Suspense

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Suspense é um sentimento de incerteza ou ansiedade mediante as consequências de determinado fato, mais frequentemente referente à perceptividade da audiência em um trabalho dramático. Não é, porém, uma exclusividade da ficção, pode ocorrer em qualquer situação onde há a possibilidade de um grande evento ou um momento dramático, com a tensão como emoção primária mediante a situação.

Em uma definição mais ampla do suspense, tal emoção surge quando alguém está preocupado com sua falta de conhecimento sobre o desenvolvimento de um evento significativo; suspense seria, então, a combinação da antecipação com a lide da incerteza e obscuridade do futuro.

Narrativa tensional[editar | editar código-fonte]

Toda idéia de suspense ou, mais precisamente, narrativa tensional,[1] não tem boa reputação no campo da literatura tradicional, considerada por alguns como um aspecto dinâmico do roteiro. Meir Sternberg,[2] em uma visão retórica-funcionalista, considera o suspense como um das vários componentes de interesse da narração. De acordo com ele, "a narração pode ser definida como a interação entre suspense/curiosidade/surpresa e o tempo de comunicação (em qualquer combinação, qualquer meio, qualquer manifesto ou forma latente)". Nas mesmas linhas funcionais, ele define a narrativa como um "discurso onde essa interação domina: a narratividade, então, ascende de um possível detalhe ou papel secundário, ao status de princípio regulador, o primeiro entre as prioridades de contar/ler". Nessa concepção, suspense pode ser o oposto de curiosidade, porque o primeiro precisa de uma narração cronológica (o interesse estando na obscuridade do futuro), enquanto o segundo cria mistério modificando a ordem de exposição dos eventos, na teleologia da narração.

Raphaël Baroni[1] usa o conceito mais generalizado de "narrativa tensional" para definir o tipo de ansiedade popular produzida por uma narração enigmática que adia ou estende a resolução, estressando através dos atos hesitantes e seus efeitos estéticos. Considerando a importância da tensão na dinâmica do enredo, pode-se considerar o recurso de intriga como essencial ao ato de configuração; ou o contrário, pode-se considerar que a construção de uma boa trama consiste na desfiguração da história por um narrador hesitante que quer transformar sua narrativa em um enigma.[1] Nessa visão, o roteiro enigmático pode contrastar com a narrativa clara e ordenada. De qualquer forma, no conceito amplo de narrativa de tensão, pode-se assumer que o suspense não é unicamente um recurso de ficção popular, de filmes de Hollywood ou de novelas policiais, mas também um aspecto fundamental da ficção tradicional, tanto quanto a forma de salientar as manifestações fenomenais. Suspense é um sentimento de medo assim como diz Edson Nobel José Paquissi que esta a estudar estes casos

Aristóteles[editar | editar código-fonte]

De acordo com Aristóteles, em seu livro Poética, suspense é uma importante construção literária. Em termos mais amplos, consiste em surgir, mediante um perigo real, um raio de esperança. Os dois resultados mais comuns são:

  • o impacto do perigo, por meio do qual a audiência se sensibiliza e entristece;
  • a esperança sendo realizada, por meio da qual a audiência sente alegria e se satisfaz.

Se não há esperança, a audiência se desespera.

O paradoxo do suspense[editar | editar código-fonte]

Alguns autores tem tentado explicar o "paradoxo do suspense", isto é: uma tensão narrativa permanece efetiva sempre que a incerteza é neutralizada, porque a audiência sabe como a história é resolvida (ver Gerrig 1989, Walton 1990, Yanal 1996, Brewer 1996, Baroni 2007). Algumas teorias defendem que, usualmente, nós esquecemos muitos detalhes da história e o interesse surge devido a esses lapsos de memória; outras declaram que a incerteza sobrevive e se repete com as histórias porque, durante a imersão no mundo ficcional, nós esquecemos o conhecimento dos fatos,[3] ou porque nós esperamos que o mundo ficcional represente o mundo real, onde a repetição de um fato é impossível.[4]

A posição de Yanal[5] é mais radical, e defende que os efeitos da tensão narrativa sobrevivem, na verdade se repetem, porque a incerteza é parte da definição de suspense. Baroni[1] propõe que o tipo de suspense que excita a audiência por antecipar o que está por vir, é uma precognição particularmente característica da criança no faz-de-conta dos contos de fada. Baroni defende que outro tipo de suspense sem incerteza pode emergir mediante a contradição entre o conhecimento do futuro e o desejo, especialmente na tragédia, quando o protagonista eventualmente morre ou perde ("suspense por contradição").

