Bérénice

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Bérénice é uma tragédia do dramaturgo francês Jean Racine, representada pela primeira vez em 1670. Racine aparentemente escolheu o tema da separação do imperador romano Tito e de Berenice para concorrer com Pierre Corneille, que preparava no mesmo momento a peça Tite et Berenice.

Suetónio conta a história do imperador e da rainha da Palestina; como Roma opunha-se a casamento, Tito deveria enviar Berenice de volta para sua casa, invitus invita. Racine eleva a ligação, sem deixar cair na banalidade o amor de um Romano com a sua amante, ao nível de um amor absoluto e trágico.

A tragédia nasce do afrontamento de dois imperativos inconciliáveis. Tito não podia por em perigo a sua missão à frente dos destinos de Roma em nome da paixão que o unia a Berenice. A peça sustentava ser possível proceder por reviravoltas e golpes de teatro para unir e depois separar com sucesso as duas personagens.

Racine escolheu, ao contrário das tendências, a supressão de todos os eventos que poderia fazer sombra à acção única do drama: o anúncio, por Tito, da escolha que faz para romper com Berenice. No início da peça, Tito, balança os efeito de tomar uma decisão; a ele resta fazer o anúncio a Berenice e ela deveria aceitar. A paixão jamais foi posta em causa, e em algum momento, a vida da personagem é posta em perigo: nada deve distrair a atenção. A soberba arte de Racine consiste em « faire quelque chose à partir de rien », como se lê no prefácio de Berenice; de criar no espectador «cette tristesse majestueuse qui fait tout le plaisir de la tragédie» a partir de um sujeito que pode o declarar numa frase.

A tensão chega ao paroxismo no final do quarto acto, quando Tito explica o drama que o separará de Berenice, que, por seu lado, recusa a decisão que ele toma. Logo, o quinto acto mostra admiravelmente as duas personagens a enfrentarem o seus destinos: contrariamente a outras personagens de Racine, Tito e Berenice aceitam a separação sem se refugiar na morte.

"Bérénice" quedou-se durante muito tempo num purgatório até ser reavivado no século XX. Hoje em dia, é uma das tragédias de Racine mais representadas secundária a Phèdre, Andromaque et Britannicus.

Resumo da peça[editar | editar código-fonte]

Acto I. Antíoco confessa a um amigo o seu amor por Berenice. Esta, ignora-o, e regozija-se do seu casamento próximo com Tito que acaba de ser nomeado Imperador.

Acto II. Tito reconhece que não poderá desposar com Berenice porque ela não é Romana. Ele não encontra coragem para lhe falar.

Acto III. Por ordens de Tito, Antíoco explica a Berenice que o Imperador decidiu separar-se dele.

Acto IV. Tito confirma a Berenice a sua decisão. Esta contempla a se entregar à Morte.

Acto V. Berenice acaba por aceitar a decisão de Tito. Ela volta para a Palestina e reina sobre os seus Estados.

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