Palais de l'Industrie

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Vista geral do Palais de l'Industrie.

O Palais de l'Industrie et des Beaux-arts (Palácio da Indústria e das Belas Artes), chamado mais vulgarmente de Palais de l'Industrie (Palácio da Indústria), foi um palácio de exposições construído para a Exposição Universal de 1855 nos Champs-Élysées, Paris. Foi obra do arquitecto Victor Viel e do engenheiro Alexis Barrault.

História[editar | editar código-fonte]

Entrada principal do Palais de l'Industrie.

Inaugurado no dia 15 de Maio de 1855 por Luís-Napolão Bonaparte, recentemente tornado Imperador Napoleão III de França, o palácio foi o emblema da primeira Exposição Universal francesa. Essa exposição, que atingiu mais se cinco milhões de visitantes, foi a resposta do chefe de Estado francês ao sucesso da Exposição Universal londrina de 1851, elogiada, nomeadamente, pela audácia e a novidade do seu Crystal Palace.1

Ao inverso da maioria dos edifícios construídos por ocasião dessas exposições, e nomeadamente no caso do já citado Crystal Palace, o Palais de l'Industrie tinha por objectivo oferecer um cenário de exposições permanentes em pleno coração de Paris.

Interior do palácio.

Oficialmente baptizado de Palais de l'Industrie et des Beaux-arts, a exposição de belas-artes deu-se, na realidade, num palácio adjacente (situado nos números 16-18 da Avenue Montaigne. Os dois edifícios assumiram, assim, os nomes respectivos de Palais de l'Industrie e Palais des Beaux-arts. Este palácio estava, com efeito, destinado a abrigar a exposição de inovações técnicas e artesanais, em 21.779 stands.2 Serviu, para além da inauguração, para numerosas cerimónias de recompensa e, nomeadamente, para a distribuição de medalhas no dia 15 de Novembro de 1855, em presença de cerca de 40.000 cnvidados e duma orquestra dirigida por Hector Berlioz. Foram distribuidas 11.000 medalhas pelo Júri, às quais é preciso acrescentar 40 distinções pessoais da parte do Imperador. Essas recompensas permitiram a alguns obter rendas vitalícias por "serviços prestados à civilização".

O edifício serviu para as Exposições Universais de 1855, 1878 et 1889, além se ser utilizado para os salões artísticos de 1857 1897, exposições agrícolas e hotícolas, concursos hípicos, festas e cerimónias públicas. No dia 4 de Maio de 1897, são para ali levados os corpos calcinados das vítimas do incêndio do Bazar de la Charité a fim de que as famílias os pudessem reconhecer.

Para preparar a Exposição Universal de 1900, o edifício foi destruído a partir de 1896 para dar lugar ao Petit Palais e ao Grand Palais. O seu desaparecimento permitiu ligar o Hôtel des Invalides ao Palais de l'Élysée pela Ponte Alexandre III e criar uma grande perspectiva qualificada por muito tempo por axe républicain ("eixo repúblicano").

Descrição[editar | editar código-fonte]

Fachada do Palais de l'Industrie.

Construído ao longo dos Champs-Élysées, no grand carré des Jeux, no eixo do Palais de l'Élysée e da Avenue de Marigny,3 o Palais de l'Industrie ocupava um espaço que a Cidade de Paris inha devolvido ao Estado, com vista à sua construção, em 1852.

O palácio apresentava uma arquitectura racionalista de ferro e vidro característica daquele período por trás duma fachada em pedra de estilo ecléctico, destinado tanto a dar-lhe um carácter monumental como a esconder a estrutura.4

Entrada norte do Palais de l'Industrie.

Este gigantesco palácio oferecia uma fachada com 205 metros de comprimento,5 ornada por um gigantesco pórtico em arco de triunfo abrindo para uma grande nave central. A fachada, dividida em dois níveis por arcos, volta perfeita, era pontuada por quatro imponentes pavilhões de esquina. Com os seus 47 metros de largura (108 metros de profundidade incluindo a Galeria das Máquinas), o edifício estendia-se por mais de dois hectares. Atingia os 35 metros de altura e comportava 408 janelas.

A cornija superior do pórtico monumental estava decorada por um grupo escultórico, esculpido por Elias Robert, representando "A França distribuindo coroas ao Comércio e à ndústria", rodeado por símbolos imperiais, cartucho com águia segurado por crianças, obra de Georges Diebolt.6

O Palais de l'Industrie dava acesso por uma rotunda, dita do "Panorama",7 à famosa galeria anexa, chamada de "Galeria das Máquinas", uma imensa galeria de 1200 metros de comprimento por 17 de altura, correndo ao longo do cais do Sena.

O escritor Amédée Achard descreve assim o edifício: " Um dia, o governo teve esta ideia de construir um palácio para a Exposição Universal, onde em tempos se tinha alojado à sorte barracas de tábuas e um edifício de cartão. Havia justamente, entre o Cours-la-Reine e a Avenue des Champs-Élysées, um grande espaço vazio onde pacíficos rendeiros jogavam à bola e que os saltimbancos enchiam nos dias de festa. Cahmavam-lhe o Carré-Marigny. Conduziram para ali dois ou três mil trabalhadores e o palácio da exposição foi construído. As portas abertas, e apesar a extensão das suas dimensões, aperceberam-se que era demasiado pequeno; e o monumento que devia abrigar gerações de industriais vindos de todas as partes do mundo divorciou-se da Exposição Universal. No entanto não foi completamente inútil. Na primavera, penduraram-se ali os dois ou três mil quadros que os artistas vivos acabaram em cada ano para o prazer dos seus contemporâneos, e de vez em quando, no verão como no outono, pr vezes no inverno, foram ali expostos estação a eastação os melhores produtos das espécies bovinas, ovinas e suinas, os melhores alunos de todos os canis franceses, as aves mais gordas de todas as capoeiras nacionais e os queijos mais saborosos de todos os nossos departamentos".8

Referências

  1. Construído inteiramente em ferro e vidro pelo engenheiro Joseph Paxton, essa grande "estufa" constituida por elementos pré-fabricados desmontáveis e transportáveis, elevava-se por mais de 30 metros de altura.
  2. Para um total de 25.600 no conjunto da exposição.
  3. Paralelo ao Sena, hoje estaria sobre a Avenue Winston-Chuchill, com uma entrada prncipal face à Grille du Coq do Palais de l'Élysée.
  4. Numerosos edifícios da época respondem a este esquema de construção,como a Gare du Nord a Gare d'Orsay ou a Ópera Garnier.
  5. Para comparação, a fachada do Hôtel des Invalides tem 224 metros.
  6. Alguns vstígios desta escultura estão hoje conservados no fundo do Parque de Saint-Cloud, com um "Grupo de crianças" de Georges Diebolt.
  7. Tratava-se do antigo Panorama edificado segundo planos de Jacques Hittorff em 1839 e integrado nos edifícios da primeira Exposição Universal como sala de exposição onde foram apresentados os produtos de manufactura de Sèvres e dos Gobelins assim como as jóias da Coroa de França.
  8. Paris-Guide par les principaux écrivains et artistes de la France, ed.Librairie Internationale, 1867.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Marc Gaillard, PARIS, Les Expositions Universelles de 1855 à 1937, Paris : Les Presses Franciliennes, 2003 ISBN 2-9520091-1-2
  • Sur les traces des Expositions universelles à Saint-Cloud, catálogo da exposição do museu dos Avelines (25 de Março a 31 de Maio de 2009), Saint-Cloud, 2009.
  • Sur les traces des Expositions universelles de Paris-1855-1937, Edições Parigramme, por Sylvain Ageorges.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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