Aspersão
Aspersão - termo derivado do latim aspersione; s.f., acto ou efeito de aspergir, borrifar ou respingar. No Batismo por aspersão a água é borrifada, espalhada ou chuviscada sobre o batizando. Na prática, é muito similar à efusão, sendo usada por alguns como sinônimo, visto que, ao se procurar derramar a água com a mão sem o uso de algum utensílio, ela acaba se espalhando. A intenção é aplicar a água sobre o batizando.
Esta forma é adotada por algumas igrejas cristãs, em especial a Igreja Católica e os primeiros movimentos protestantes surgidas com a Reforma, tais como o Luteranismo, o Anglicanismo, o Presbiterianismo, o Congregacionalismo e a Igreja Metodista do Brasil.
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[editar] Aspersão x Imersão
Os que aceitam o batismo por aspersão ou derramamento entendem que a palavra batismo nas Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamento, tem significado não se limita à sua raiz etmológica, sendo sinônimo de purificação e unção e estando associado a verbos como purificar, ungir, lavar, tingir, selar, marcar, limpar.
A fim de evitar a chamada guerra de versões e em prol da imparcialidade, como se trata de tema controverso, artigos distintos foram separados quanto ao modo de aplicação do batismo. Assim, os que divergem do batismo por aspersão ou efusão, e que normalmente usam da prática do batismo por imersão, podem editar no tópico correspondente.
[editar] Na Lei e nos Salmos
Segundo os que defendem esta forma de batismo, a mesma teria sido ensinada e praticada no Pentateuco na purificação e consagração dos Levitas. O texto em Números 8:6-7 é muito interessante: Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e purifica-os; assim lhes farás, para os purificar: asperge sobre eles a água da expiação; e sobre todo o seu corpo farão passar a navalha, lavarão as suas vestes e se purificarão;. Se observarmos bem, temos o que batiza aspergindo água sobre o que é batizado e, então, o próprio batizado se limpando e se lavando. O povo também foi chamado a se purificar e lavar as suas vestes para ir ao Monte Sinai (Êxodo 19:6,10,14).
Na remissão tanto a água como o sangue deveriam ser derramados (Deuteronômio 12; 15:23). Na purificação da lepra, água corrente deveria ser aspergida sete vezes sobre aquele que se devesse ser purificado (Levítico 14), sendo que este deveria lavar as suas vestes e se banhar.
Haviam também as purificações por diversos motivos que não propriamente a remissão de pecados, tais como a consagração de objetos, a purificação do que estivera doente, de casas, utensílios, animais etc. Nestes casos era comum o uso do azeite, do sangue ou da água. Também era comum que se aspergisse sete vezes com o dedo ou com hissôpo, tal como descrito no livro de Levitico (4:6,17; 14:7,16,27,51; 16:14,19).
Além disso,há uma questão importantíssima: o fato de que o batismo era uma prática anterior a João Batista, não sendo uma novidade do Novo Testamento. Na versão grega do Antigo Testamento, conhecida como Septuaginta, está escrito que “Nabucodonozor foi batizado no Orvalho do Céu”, o que não foi uma imersão. No livro aos Hebreus encontramos um paralelo nos versos 6:2 e 9:10ss, onde as várias cerimônias de purificações constantes na Lei são chamadas de “batismos”. O autor ao livro explica o porquê de tais práticas de purificação deixarem de ser um ritual repetitivo para constituir-se num ato único de iniciação na vida cristã.
No Salmo 51 o salmista pede que o Senhor o lave de suas iniquidades e o purifique de seu pecado. No verso 7 ele afirma: Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve.
[editar] Nos Profetas
Novamente, os que defendem esta forma de batismo vêem na profecia em Isaías 44:1-6 profetizado o batismo cristão, estando contidos os elementos: nascimento de Deus, o batismo com água, o batismo com o Espírito Santo e a vida de Deus. Igualmente em Ezequiel 36:25-27 temos o batismo por aspersão, o novo nascimento e a habitação do Espírito Santo. Isto seria motivo suficiente para que Jesus perguntasse a Nicodemus, um estudioso do Antigo Testamento: Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?
