William Agel de Mello

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William Agel de Mello
Nascimento 18 de julho de 1937
Catalão, Goiás
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Parentesco Sebastião Pinto de Mello
Alice Agel de Mello
Ocupação Diplomata
Escritor
Ensaista
Tradutor
Poliglota
Magnum opus Epopeia do Sertão (2014)
Página oficial
http://www.williamageldemello.com/

William Agel de Mello (Catalão, Goiás, 18 de julho de 1937) é um escritor, diplomata, ensaísta, tradutor, dicionarista e poliglota brasileiro.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

William Agel de Mello é filho de Sebastião Pinto de Mello e de Alice Agel de Mello. Estudou no Colégio Ateneu Dom Bosco (Goiânia,fundamental), Liceu de Goiânia (Goiânia,médio), Instituto Rio Branco (Rio de Janeiro, Diplomacia). Estudou em Barcelona e em Londres.

O trabalho de William Agel de Mello envolve ficção, tradução, lexicografia e ensaio. É reconhecido por vários autores de antologias, enciclopédias e dicionários biográficos[carece de fontes?] e é citado em vários[qual?] livros, revistas e jornais no Brasil e no exterior. João Guimarães Rosa, de quem foi secretário quando este foi embaixador, escreveu um livro, Cartas a William Agel de Mello, tratando das correspondências enviadas a William Agel de Mello, quando este traduzia para o castelhano a obra Grandes Sertão: Veredas.

Em sua carreira de diplomata trabalhou em diversos países da Europa, América Latina, Ásia e da África, contribuindo para o desenvolvimento da cultura nesses países. É membro da Academia Catalana de Letras e União Brasileira de Escritores de Goiás.[2][3][4][5]

Suas Obras Completas compreendem 54 livros, 17 volumes, 11 mil páginas, a maior obra de dicionários bilíngues do mundo (22 dicionários), com introdução geral do Professor Junito de Souza brandão, que o considerava "um dos maiores africanólogos do Brasil"[carece de fontes?]. Recebeu medalha da Ordem do Mérito Cultural do Distrito Federal, o Diploma de Personalidade Cultural Internacional da União Brasileira de Escritores (UBE), Diploma de Honra ao Mérito do Conselho Estadual de Cultura, e vários prêmios literários. Seu nome está incluído em inúmeras[qual?] antologias, enciclopédias e dicionários biográficos, além de referências em livros, revistas e jornais, no Brasil e no exterior.

A obra de William Agel de Mello enquadra-se nos seguintes gêneros: ficção, tradução, lexicografia e ensaio.

No campo da ficção introduziu uma temática nova na literatura brasileira. Sirvam de exemplo os seguintes contos: O vendedor de tapetes, Omar; O espírito do vinho; As marionetas encantadas; Gitano; O coveiro de Notre Dame; Rômulo e Rêmulo (estória de salineiros e lenhadores); etc. Fez do mito greco-latino um dos pontos centrais de sua narrativa, na qual mitologia e realidade se fundem, numa perfeita simbiose. Na maioria das vezes, a mesma personagem desempenha simultaneamente dois papéis: o próprio papel, na vida real, e o papel que lhe cabe na mitologia. Tudo muito naturalmente. Um dos exemplos mais expressivos é a guerra de Troia em pleno sertão goiano, um dos pontos altos do romance Epopeia dos Sertões. É a recriação do mito, ou melhor, a arte de recriar o mito.

No que tange à forma, há uma preocupação constante com a língua. Em quase todas as páginas desenvolve-se uma intensa pesquisa linguística. Para o autor[carece de fontes?], as palavras têm vida, cor, musicalidade, valor, peso, medida. Se cada palavra tem sua função na frase, é preciso encontrar a palavra que sirva melhor aos seus desígnios. A tal ponto que, conforme se expressou o crítico Medeiros e Albuquerque[carece de fontes?], a prosa de William Agel de Mello, em certos trechos, provoca a vontade irresistível de declamá-la. O conto Baalbek, por exemplo, que narra a história de um mascate sírio no sertão, está impregnado de palavras de origem árabe. Não menos importante é a contribuição de William Agel de Mello no âmbito da tradução. Traduziu — seguindo os parâmetros da tradução a mais fiel possível — os grandes poetas do Ocidente, inclusive a obra poética completa de Federico García Lorca.

No campo da lexicografia marcou a sua presença de forma indelével e espetacular. Escreveu nada menos que 22 dicionários. Escreveu dicionários bilíngues de quase todas as línguas neolatinas — uma obra pioneira na lexicografia românica. O português é a única língua da família neolatina que conta com dicionários de quase todas as línguas congêneres. Coube-lhe a primazia de escrever o primeiro dicionário catalão/português, e ainda hoje, alguns de seus dicionários constituem os únicos dicionários bilíngues existentes no campo da lexicografia em nível mundial: sardo/português/sardo, galego/português/galego, reto-românico/português/reto-românico, provençal/português/provençal, além do monumental dicionário geral das línguas românicas. Quanto aos ensaios, escreveu três sobre política internacional e um no campo da linguística. Tornou-se um dos maiores africanólogos brasileiros com os seguintes ensaios: UJAMAA, O Socialismo Africano: O Modelo da Tanzânia, O Processo de Independência da Namíbia e O Processo de Dissolução do Apartheid e as Consequentes Transformações na África Austral. As Posições Estratégicas Brasileiras. A sua tese sobre linguística — O Idioma Panlatino e outros Ensaios Linguísticos — é realmente sui generis. O latim deu origem a dez línguas neolatinas, e as línguas neolatinas, em seu processo evolutivo normal, dão origem à língua síntese — o panlatino. A ideia básica é formar uma superlíngua para cada família de línguas. Ou seja: o pangermânico, o pan-eslavo, o panlatino, etc. Uma nova linguagem universal, ou uma reconstrução da Torre de Babel.

