Aspersão

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O Baptismo de Cristo - Igreja do Primeiro Século.

Aspersão - termo derivado do latim aspersione; s.f., acto ou efeito de aspergir, borrifar ou respingar. No Batismo por aspersão a água é borrifada, espalhada ou chuviscada sobre o batizando. Na prática, é muito similar à efusão, sendo usada por alguns como sinônimo, visto que, ao se procurar derramar a água com a mão sem o uso de algum utensílio, ela acaba se espalhando. A intenção é aplicar a água sobre o batizando.

Esta forma é adotada por algumas igrejas cristãs, em especial a Igreja Católica e os primeiros movimentos protestantes surgidas com a Reforma, tais como o Luteranismo, o Anglicanismo, o Presbiterianismo, o Congregacionalismo e a Igreja Metodista do Brasil.

Aspersão x Imersão[editar | editar código-fonte]

Os que aceitam o batismo por aspersão ou derramamento entendem que a palavra batismo nas Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamento, tem significado não se limita à sua raiz etimológica, sendo sinônimo de purificação e unção e estando associado a verbos como purificar, ungir, lavar, tingir, selar, marcar, limpar.

A fim de evitar a chamada guerra de versões e em prol da imparcialidade, como se trata de tema controverso, artigos distintos foram separados quanto ao modo de aplicação do batismo. Assim, os que divergem do batismo por aspersão ou efusão, e que normalmente usam da prática do batismo por imersão, podem editar no tópico correspondente.

O batismo por imersão simboliza o batismo pelo Espírito Santo, pois ao imergir na água, o indivíduo é "lavado" de seus pecados.

É bom que se diga que o Novo Testamento não menciona a forma de batismo quando ele trata do batismo com água. Ao contrário de quando fala do Batismo com o Espírito Santo, quando sempre menciona o derramamento do mesmo sobre os recém convertidos. Só ha três textos no Novo Testamento que cita a forma de batismo, não o de água, mas o do Espírito; em Atos capítulo 2 quando e Espírito é Derramado, em Atos 10:45 e 11:15 e 16 na casa de Cornélio, onde mais uma vez o batismo e claramente "derramado" e em Tito 3:5 e 6. Há textos como atos 8:16 e Atos 2 que menciona as palavras cair e descer em relação a experiencia da descida do Espírito Santo sendo associado a palavra batismo. Atos 19:6 que diz que o Espírito "veio sobre eles". A Logica aspersionista é simples. Se todas as vezes que Deus aparece batizando com o Espírito (veja os textos acima e outros) ele derrama o Espírito, e não água. O simbolismo do derramamento de água refere-se ao cumprimento da lei Mosaica.

Na Lei e nos Salmos[editar | editar código-fonte]

Segundo os que defendem esta forma de batismo, a mesma teria sido ensinada e praticada no Pentateuco na purificação e consagração dos Levitas. O texto em Números 8:6-7 é muito interessante: Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e purifica-os; assim lhes farás, para os purificar: asperge sobre eles a água da expiação; e sobre todo o seu corpo farão passar a navalha, lavarão as suas vestes e se purificarão;. Se observarmos bem, temos o que batiza aspergindo água sobre o que é batizado e, então, o próprio batizado se limpando e se lavando. O povo também foi chamado a se purificar e lavar as suas vestes para ir ao Monte Sinai (Êxodo 19:6,10,17).

Na remissão tanto a água como o sangue deveriam ser derramados (Deuteronômio 12; 15:23). Na purificação da lepra, água corrente deveria ser aspergida sete vezes sobre aquele que se devesse ser purificado (Levítico 14), sendo que este deveria lavar as suas vestes e se banhar.

Haviam também as purificações por diversos motivos que não propriamente a remissão de pecados, tais como a consagração de objetos, a purificação do que estivera doente, de casas, utensílios, animais etc. Nestes casos era comum o uso do azeite, do sangue ou da água. Também era comum que se aspergisse sete vezes com o dedo ou com hissôpo, tal como descrito no livro de Levitico (4:6,17; 14:7,16,27,51; 16:14,19).

Além disso,há uma questão importantíssima: o fato de que o batismo era uma prática anterior a João Batista, não sendo uma novidade do Novo Testamento. Na versão grega do Antigo Testamento, conhecida como Septuaginta, está escrito que “Nabucodonozor foi batizado no Orvalho do Céu”, o que não foi uma imersão. No livro aos Hebreus encontramos um paralelo nos versos 6:2 e 9:10ss, onde as várias cerimônias de purificações constantes na Lei são chamadas de “batismos”. O autor ao livro explica o porquê de tais práticas de purificação deixarem de ser um ritual repetitivo para constituir-se num ato único de iniciação na vida cristã.

No Salmo 51 o salmista pede que o Senhor o lave de suas iniquidades e o purifique de seu pecado. No verso 7 ele afirma: Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve.

Nos Profetas[editar | editar código-fonte]

Novamente, os que defendem esta forma de batismo vêem na profecia em Isaías 44:1-6 profetizado o batismo cristão, estando contidos os elementos: nascimento de Deus, o batismo com água, o batismo com o Espírito Santo e a vida de Deus. Igualmente em Ezequiel 36:25-27 temos o batismo por aspersão, o novo nascimento e a habitação do Espírito Santo. Isto seria motivo suficiente para que Jesus perguntasse a Nicodemus, um estudioso do Antigo Testamento: Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?

Em Joel 3:1-2 temos claramente o batismo por derramamento do Espírito Santo.

Em Daniel 4:33 temos na Septuaginta o termo bapto na afirmação de que o corpo de Nabucodonosor teve o seu corpo molhado pelo orvalho do céu. Ele não foi mergulhado no orvalho, o orvalho o cobriu, o lavou como faz a chuva.

Textos Paralelos[editar | editar código-fonte]

No quarto livro do Strotrateis de Clemente de Alexandria, renomado escritor do Século II dC, temos a confirmação do costume judaico de batizar por aspersão, tanto os corpos como os leitos em que reclinavam. Clemente argumenta que este era o costume judaico o serem batizados inúmeras vezes nos leitos, o que de forma alguma podiam ser imersões.

Referências