Harmódio e Aristogíton

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Harmódio (à direita) e Aristogíton (à esquerda). Cópia romana do século V a partir da estátua grega. Museu Arqueológico de Napóles

Harmódio e Aristogíton, também conhecidos como os Tiranicidas, foram dois antigos atenienses que se tornaram heróis por terem matado Hiparco, filho de Pisístrato[1] .

Písistrato foi o responsável pela introdução da tirania em Atenas, tendo governado entre 546 e 527 a.C.. A palavra "tirania" não possuía nesta época a conotação negativa que tem hoje, referindo-se apenas ao governo de alguém que tinha tomado o poder pela força. Quando Pisístrato faleceu, o poder passou para os seus filhos, Hípias e Hiparco. Este último interessava-se mais pelas artes do que pelo governo da pólis ateniense, levando uma vida boémia.

De acordo com o relato do historiador Tucídides, na obra História da Guerra do Peloponeso, Hiparco teria por duas vezes feito propostas de carácter sexual a Harmódio, amante de Aristogíton, que as rejeitou. A relação de Harmódio e Aristogíton enquadrava-se no modelo pederástico existente na Grécia Antiga. Aristogíton era o amante mais velho (provavelmente com cerca de trinta anos) e Harmódio o adolescente, que deveria ser protegido.

Para se vingar da recusa de Harmódio, Hiparco humilhou publicamente a irmã deste. O acto gerou a fúria dos dois amantes que arquitectaram um plano, junto com outros atenienses descontentes com o governo dos tiranos, para matar Hiparco e Hípias no festival das Panateneias em 514 a.C..

Chegado o momento de executar o plano, Harmódio e Aristogíton agiram de forma precipitada e acabaram por matar apenas Hiparco. No tumulto que se gerou, Harmódio foi morto pelos guardas. Aristogíton seria feito prisioneiro, tendo sido torturado até à morte.

Após a morte do irmão, Hípias tomou medidas autoritárias, que geraram descontentamento entre a população. Em certa medida, o acto de Harmódio e Aristogíton levaria ao fim da tirania em Atenas, já que em 510 a.C. o rei espartano Cleómenes I invade a cidade e provoca a fuga de Hípias, que acabará por refugiar junto do rei persa Dario I.

Harmódio e Aristogíton tornaram-se símbolos da liberdade e da democracia. Os seus descendentes teriam recebido vários privilégios, como o direito a refeições gratuitas pagas pela pólis. Foram também os primeiros atenienses a terem um grupo escultórico construído em sua honra, um monumento da autoria de Antenor que se encontrava na ágora, e que foi levado por Xerxes em 480-479 a.C. quando este invadiu a Ática, e devolvido mais tarde por Antíoco[2] . Este grupo escultórico foi susbtituído por nova obra da autoria de Crítios[2] , que também se perdeu, sobrevivendo apenas em cópias romanas. Os amantes surgem de lado a lado; Harmódio tem o braço levantado acima da cabeça e na mão segura uma espada, enquanto que Aristogíton surge de pernas afastadas, com uma espada na sua mão direita e manto a cair do seu braço esquerdo.

A literatura também se inspirou no par como mostram os trabalhos de nomes como Lord Byron (Childe Harold's Pilgrimage), A. C. Swinburne (Athens: An Ode) e Edgar Allan Poe (Hymn to Aristogeiton and Harmodius).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SACKS, David - Encyclopedia of the Ancient Greek World. Nova Iorque: Facts on File Inc., 1995.

Ligação externa[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Pausânias (geógrafo), Descrição da Grécia, 1.29.15. Os dois estavam enterrados no cemitério de Atenas, junto com vários outros herois conhecidos por seus feitos militares
  2. a b Pausânias (geógrafo), Descrição da Grécia, 1.8.5