Conceição Lima

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A escritora Conceição Lima no Brasil para participar da 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Maria da Conceição de Deus Lima (Santana, 8 de Dezembro de 1961), mais conhecida por Conceição Lima, é uma poeta são-tomense natural de Santana da ilha de São Tomé, São Tomé e Príncipe. Estudou jornalismo em Portugal e trabalhou na rádio, televisão e na imprensa escrita em São Tomé e Príncipe. Em 1993 fundou o semanário independente O País Hoje. Na altura exerceu a função de directora do mesmo até a data da sua extinção. É licenciada em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King's College de Londres. Reside e trabalha como jornalista e produtora dos serviços de Língua Portuguesa da BBC. Já publicou poemas em jornais, revistas, e antologias em vários países. Em 2004 publicou O Útero da Casa pela editorial Caminho de Lisboa e em 2006 publicou A Dolorosa Raiz do Micondó pela mesma editorial.[1]

Lima é considerada uma poeta do periodo pós-colonial. Começou a escrever poemas na sua juventude. Em 1979, com apenas dezanove anos, viajou até Angola, onde participou na Sexta Conferência de Escritores Afro-Asiáticos. Recitou alguns dos seus poemas e era, provavelmente, a mais jovem dos participantes presentes. Conceição Lima considera esta a primeira fase da sua carreira como poeta. A segunda fase da sua carreira, começou com a publicação dos seus poemas em jornais, revistas e antologias.[2]


Influências familiares[editar | editar código-fonte]

Em 2009 Conceição Lima deslocou-se a Póvoa de Varzim (Portugal) ao Colégio de Amorim onde partilhou com os estudantes algumas histórias da sua infância e dos familiares que mais lhe influenciaram. Ela recordou o seu pai e confessou que foi ele quem lhe ensinou o poder das palavras. Pois quando era pequena o pai compunha músicas para a mãe quando ela se zangava com ele. Assim, a pequena Conceição apercebeu-se de que as palavras tinham o poder de trazer a paz, porque a mãe fazia as pazes com ele. No entanto, também lhe mostrou que as palavras ferem, pois para a mãe estar zangada é porque antes o pai a tinha magoado com palavras. Lima confidenciou também que o pai achava que ela ia ser poeta quando crescesse porque tinha uma imaginação muito fértil.[3]

Obras[editar | editar código-fonte]

Interpretações críticas[editar | editar código-fonte]

A poesia de Conceição Lima despertou o interesse da escritora Inocência Mata, também oriunda de São Tomé e Príncipe. Segundo Mata, a poesia de Conceição Lima funciona como a voz da consciência para a Europa devido ao sofrimento que tem ocurrido há séculos na sociedade são-tomense (escravatura, colonialismo). Uma poesia que também dá voz ao descontentamento daqueles ideais que não se realizaram após a independência mas que deram lugar a um clima de repressão, angústia e medo.[4]

Notes[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Nova Cultura: "Conceição Lima O Útero da Casa", 2005.
  2. Hamilton: Conceicao Lima, Poet of Sao Tome e Principe, Research in African Literatures, 2007.
  3. "Encontro emocionado de Ivo Machado e Conceição Lima com alunos do Colégio de Amorim" http://www.cm-pvarzim.pt/, 2009.
  4. Falconi e Paredes, "Conceição Lima e Inocência Mata, Dois Lados da Moderna Travessia Literária São-Tomense".
  • Conceição Lima em: Hamilton,2007. Research in African Literatures, Vol.38 (Spring 2007) ISSN: 0034-5210 (em inglês)