Em Joel 3:1-2 temos claramente o batismo por derramamento do Espírito Santo.
Em Daniel 4:33 temos na Septuaginta o termo bapto na afirmação de que o corpo de Nabucodonosor teve o seu corpo molhado pelo orvalho do céu. Ele não foi mergulhado no orvalho, o orvalho o cobriu, o lavou como faz a chuva.
[editar] O paralelo com a Unção e o Batismo com Espírito Santo
Em Êxodo 29:21 tanto os futuros sacerdotes como suas vestes eram aspergidas com o óleo, ao que se chamava de unção. O Batismo com o Espírito Santo também é chamado de unção, funcionando como sinônimas.
O dom do Espírito é apresentado como um "derramar", ou uma "aspersão", sempre na condição de sua ascendência sobre o sujeito. Além disso, não é o sujeito que se move para o elemento, mas o elemento para o sujeito. Eis algumas passagens:
Porque derramarei água sobre o sedento e torrentes, sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes[1]
Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.[2]
E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.[3]
O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados[4]. Jesus é chamado de o Messias (Cristo em grego), que significa o Ungido.
como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele ... E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo [5] O batismo com o Espírito Santo é derramamento.
Quando, porém, comecei a falar, caiu o Espírito Santo sobre eles, como também sobre nós, no princípio. Então, me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo. Pois, se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós nos outorgou quando cremos no Senhor Jesus, quem era eu para que pudesse resistir a Deus?. [6] Compare com Atos 2:38.
Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração. [7]
E perguntaram-lhe: Então, por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? ... Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo.[8]. Este texto é tratado no próximo tópico.
Este é aquele que veio por meio de água e sangue, Jesus Cristo; não somente com água, mas também com a água e com o sangue. E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade ... E três são os que testificam na terra: o Espírito, a água e o sangue, e os três são unânimes num só propósito. [9] Observe a associação entre estes testemunhos e o batismo. I Pedro 1:2 fala da aspersão do sangue e Marcos 10:38 associa o cálice com o batismo com que Jesus seria batizado em sua morte.
[editar] Em João Batista
Se João Batista foi confundido com o Messias ou com algum dos Profetas do Antigo Testamento, era porque ele estava fazendo algo que o ligaria a estes sob a visão dos levitas e sacerdotes da época. A pergunta foi: Então, por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?
Apesar de João Batista ter afirmado que não era o profeta Elias, no Evangelho Segundo Lucas 1:17 temos a afirmação do anjo de que João Batista agiria "no espírito e poder de Elias", se referindo à profecia em Malaquias 4:5, destacando aqui a necessidade de arrependimento e a conversão do povo diante da chegada do SENHOR e no Evangelho Segundo Mateus 11:14, o próprio Jesus confirma que era ele o Elias da profecia.
Havia ainda a expectativa de surgiria um profeta semelhante a Moisés, conforme promessa em Deuteronômio 18:15.
A questão é que, se João Batista estivesse fazendo algo novo naquele contexto, os levitas e sacerdotes teriam justificativa para contestar o que estava sendo praticado. Pelo contrário, João Batista, era da linhagem sacerdotal (filho do sacerdote Zacarias) e a sua prática no rito de purificação não se chocava com a Lei e nem com os Profetas.
Quando os discípulos de Jesus discutiram com os discípulos de João Batista sobre a "purificação", eles estavam se referindo ao batismo (João 3:25-26). Aliás, estes versos fazem a associação direta do verbo batizar (βαπτιζω) com as purificações (καθαρισμος) do Antigo Testamento presentes na Lei, nos Salmos e nos Profetas, tanto como ato de consagração como de purificação em si.
Vale destacar que tanto a chegada como a preparação da vinda do Messias estão intimamente associadas à necessidade de purificação do povo. Não foi por menos que perguntaram a João Batista: És tu o Cristo?
[editar] Em Jesus
É importante destacar que Jesus cumpriu toda a Lei. Pela Lei (Números 4), todo aquele que fosse prestar o serviço sagrado deveria se apresentar a partir dos trinta anos e ser purificado através da aspersão de água da expiação sobre eles. Por isso Jesus deveria ser batizado, não para remissão de seus pecados, mas para cumprir a Lei, o que se confirma no Evangelho Segundo Lucas 3:21-23.
