Luar do Sertão
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A toada Luar do Sertão é um sucesso de música popular. Como outras canções que falam da vida campestre, ela encanta principalmente pela ingenuidade dos versos e pela simplicidade da melodia. Catulo defendeu em toda a sua vida que era seu autor único, mas hoje em dia se dá crédito da melodia a João Pernambuco. É uma das músicas brasileiras mais gravadas de todos os tempos, desde Vicente Celestino a Maria Bethânia.
O tema seria de João Pernambuco ou, mais provavelmente, de um anônimo, tratando-se assim de um tema folclórico - o côco "É do Maitá" ou "Meu Engenho é do Humaitá" - recolhido e modificado pelo violonista. Este côco integrava seu repertório e teria sido por ele transmitido a Catulo, como tantos outros temas. Ao menos, isso é o que se deduz dos depoimentos de personalidades como Heitor Villa-Lobos, Mozart de Araújo, Sílvio Salema e Benjamin de Oliveira, publicados por Almirante no livro No tempo de Noel Rosa.
Homem simples, sequer alfabetizado, João Pernambuco (1883-1947) – cuja musicalidade era alvo da admiração do próprio Villa-Lobos – a certa altura de sua vida queixava-se de ter sido vítima de plágio, por parte de Catulo da Paixão Cearense, quanto à autoria da célebre modinha Luar do sertão. Merece registro o depoimento de Mozart Bicalho sobre esse assunto: – Existe, até hoje, uma certa polêmica quanto à autoria do Luar do sertão. Há pessoas que afirmam que esta música pertence a João Pernambuco e não a Catulo. Catulo, no entanto, me disse uma vez que o Luar do sertão era uma melodia nortista, mais ou menos pertencente ao domínio folclórico. E possível deduzir que ambos a possuíam guardada em suas memórias, sendo, portanto, bastante discutível atribuir sua autoria a qualquer um deles.
Há ainda a favor da versão do aproveitamento de tema popular, uma declaração do próprio Catulo (em entrevista a Joel Silveira) que diz: "Compus o Luar do Sertão ouvindo uma melodia antiga (...) cujo estribilho era assim: 'É do Maitá! É do Maitá"'. A propósito, conta o historiador Ary Vasconcelos (em Panorama da música popular brasileira na belle époque) que teve a oportunidade de ouvir Luperce Miranda tocar ao bandolim duas versões do 'É do Maitá': a original e 'outra modificada por João Pernambuco', esta realmente muito parecida com Luar do sertão".
João Pernambuco teve dois defensores ilustres: Heitor Villa-Lobos e Henrique Foréis Domingues, o Almirante. Se não conseguiram o reconhecimento judicial de sua condição de autor de Luar do Sertão, pelo menos deram credibilidade à reivindicação. Ainda do mesmo Almirante foi a iniciativa de tornar o Luar do Sertão prefixo musical da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a partir de 1939.
O violonista Leandro Carvalho (estudioso da obra de João Pernambuco e organizador do CD "João Pernambuco - O Poeta do Violão", 1997) diz: "Pôr onde João andava, Catulo estava atrás, anotando tudo; foi o que aconteceu com Luar do Sertão: Catulo ouviu, mudou a letra e disse que era sua".
João Pernambuco foi enterrado no Rio de Janeiro a 16 de outubro de 47, ao som de 'Luar do Sertão', entoado por Pixinguinha, Donga e alguns amigos, sem maiores homenagens.
[editar] Letra
Composição de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco
- Não há, ó gente, oh não
- Luar como este do sertão...
- Oh que saudade do luar da minha terra
- Lá na serra branquejando folhas secas pelo chão
- Esse luar cá da cidade tão escuro
- Não tem aquela saudade do luar lá do sertão
- Se a lua nasce por detrás da verde mata
- Mais parece um sol de prata prateando a solidão
- A gente pega na viola que ponteia
- E a canção é a lua cheia a nos nascer no coração
- Não há, ó gente, oh não
- Luar como este do sertão...
[editar] Curiosidades
- A Rádio nacional, emissora de Rádio criada no Rio de Janeiro em 1936 a partir da compra da Rádio Philips, por 50 contos de réis, tinha como seu primeiro prefixo, "Luar do sertão", o qual era tocado em vibrafone por Luciano Perrone tendo em seguida um locutor anunciando o prefixo da emissora: PRE-8.

