O homem dos ratos

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Ernst tinha medo recorrente de que ratos ferissem seus entes queridos.

O homem dos ratos foi o pseudônimo dado por Sigmund Freud para o seu paciente Ernst Lanzer. Ernst procurou Freud em 1907 com queixas típicas de Transtorno obsessivo-compulsivo como temer que caso ele não se comporte de uma determinada maneira, então entes queridos serão feridos, e não resistir em fazer contagens inúteis mesmo ciente da inutilidade delas. Freud usou as suas interpretações desse caso como base de sua teoria sobre sexualidade, porém os primeiros relatos contradizem os posteriores em diversos pontos (por exemplo se a psicanalise durou poucos meses ou vários anos) e Freud queimou parte dos relatórios originais.[1]

Sintomas[editar | editar código-fonte]

Após ouvir de um capitão cruel sobre uma tortura asiática em que colocava-se um pote quente de ratos no ânus das vítimas, Ernst imaginou como seria se fizessem essa tortura com sua namorada ou com seu falecido pai e repudiou esse pensamento como algo absurdo e horrível. Ao ver um raio, Ernst não conseguia resistir a contar os segundos até o barulho. Quando estava sozinho e viu uma pedra em um caminho ele removeu-a com medo que eventualmente a carruagem de sua namorada passasse sobre a pedra e virasse ferindo sua namorada, mas depois de refletir sobre o quanto essa ideia era absurda colocou-a de novo no mesmo lugar. Ele ocasionalmente dividia palavras em sílabas e refletir sobre o significado de cada uma delas em outro idioma. Essas compulsões e obsessões estavam prejudicando a vida social e profissional de Ernst e por isso ele procurou a psicanálise.

Interpretação Freudiana[editar | editar código-fonte]

Freud interpretou que os sintomas de Ernst eram causados por um desejo inconsciente de ferir sua namorada e seu pai. O conflito entre feri-la e protege-la seria a raiz de seus problemas. Ele contava o tempo entre a luz e o som do raio como forma de acalmar seus impulsos. E tirar e recolocar a pedra no caminho era um momento de conflito entre feri-la e protege-la. E que refletir sobre as sílabas era reflexo de sua profunda dúvida e descrença pelas outras pessoas. O desejo de ferir sua namorada seria por dúvida se ela o amava e por não desejar casar-se com ela. Em relação ao pai ele tinha sentimentos ambivalentes por desejar receber a herança de seu pai e ao mesmo tempo considerar repulsivo esse tipo de pensamento. Os sintomas seriam assim sentimentos ambivalentes inconscientes objetivando adiar o casamento.[2]

Freud baseou-se nesse caso para formular suas teorias sobre a fase anal, erotismo infantil, racionalização, deslocamento e ambivalência. Existem diversas críticas a essas interpretações de Freud, inclusive por parte de seus colegas psicanalistas.[3] [4]

Interpretação científica[editar | editar código-fonte]

Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um transtorno de ansiedade relativamente comum, que afeta entre 1 a 2,5 da população em algum momento da vida, caracterizado por medos recorrentes, indesejados e incontroláveis de que caso algum comportamento não seja completado, alguém sofrerá consequências terríveis. Em estudos longos psicanálise foi ineficiente em 85 a 95% dos casos, apenas diminuindo os sintomas temporariamente, que retornam posteriores tão intensos ou piores que antes.[5] [6] [7] O tratamento moderno mais recomendado é terapia comportamental ou terapia cognitivo-comportamental associado a um remédio para ansiedade ou remédio para depressão com cerca de 90% de eficiência.[5] [8]

Referências

  1. http://www.enotes.com/notes-upon-case-obsessional-neurosis-rat-man-reference/notes-upon-case-obsessional-neurosis-rat-man
  2. Guy Thompson. The Truth About Freud's Technique: The Encounter With the Real. NYU press, 1994.
  3. Peter Gay, Freud: A Life for our Time (1989) p. 266
  4. DANIEL GOLEMAN (1990-03-06). "As a Therapist, Freud Fell Short, Scholars Find". New York Times. Retrieved 2008-08-08.
  5. a b Leonard, H.L.; Swedo, S.E., Lenane, M.C., et al. A 2- to 7-year follow-up study of 54 obsessive-compulsive children and adolescents. Arch Gen Psychiatry 50:429-39, 1993.
  6. Rasmussen, S.A. and Eisen, J.L. The epidemiology and clinical features of obsessive-compulsive disorder. Psychiatr Clin North Am, 15:743-58, 1988.
  7. Rasmussen, S.A. and Eisen, J.L. Treatment strategies for refractory obsessive-compulsive disorder. J Clin Psychiatry, 58 (suppl 13):9-13, 1997.
  8. http://drauziovarella.com.br/corpo-humano/toc-transtorno-obsessivo-compulsivo/