Giovanni Battista Piazzetta

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
O jovem porta-estandarte, quadro de G. B. Piazzetta, primeira metade do século XVIII, óleo sobre tela, 87 × 71,5 cm, Gemäldegalerie de Dresden
Assunção da Virgem, de G. B. Piazzetta, 1735, Museu do Louvre, Paris

Giovanni Battista Piazzetta (Giambattista Piazzetta ou Giambattista Valentino Piazzetta) (13 de fevereiro de 1682 ou 168328 de abril de 1754) foi um pintor rococó italiano de temas religiosos e cenas de género.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Piazzetta nasceu em Veneza, filho de um escultor, de quem teve uma primeira aprendizagem do entalhamento de madeira. Começou em 1697 a estudar com o pintor Antonio Molinari. Segundo relata o próprio Piazzetta, enquanto vivia em Bolonha em 1703-1705, estudou com Giuseppe Maria Crespi, embora não haja documentos sobre uma tutela formal por parte de Crespi. Piazzetta encontrou certa inspiração na arte de Crespi, e suavizou e deu graça ao claro-escuro de Caravaggio. Representou também os camponeses, embora frequentemente vestidos segundo a moda. Ficou muito impressionado igualmente pelos retábulos criados por outro pintor bolonhês de meio século antes, Guercino.

Ao regressar a Veneza cerca de 1710, embora não prolífico ou imodesto, adquiriu reputação como artista líder. Acabou por receber menos patrocínios que outras duas estrelas eminentes do estilo veneziano rococó ou barroco tardio, Sebastiano Ricci e Tiepolo. Estes dois pintores tinham uma paleta luminosa e facilidade que lhes permitiu cobrir metros de tectos com frescos, com uma superficialidade e um encanto que estão ausentes nas representações de Piazzetta, mais escuras e intimistas. Não se pode dizer que Tiepolo, que colaborou com Piazzetta em alguns projectos, não influísse no seu contemporâneo mais conhecido (ou o inverso); não obstante, os salões com frescos em grande estilo foram cobertos, tanto em Veneza como, em especial, no estrangeiro (Piazetta viajou pouco), por Tiepolo e Ricci.

Piazzetta criou uma arte de cores quentes e ricas e uma misteriosa poesia. Era muito original na intensidade de cor que por vezes usava nas suas sombras, e na qualidade um pouco sobrenatural que dava à luz que punha em relevo parte da composição. Os gestos e as miradas dos seus protagonistas aludem a dramas que não se vêem, como numa das suas pinturas mais conhecidas, O adivinho(1740).[1] Dotou de similar carácter esquivo obras de natureza religiosa, tais como a representação Sotto in su, da Glória de Santo Domingo na Basílica de São João e São Paulo.

Também são notáveis os seus cuidadosos desenhos de figuras de meio corpo ou grupos de cabeças. Habitualmente a carvão ou cré negra com ressaltos brancos sobre papel cinza, estão cheios do mesmo espírito que anima as suas pinturas, e foram compradas por coleccionistas como obras independentes. Também produziu gravuras.

Em 1750 Piazzetta tornou-se no primeiro director da recentemente fundada Scuola di Nudo, e dedicou-se nos últimos anos da sua vida ao ensino. Foi eleito membro da Academia Clementina de Bolonha em 1727. Entre os pintores da sua oficina contaram-se Domenico Maggiotto, Francesco Dagiu (il Capella), Francis Krause, John Henry Tischbien o Velho, Egidio Dall'Oglio, e Antonio Marinetti.[2] Entre os jovens pintores que imitaram o seu estilo estão Giulia Lama, Federico Bencovich, e Francesco Polazzo (1683-1753).

Morreu em Veneza em 1754.

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Giovanni Battista Piazzetta

Referências gerais[editar | editar código-fonte]

  • Encyclopedia Britannica (1990)
  • Britannica online
  • Rudolf Wittkower. In: Pelican History of Art. Art and Architecture Italy, 1600-1750. [S.l.]: Penguin Books Ltd, 1993. Capítulo: 19. , 481-82 p.
  • John T Spike. In: Centro Di, Kimball Museum of Art, Fort Worth, Texas, USA. Giuseppe Maria Crespi and the Emergence of Genre Painting in Italy. [S.l.: s.n.], 1986. 181 p.
  1. Hoje na Galeria da Academia em Veneza
  2. Spike, JT. p181