Moll Flanders

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Moll Flanders é um romance do escritor ingles Daniel Defoe escrito em 1722. O título original é "The Fortunes and Misfortunes of the Famous Moll Flanders Who Was Born In Newgate, and During a Life of Continu'd Variety For Threescore Years, Besides Her Childhood, Was Twelve Year a Whore, Five Times a Wife [Whereof Once To Her Own Brother], Twelve Year a Thief, Eight Year a Transported Felon In Virginia, At Last Grew Rich, Liv'd Honest, and Died a Penitent. Written from her own Memorandums." .

Defoe escreveu essa obra após trabalhar como jornalista e panfletário. Defoe tinha sido reconhecido como um novelista de talento após o sucesso do livro Robinson Crusoe, lançado em 1719. Defoe se envolveu na disputa política entre o Whig (British Whig Party) (liberais) e os Tory (da aristocracia). Com a ascensão ao governo de Robert Walpole, antigo partidário Whig, Defoe (e outros artistas) passaram a criticá-lo. A história de Defoe sobre uma prostituta, faz referências a esse momento da história inglesa.

Resumo[editar | editar código-fonte]

A mãe de Moll é condenada à prisão de Newgate mas é beneficiada pelo costume conhecido por "pleading her belly", dirigido às prisioneiras grávidas. A mãe então é deportada para a América e Moll Flanders (que não é seu nome de nascimento, como ela enfatiza, mas nunca revela qual é) passa a infância e adolescência numa casa aristocrata, como serva. Muito bonita, ela é causa de disputa de dois irmãos da família. O mais velho a induz a agir como se fossem casados ("act like they were married"), na cama, mas depois ele a convence a se casar com o irmão mais jovem. Ela então enviúva, deixa seus filhos aos cuidados dos sogros e começa a se passar por uma viúva rica para atrair homens com quem pudesse se casar e alcançar a segurança financeira.

A primeira vez que ela consegue seu intento, seu marido vai à falência e foge da Inglaterra. Da segunda vez, ela é levada a Virginia (nos EUA) por um bom homem que a apresenta a sua mãe. Após dois filhos, Moll descobre que sua sogra é na verdade sua mãe biológica, o que torna seu marido seu meio-irmão. Ela se separa e volta para a Inglaterra, deixando suas duas crianças para trás. Ela vai morar então em Bath, Somerset, e procura por um novo marido.

Ela se envolve com um homem casado, cuja esposa está confinada por insanidade. Mantendo amizade e desenvolvendo um tipo de amor platônico, os dois acabam tendo um filho. Mas o seu amante não fica com ela e acaba voltando para a esposa.

Moll, agora com 42 anos de idade, conhece então um bancário casado e adúltero. Usando do dinheiro dele enquanto espera que se divorcie, Moll na verdade quer atrair outro cavalheiro para casar. Ela então conhece e se casa com um suposto homem rico. Ao contar para ele que na verdade não tinha dinheiro, o seu marido se revela também como aventureiro, que havia contraido o matrimônio pois queria se apossar do seu rico dote, e a abandona, deixando-a grávida novamente. Moll deixa o bancário acreditar que ela continua disponível, esperando que seu marido retorne.

O filho de Moll nasce quando a esposa do bancário comete sucídio, logo depois que ele lhe pedira o divórcio. Moll se casa com o bancário. O bancário morre em ruina financeira após cinco anos. Deixando Moll com dois filhos.

Sem esperanças, Moll se torna uma ladra e vai para a prisão de Newgate, como sua mãe (e o autor do livro, 20 anos antes). Na prisão ela reencontra um dos seus maridos. E os dois são condenados ao desterro, enviados para as colônias da América. O casal é levado a uma fazenda na Virgínia. Aos 69 anos, ela retorna à Inglaterra.

Temas e Análises[editar | editar código-fonte]

Alguns definem a obra como um conto sobre o capitalismo, com diversas alusões a dinheiro, contratos, etc, que outros consideram como próprias da personalidade calculista de Moll, pois o conceito econômico não era familiar na época.

O tom do livro o torna um conto picaresco sobre a moralidade. Nesse segundo aspecto, a história de Moll possui dois ângulos: ao desejar ser uma dama (lady) ela comete adultério, prostituição, abandono de crianças e incesto. Por outro lado, ela pode ser vista como uma criminosa que alcança a paz com a confissão cristã e almeja a redenção. Dessa forma, a novela explora as ideologias conservadoras e liberais do século XVIII.

Defoe se define como um Puritano. Ele acredita e escreve sobre devoção e trabalho para alcançar a Divina Graça. A novela reserva muitas páginas para crime e pecado, mas transparece muito remorso, com Moll sendo uma personagem ambígua.

A novela combina os interesses de Defoe em narrativas sobre conversões e suas experiências e idéias sobre o crime. Moll Flanders foi uma novela popular e Defoe aumentou essa sua reputação. No início ele havia escrito sobre criminosos em vários jornais e Moll Flanders o transformou em um escritor de criminosos. Aliás, depois de Moll Flanders, ele escreveu um texto sobre Jack Sheppard (1724) e uma novela sobre Jonathan Wild (1725). Também em 1724, Defoe voltou a tratar sobre a "Queda de Mulheres" em Roxana, sobre a vida de Moll Cutpurse, informação mencionada no livro.

Adaptações[editar | editar código-fonte]

  • Uma adaptação musical foi gravada em 1993, com Josie Lawrence como Moll Flanders.
  • Uma segunda adaptação para a TV britânica foi feita em 1996: The Fortunes and Misfortunes of Moll Flanders, com Alex Kingston.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]