Suspense no cinema e na TV[editar | editar código-fonte]

Por extensão, em Literatura e Cinema, o termo suspense passou a designar um gênero de narrativa (de ficção ou não-ficção) em que predominam as situações de tensão, provocando temor ou eventualmente sustos, no leitor ou espectador.

No cinema, o suspense foi largamente explorado, como forma de cativar a audiência. Alguns cineastas o tornaram sua marca registrada, como é o caso de Alfred Hitchcock, cujos filmes possuem a preocupação principal de provocar uma reação de medo ou expectativa. No tipo de suspense descrito por Hitchcock, ele ocorre quando a audiência tem a expectativa de algo ruim que está para acontecer (ou que eles acreditam que possa acontecer), uma perspectiva construída através de eventos sucessivos, aos quais eles não têm o poder de interferir de forma a prevenir os acontecimentos.

Muitas séries de TV exploraram o suspense, como forma de manter a audiência por longos períodos. Um exemplo foi a série The Twilight Zone ("Além da Imaginação", no Brasil), realizada em 1959, que explorava o clima entre o suspense e o poético[6] em histórias centradas na vulnerabilidade humana, incentivando a reflexão. O sucesso do formato da série levou a várias refilmagens e continuações, nos anos 1980 e em 2002.

Lista de diretores de suspense[editar | editar código-fonte]

Cliffhanger[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Baroni, R. (2007). La tension narrative. Suspense, curiosité, surprise, Paris: Seuil
  2. Sternberg, M. (1992), "Telling in Time (II): Chronology, Teleology, Narrativity", Poetics Today, n° 11, p. 901-948
  3. Walton, K. (1990), Mimesis as Make-Believe, Cambridge: Harvard University Press
  4. Gerrig, R. (1989). "Suspense in the Absence of Uncertainty", Journal of Memory and Language, n° 28, p. 633-648
  5. Yanal, R. (1996). "The Paradox of Suspense", British Journal of Aesthetics, n° 36, (2), p. 146-158
  6. MATTOS, A. C. Gomes (1988). Os Grandes Seriados da Televisão Americana – Parte II, Cinemin 44

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Baroni, R. (2007). La tension narrative. Suspense, curiosité, surprise, Paris: Seuil.
  • Baroni, R. (2009). L'oeuvre du temps. Poétique de la discordance narrative, Paris: Seuil.
  • Brewer, W. (1996). "The Nature of Narrative Suspense and the Problem of Rereading", in Suspense. Conceptualizations, Theoretical Analyses, and Empirical Explorations, Mahwah: Lawrence Erlbaum Associates.
  • Brooks, P. (1984). Reading for the Plot: Design and Intention in Narrative, Cambridge: Harvard University Press.
  • Gerrig, R. (1989). "Suspense in the Absence of Uncertainty", Journal of Memory and Language, n° 28, p. 633-648.
  • Grivel, C. (1973). Production de l'intérêt romanesque, Paris & The Hague: Mouton.
  • Mattos, A. C. Gomes (1988), Os Grandes Seriados da Televisão Americana – Parte II, Rio de Janeiro: EBAL. ISBN Cinemin n. 44, p.28
  • Phelan, J. (1989). Reading People, Reading Plots: Character, Progression, and the Interpretation of Narrative, Chicago, University of Chicago Press.
  • Prieto-Pablos, J. (1998). "The Paradox of Suspense", Poetics, n° 26, p. 99-113.
  • Ryan, M.-L. (1991), Possible Worlds, Artificial Intelligence, and Narrative Theory, Bloomington: Indiana University Press.
  • Schaper, E. (1968), "Aristotle's Catharsis and Aesthetic Pleasure", The Philosophical Quarterly, vol. 18, n° 71, p. 131-143.
  • Sternberg, M. (1978), Expositional Modes and Temporal Ordering in Fiction, Baltimore and London: Johns Hopkins University Press.
  • Sternberg, M. (1992), "Telling in Time (II): Chronology, Teleology, Narrativity", Poetics Today, n° 11, p. 901-948.
  • Sternberg, M. (2001), "How Narrativity Makes a Difference", Narrative, n° 9, (2), p. 115-122.
  • Vorderer, P., H. Wulff & M. Friedrichsen (eds) (1996). Suspense. Conceptualizations, Theoretical Analyses, and Empirical Explorations, Mahwah: Lawrence Erlbaum Associates.
  • Walton, K. (1990), Mimesis as Make-Believe, Cambridge: Harvard University Press.
  • Yanal, R. (1996). "The Paradox of Suspense", British Journal of Aesthetics, n° 36, (2), p. 146-158.

Ver também[editar | editar código-fonte]