p. 201.
  16. Martindale 1992, p. 531–532.
  17. a b Martyn 2004, p. 43.
  18. Martindale 1992, p. 860.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bury, John Bagnell (1889). History of the Later Roman Empire - From Arcadius to Irene (395 A.D. to 800 A.D.) Vol. I. Londres: Macmillan 
  • Gregory, Timothy E. (2011). A History of Byzantium. Hoboquém, Nova Jérsei: John Wiley & Sons. ISBN 978-1-44435-997-8 
  • Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambrígia e Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Cambrígia. ISBN 0-521-20160-8 
  • Martyn, John R. C. (2004). The Letters of Gregory the Great. Toronto: Instituto Pontifício de Estudos Medievais 
  • Moorhead, John (2014). The Popes and the Church of Rome in Late Antiquity. Nova Iorque: Routledge. ISBN 978-1-31757-827-7 
  • Previté-Orton, Charles William (1975). The Later Roman Empire to the Twelfth Century. Cambrígia: CUP Archive. ISBN 0-521-09976-5 
  • Stratos, Andreas Nikolaou (1968). Byzantium in the Seventh Century: 602-634. Amsterdã: Adolf M. Hakkert 
  • Treadgold, Warren (1997). A History of the Byzantine State and Society (em inglês). Stanford, Califórnia: Imprensa da Universidade de Stanford. ISBN 0-8047-2630-2 
  • Wienand, Johannes (2014). Contested Monarchy: Integrating the Roman Empire in the Fourth Century AD. Oxônia: Imprensa da Universidade de Oxônia. ISBN 0199768994