Puericultura

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Exame do recém-nascido

Puericultura (do latim puer, pueris, criança) é a ciência médica que se dedica ao estudo dos cuidados com o ser humano em desenvolvimento, mais especificamente com o acompanhamento do desenvolvimento infantil.

É tradicionalmente uma subespecialidade da pediatria, mas, se considerada lato senso, envolve também ações pré-natais e mesmo pré-concepcionais dedicadas à prevenção de enfermidades e anormalidades que se desenvolvem no feto e afetam a vida do futuro recém-nascido.[1] A primeira obra que trata do tema especificamente neste enfoque foi escrita em 1998 pelo médico brasileiro Dr. Celso Eduardo Olivier e encontra-se disponibilizada integralmente em seu Web Site.

A puericultura, como subespecialidade da pediatria, preocupa-se com o acompanhamento integral do processo de desenvolvimento da criança. É de fundamental importância, uma vez que é por meio dela que o pediatra tem condições de detectar precocemente os mais diferentes distúrbios das áreas do crescimento estatural, da nutrição e do desenvolvimento neuropsicomotor. A detecção precoce dos distúrbios é essencial para seu tratamento, uma vez que, quanto mais cedo se iniciarem as medidas adequadas, menos seqüelas haverá e melhor será o prognóstico do quadro clínico. Várias doenças graves que se apresentam com poucos sintomas preocupantes para os pais podem ser detectadas e tratadas pelo pediatra, antes que cheguem a causar prejuízos irreversíveis, tais como a anemia ferropriva, o raquitismo, as verminoses, as deficiências vitamínicas, os erros nutricionais e inúmeras outras doenças próprias da infância. O pediatra também supervisiona a administração da vacinação básica contra as doenças comuns da infância, como a poliomielite, a rotavirose, o tétano, a difteria, a coqueluche, as hepatites A e B, a varicela, entre outras. Além disso, o pediatra pode prevenir uma série de problemas, fornecendo adequada supervisão higiênica, dietética, comportamental e nutricional. A supervisão do desenvolvimento neuro-lingüístico-psico-motor e a orientação especializada para a adequada estimulação desse desenvolvimento, mais recentemente, tem tornado o trabalho dos puericultores de grande importância para o aproveitamento integral da potencialidade intelectual do bebê e do lactente, criando crianças, adolescentes e adultos mais preparadas para os desafios da vida moderna.

O termo “Puericultura” surgiu em 1762, criado pelo suíço Jacques Ballexserd. O termo foi reafirmado em 1865. Chegou ao Brasil, a partir da França, por Moncorvo Filho, que fundou, em 1899, o Instituto de Proteção e Assistência à Infância do Rio de Janeiro. Surgiu como uma atividade focada essencialmente na saúde pública, para mais tarde firmar-se como uma complementação da pediatria personalizada dos consultórios.[2]

Trabalho multiprofissional[editar | editar código-fonte]

Devido às demandas insatisfeitas pelo modelo tradicional de prática pediátrica, vários especialistas concordam que deve ser feito um trabalho em equipe com outros profissionais na prestação de serviços preventivos, desde a simples utilização de auxiliares no ambulatório, passando pela divisão real de tarefas com enfermeiros, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e educadores, sobretudo especialistas em desenvolvimento, procurando mobilizar efetivamente toda a comunidade na promoção de saúde.[3]

E além do trabalho tradicional atualmente é recomendado também atenção às chamadas "novas morbidades" como problemas familiares e sociais, problemas escolares e de comportamento, violência e maus-tratos, injúrias físicas, risco de suicídio, obesidade, influências da mídia, abuso de drogas, riscos da atividade sexual, etc.[4]

Referências

  1. Olivier. C.E. Puericultura: Preparando o Futuro Para o Seu Filho- Editora SOCEP - 1998 - 204pg
  2. Bonilha L.R.C.M. & Rivorêdo, C.R.S.F. Puericultura: Duas Concepções Distintas (Well-Child Care: Two Distinct Views). - Jornal de Pediatria - Vol. 81, Nº1, 2005
  3. BLANK, Danilo. A puericultura hoje: um enfoque apoiado em evidências. J. Pediatr. (Rio J.) [online]. 2003, vol.79, suppl.1 [cited 2010-08-27], pp. S13-S22 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572003000700003&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0021-7557. doi: 10.1590/S0021-75572003000700003.
  4. Osborn LM. Effective well-child care. Current Probl Pediatr 1994;24:306-26.

Bibliografia complementar[editar | editar código-fonte]