Amahuaca

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Os Yora ou Amahuaca, são um grupo étnico na Amazônia peruana, que vivem distribuídos nas regiões de Ucayali (Rio Ucayali / Ucayali (província) e Madre de Dios (Río Madre de Dios; Madre de Deus (região)). Eles falam o idioma Amahuaca, que integra as línguas da família Pano. Se concentram principalmente nas bacias hidrográficas dos rios Mapuya, Curanja, Sepahua, Inuya e Yurúa.

Encontro dos rios Tambo e Ucayali - Atalaya (Peru)

Autodenominam-se hondi kuí (pessoais reais) ou yora (seres humanos). [1]

História[editar | editar código-fonte]

Os primeiros contatos com os Yora, foram realizados através dos missionários franciscanos em 1686, a quem denominaram Amahuaca. Os missionários encontraram na época 12 construções (chozas) na região do rio Conguari, num momento histórico em que estes viviam em constante ameaça de parte dos grupos Piro, Conibo e Shipibo para sua captura como escravos domésticos. [2]

No final do século XIX, se intensificam os ataques à sua etnia por seringueiros, tanto para ocupação de suas terras como em busca da mão de obra indígena para o trabalho de coleta desta resina.

Em função desse contatos trágicos os yoras recusaram contatos com os brancos e com os grupos indígenas Piro, Conibo e Shipibo até 1925. Só mantinha relações pacíficas com os grupos étnicos dos Kashinahua e Ashaninkas.

Em 1962, um grupo de Yoras famílias começaram a migrar do rio Curiuja para assenta-se, nas margens do rio Urubamba. Assim, cerca de uma centena se integraram ao grupo de missão Sepahua, enquanto a outra ficou em Jatitza, num centro de intercâmbio cultural perto de Atalaya. Uma parte importante deste grupo, que permanece isolado em sesus territórios de origem até a atualidade. [3]

Erikson [4] destaca a “famosa” simbiose Amahuaca-Yaminawa entre as comuns fusões de etnias de mesma família lingüística no século XX.

Organização[editar | editar código-fonte]

O Yora se subdividem em indow, rondowo, shaawo, kutinawa Shawanawa e na'iwo, (Indowo, Rondowo, Isãwo, Shãwo, Maxinawa, Cutinawa, Punchawo, Kapî Hîchi, Nashishnawo, and Shimanawa segundo Dole, 1996 o.c.) Sendo essa divisão mutuamente exclusiva. Os assentamentos são constituídos por membros de diferentes grupos, embora alguns possam predominar em cada assentamento.

Tradicionalmente, as famílias Yoras são caráter patrilocal estendido. Há regras de residência virilocais após o casamento, isto significa que o novo casal vive no local de assentamento da família do marido, mas em ocasiões especiais o homem é obrigado a viver com a família da mulher para ajudar o sogro no trabalho de terra.

Como regra geral, um homem deve casar com a filha da filha do irmão da mãe ou com a filha da irmã do pai (casamento de primos cruzados bilaterais). Mas também se promove a existência de unidades exogâmicas e linhas intercâmbio matrimonial. [5]

Xamanismo / etnomedicina[editar | editar código-fonte]

Faz parte da crença Amahuaca acreditar que os homens tem origem nos animais não-humanos e que eles próprios se originaram a partir do xopaan, fruto semelhante a uma cabaça de uma begônia. Cultuam o Sol como um herói, Rantanga, a fonte do fogo, das plantas cultivadas, machados de pedra, e o criador dos animais. Em seus mitos ele manteve uma relação incestuosa com a Lua. Seu universo é povoado espíritos (yoshin) temidos mas de possível controle. Segundo Dole (o.c.) espíritos revoltados dos antepassados mortos podem matar os que vivem com doenças epidêmicas. Espíritos que se manifestam nos pesadelos podem criar bebês deformados. Eclipses alertam para a iminente chegada de espíritos canibais. Os mais perigosos são os espíritos dos animais predadores e os espíritos de fêmeas de sapo com uma vagina com dentes.

Ainda segundo essa autora um curandeiro (hawaai ) bebe a ayahuasca e sopra fumaça nas narinas do paciente. com o auxilio do tabaco em pó e ayahuasca, ele pode enviar o seu “duplo” (alter ego) em forma de jaguar para recuperar uma alma perdida. Podem induzir a menstruação e tratar a infertilidade com certas frutas azedas e leves pancadas aplicadas sobre seu corpo com um remo. Utilizam folhas consideradas fortes e fruto do jenipapo aplicado sobre a pele para auxiliar o desenvolvimento infantil. Congestão nasal é tratada com rapé soprado nas narinas com um tubo feito de osso. Utilizam a secreção de uma rã pequena chamada kambó que é esfregada em feridas abertas para trazer visões, limpar o corpo, e recuperar a habilidade de caça. Infusões de plantas aromáticas são esfregadas sobre a pele para aumentar o sucesso da caça por camuflar o odor corporal. Pessoas usam cantos e muitos tipos de frutos, sementes, folhas e raízes para tratar suas doenças, bem como para torná-los irresistíveis para um companheiro desejado ou repelir um parceiro indesejado. Usam as escamas caudais de uma jibóia (Boa constrictor) para coçar, acreditando que isso é capaz diminuir a dor de picadas das grandes formigas pretas.

Acreditam na vida após a morte realizam um enterro temporário no chão da casa e depois cremado depois que parentes chegam de outras comunidades. As cinzas são enterrados e o carvão a partir da pira funerária é jogado no rio. Fragmentos de ossos carbonizados e os dentes são moídas, misturadas com a sopa, e consumidos pelo parente mais próximo. Para remover todas as lembranças do falecido e desencorajar o espírito de remanescentes, pertences pessoais são queimadas ou quebradas, incluindo culturas jardim e a casa construída pelo falecido. Espíritos de parentes mortos devem voar para um lugar no céu perto do sol, onde a caça é fácil e eles se encontram com outros que os precederam. [6]

Referências

  1. Dole, Gertrude. Amahuaca. Encyclopedia of World Cultures 1996 Maio, 2011
  2. Mora, Carlos B. et al Atlas de las comunidades indígenas de la amazonía peruana. Maio 2011
  3. Mora, Carlos B. et al o.c.
  4. Erikson, Philippe. Uma singular pluralidade: a etno-história pano in: Cunha, Manuela Carneiro da (org.) História dos índios no Brasil
  5. Mora, Carlos B. et al o.c.
  6. DOLE, G.E. 1973. Endocannibalism among the Amahuaca Indians. En: Patricia Lyon (ed.), Native South Americans; Boston, Little, Brown.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Rio Ucayali na Amazônia

Ligações externas[editar | editar código-fonte]