Ficção[editar | editar código-fonte]

  • Epopéia dos Sertões (romance) (2014)[6][7]
  • Georgicas - Estórias da Terra (contos. Prêmio Caixa Econômica, julgado pela ABL)[8]
  • O Último Dia do Homem (romance)[9]
  • Metamorfose (contos)
  • Fortuna Crítica

Tradução[editar | editar código-fonte]

  • Livro de Poemas (F. G. Lorca)
  • Poema do "Cante Jondo" (F. G. Lorca)
  • Primeira Canções (F. G. Lorca)
  • Canções (F. G. Lorca)
  • Romanceiro Gitano (F. G. Lorca)
  • Três Romances Históricos (F. G. Lorca)
  • Poeta em Nova York (F. G. Lorca)[10]
  • Pranto por Ignácio Sánchez Mejías (F. G. Lorca)
  • Poemas Esparsos (F. G. Lorca)
  • Divã do Tamarit (F. G. Lorca)
  • Poemas Galegos (F. G. Lorca)
  • Cantares Populares (F. G. Lorca)
  • Sonetos Inéditos (F. G. Lorca)
  • Antologia Poética de Lorca[11]
  • Cancioneiro
  • Carta da Liberdade do Congresso Nacional Africano
  • Programa de Ação Contra o apartheid, da Assembléia Geral das Nações Unidas

Ensaios[editar | editar código-fonte]

  • UJAMAA - O Socialismo Africano: O modelo da Tanzânia
  • O Processo de Independência da Namíbia
  • O Processo de Dissolução do Apartheid e as Conseqüentes Transformações na África Austral. As Opções Estrátegicas Brasileiras
  • O Idioma Panlatino e outros Ensaios Lingüísticos

Monografias e artigos[editar | editar código-fonte]

  • Como Corrigir uma Tese
  • João Guimarães Rosa - Cartas a William Agel de Mello
  • Um Povo é a Língua que Fala
  • A Antártica - Aspecto Físico e Conquista do Território
  • Origens da Guerra Fria
  • Dicionário Elétrico Falante Ilustrado - Uma Invenção Brasileira
  • Artigos

Dicionários[editar | editar código-fonte]

  • Dicionário Latim/Português
  • Dicionário Português/Latim
  • Dicionário Galego/Português
  • Dicionário Português/Galego
  • Dicionário Provençal/Português
  • Dicionário Português/Provençal
  • Dicionário Reto-Românico/Português
  • Dicionário Português/Reto-Românico
  • Dicionário Romeno/Português
  • Dicionário Português/Romeno
  • Dicionário Sardo/Português
  • Dicionário Português/Sardo
  • Dicionário Catalão/Português
  • Dicionário Português/Catalão
  • Dicionário Multilíngüe
  • Dicionário Francês/Português
  • Dicionário Português/Francês
  • Dicionário Espanhol/Português
  • Dicionário Português/Espanhol
  • Dicionário Italiano/Português
  • Dicionário Português/Italiano
  • Dicionário Geral das Línguas Românicas[12][13]

Homenagens e Prêmios[editar | editar código-fonte]

  • Medalha da Ordem do Mérito Cultural do Distrito Federal
  • Diploma de Personalidade Cultural Internacional da União Brasileira de Escritores (UBE)
  • Diploma de Honra ao Mérito do Conselho Estadual de Cultura

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Jornal Diário da Manhã. «Biografia». Consultado em 20 de junho de 2009 
  2. Jornal Diário da Manhã. «Biografia 2». Consultado em 20 de junho de 2009 [ligação inativa]
  3. Site Submarino. «Livro de Guimarães Rosa». Consultado em 20 de junho de 2009 
  4. Scielo. «Referências». Consultado em 20 de junho de 2009 
  5. Página da Usina de Letras. «Dicionário Bibliográfico de Mário Martins - Biografia». Consultado em 20 de junho de 2009 
  6. Estante virtual. «Epopéia dos Sertões». Consultado em 20 de junho de 2009 [ligação inativa]
  7. Universidade Federal de Santa Catarina. «Epopéia dos Sertões» [ligação inativa]
  8. Site wordcat. «Georgicas - Estória da Terra». Consultado em 20 de junho de 2009 [ligação inativa]
  9. Site Wordcat. «O Último Dia do Homem -Traduzido em inglês». Consultado em 21 de junho de 2009 
  10. Poemas internacionais. «Livros». Consultado em 20 de junho de 2009 
  11. Página da Livraria da Travessa. «Antologia Poética». Consultado em 20 de junho de 2009 
  12. MELLO, William Agel de. Obras completas: dicionário geral das línguas românicas. v. 1. Goiânia: Kelps, 2009. ISBN 9788577666379.
  13. MELLO, William Agel de. Obras completas: dicionário geral das línguas românicas. v. 2. Goiânia: Kelps, 2010. ISBN 9788577666379.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]