Jesus ao ser questionado sobre sua autoridade sacerdotal (purificar pecados, doentes e o próprio Templo) se reportou à autoridade e validade do batismo de João: O batismo de João era do céu ou dos homens? (Marcos 11:30; Mateus 21:25-26). Logo, o batismo de Jesus foi a sua ordenação, representando a purificação pela qual deveria passar o sacerdote, bem como os da casa de Levi: Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e purifica-os; assim lhes farás, para os purificar: asperge sobre eles a água da expiação (Números 8:6-7).
Tal qual foi aspergido ou derramado o sangue de Jesus Cristo, tal qual era aspergido ou derramado o sangue de animais, assim também entendem os que defendem o batismo por aspersão, deve ser feito com a água sobre o batizando.
Ainda cumprindo a Lei (Êxodo 30:30), Jesus recebeu a unção do Espírito Santo que desceu sobre ele, cumprindo também a profecia de Isaías 61, conforme descrito no Evangelho Segundo Lucas 4:18: O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos. O batismo com o Espírito Santo foi a unção de Jesus e sinal para João Batista: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo.
Conforme afirmou João Batista (Marcos 1:8), Jesus batizaria com o Espírito Santo e isto se deu pelo derramamento do Espírito. Ele mesmo Jesus recebeu o Espírito Santo que desceu como pomba sobre ele assim que fora batizado (Mateus 3:16). Da mesma forma Jesus batizaria os seus discípulos com o Espírito Santo, e sobre a cabeça deles pousaram línguas de fogo (Atos 2:3).
Somos purificados pelo sangue de Jesus Cristo (I João 1:7) e este foi aspergido, assim como o próprio Espírito Santo: eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas (I Pedro 1:2). A associação água e sangue em Jesus Cristo no Novo Testamento nos é apresentada em João 19:34 e I João 5:6. Esta associação água e sangue também existia na Lei de Moisés.
Logo, os termos gregos bapto e baptizo não podem, de forma alguma, ter o seu significado restrito à imersão.
[editar] Textos Paralelos
No quarto livro do Strotrateis de Clemente de Alexandria, renomado escritor do Século II dC, temos a confirmação do costume judaico de batizar por aspersão, tanto os corpos como os leitos em que reclinavam. Clemente argumenta que este era o costume judaico o serem batizados inúmeras vezes nos leitos, o que de forma alguma podiam ser imersões.
[editar] Conclusão
O Novo Testamento, aio para nos conduzir a Cristo (Gálatas 3:24), nos aponta para o batismo por aspersão, motivo pelo qual os que defendem a aspersão como a melhor forma de batismo entendem que assim o fora com Jesus, João Batista e os Apóstolos. Isto confere com as Escrituras.
Isso não significa dizer que a palavra grega Baptizo deva ser traduzida ou interpretada como aspersão, nem tão pouco imersão, mas como Batismo, pois o que nos interessa é o seu significado na Palavra de Deus. Jesus quer nos lavar, ou limpar, e o importante não é a quantidade de água, mas a purificação dos pecados e nova vida do batizando.
O autor do livro aos Hebreus, afirma aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo sido aspergidos os corações de má consciência e lavado o corpo com água pura, fato que deveria ocorrer no batismo. Aqui encontramos tanto o aspergir como o lavar, assim, a essência não está no modo de aplicação do batismo, mas na fé e na manutenção de um coração purificado diante de Deus.
Notas e Referências
- ↑ Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada. Isaías 44:3.
- ↑ Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada. Ezequiel 36:25-27.
- ↑ Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada. Joel 2:28-29.
- ↑ Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada. Isaías 61:2.
- ↑ Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada. Atos 10:38 e 45.
- ↑ Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada. Atos 11:38.
- ↑ Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada. II Coríntios 1:21-22.
- ↑ Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada. João 1:25 e 33.
- ↑ Bíblia Sagrada. Edição Revista e Atualizada. I João 5:6 e 8.