Imitador de Lippi-Pesellino

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Virgem com o Menino, São João Batista criança e um anjo, 1460-1470
Tondo do Imitador de Lippi-Pesellino, no MASP, São Paulo

O Imitador de Lippi-Pesellino, já chamado Pseudo-Pier Francesco Fiorentino, foi um pintor anônimo da escola florentina do renascimento, ativo na segunda metade do século XV.

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

Desconhece-se a identidade do pintor. Foi provavelmente um discípulo e sobretudo imitador dos pintores florentinos Filippo Lippi e Francesco Pesellino. Por muito tempo, foi erroneamente identificado com Pier Francesco Fiorentino. Em 1932, Bernard Berenson notou que um grupo de obras então atribuídas a Pier Francesco Fiorentino deveriam na verdade pertencer a outro pintor. Cunhou então a expressão Pseudo-Pier Francesco Fiorentino para designar o possível autor dessas obras.[1]

Em 1976, Federico Zeri observa a inadequação do nome proposto por Berenson, constatando que Pier Francesco Fiorentino demonstra ao longo da evolução de sua estética afinidades crescentes com a poética de Neri di Bicci, enquanto que o autor do supracitado grupo de obras parece manter um vínculo fiel com o círculo florentino, preferindo chamar o pintor anônimo de Imitador de Lippi-Pesellino, designação hoje amplamente aceita pela historiografia.[2]

O Imitador de Lippi-Pesellino provavelmente freqüentou o ateliê de Filippo Lippi durante a década de 1440, junto com o Mestre da Natividade Castello e Domenico di Michelino, como parece indicar o fato de que muito provavelmente teve acesso direto aos desenhos e modelos de Filippo.

Bardi o define como "pequeno mestre característico, de técnica ainda um tanto insegura, porém mais aprimorada, comparando com a de Pier Francesco".[3] De fato, o Imitador de Lippi-Pesellino parte de protótipos de Filippo Lippi, explorando com grande êxito o potencial decorativo dessas composições, visando atingir um público mais popular, ao qual as obras de Filippo eram inacessíveis.[2]

Em suas derivações e cópias de obras do mestre florentino é comum o emprego do fundo dourado, com objetivo arcaizante, além da variação cromática esmaltada, que permite entrever uma técnica pictórica de qualidade. As figuras demonstram sempre simpatia e as composições se destacam pelo domínio acurado do desenho.[2]

Atribui-se ao Imitador de Lippi-Pesellino um número considerável de obras, o que permite supor que o pintor comandasse um ateliê bastante ativo em Florença.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Berenson, 1932.
  2. a b c Marques, 1998, pp. 39-40.
  3. Bardi, 1978, pp. 22.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bardi, Pietro Maria. Museu de Arte de São Paulo: Série Enciclopédia dos Museus. 2ª ed. São Paulo: Cia. Melhoramentos, 1978. 22 p. vol. XI.
  • Berenson, Bernard. Italian Pictures of the Renaissance. Oxford: Oxford University Press, 1932.
  • Marques, Luiz. Corpus da Arte Italiana em Coleções Brasileiras: A arte italiana no Museu de Ate de São Paulo. São Paulo: Berlendis e Vertecchia, 1996. 37-39 p. ISBN 85-7229-004-4
  • Marques, Luiz. Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand: Arte Italiana. São Paulo: Prêmio, 1998. 39-40 p. vol. I.