Punção aspirativa por agulha fina

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Micrografia de uma amostra por punção aspirativa por agulha fina de glândula salivar mostrando carcinoma adenóide cístico. Coloração de Papanicolau.
Médico realizando uma PAAF para determinar a natureza de um nódulo no tecido mamário.

Punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é um procedimento médico direcionado à investigação de pacientes com massas. A técnica consiste na retirada de pequena porção de tecido por aspiração através de uma agulha fina e posterior coloração e análise microscópica. Biópsias por punção aspirativa de agulha fina são procedimentos cirúrgicos seguros, muitas vezes evitando biópsias cirúrgicas maiores (excicionais ou abertas).1

PAAF de tireóide[editar | editar código-fonte]

A punção aspirativa com agulha fina é considerada o método diagnóstico inicial na avaliação da doença nodular da tireóide, tendo grande aceitação pela facilidade de execução e melhor relação custo-benefício para o diagnóstico e a seleção de pacientes para cirurgia. O sucesso do método depende da experiência do patologista e da habilidade técnica na obtenção de amostras adequadas.2 Na presença de um diagnóstico negativo para neoplasia, permite observar o paciente clinicamente, reduzindo a necessidade de cirurgia em mais de 50%.3 Nos casos suspeitos ou positivos para neoplasia, seleciona os pacientes para cirurgia, dobrando o número de carcinomas operados 4 e reduzindo os custos em mais de 25%.5 1

História[editar | editar código-fonte]

A primeira descrição de retirada de células de tumorações para exame patológico microscópico através de agulhas foi realizada por Kun em 1847. Entretanto, sua prática foi pouco utilizada até as décadas de 40 e 50, especialmente pelos altos índices de complicações descritas, relacionadas ao diâmetro exagerado das agulhas utilizadas na época. 6 A partir de 1950, após ser descrita por um grupo escandinavo, a técnica, hoje considerada clássica, passou a ser mundialmente adotada para investigação de lesões expansivas cervicais.7 8

Indicações[editar | editar código-fonte]

A PAAF é indicada para avaliação de massa palpável ou visualizada por imagem. As indicações de PAAF em lesões cervicais já foram mais restritas, mas hoje, grande parte dos autores defende sua prática em todo e qualquer paciente portador de uma tumoração cervical dita "indefinida", ou seja, em que não se pode ter confiança absoluta no diagnóstico clínico.1 Linfonodos clinicamente insignificantes, assimetrias e anormalidades menores não são indicações para PAAF.

A PAAF não é um método de screening e sim uma ferramenta diagnóstica, tal como uma biópsia cirúrgica, sendo muitas vezes utilizada antes dessa).

Quando se trata de uma massa palpável, a biópsia é geralmente realizada por um citopatologista ou cirurgião. Nesse caso, o procedimento é usualmente rápido e simples. Pode também ser realizada por um radiologista intervencionista, um médico com treinamento na realização de tais biópsias guiadas por raio-x ou ultrassom. Nesses casos, o procedimento pode requerer uma preparação mais extensa e levar mais tempo para ser realizado.

Contra-indicações[editar | editar código-fonte]

Massas superficiais: não há contra-indicações absolutas, mesmo com anti-coagulantes;

Massas profundas: coagulopatias, terapia anti-coagulante

Complicações[editar | editar código-fonte]

Os índices de complicações são muito baixos, da ordem de menos de 1% em algumas séries.9 A PAAF vem sendo realizada com grande sucesso inclusive na população pediátrica10 .

Referências

  1. a b c Malinsky R, Dall'Igna D, Smith M, da Costa S S. (2002). "Punção aspirativa por agulha fina em tumores cervicais". Rev Bras Otorrinolaringologia 68 (3): 394-398.
  2. Murussi M, Pereira CEFN, Brasil BMAA.. (2001). "Punção aspirativa de tireóide com agulha fina em um hospital geral: estudo de 754 punções.". Arq Bras Endocrinol Metab 45 (6): 576-83.
  3. Hamburger JI.. (1994). "Diagnosis of thyroid nodules by fine needle biopsy: Use and abuse.". J Clin Endocrinol Metab 79 (2): 335-9.
  4. Gharib H.. (1994). "Fine-needle aspiration biopsy of thyroid nodules: advantages, limitations, and effect.". Mayo Clin Proc 69: 44-9.
  5. Hamberger B, Gharib H, Melton LJ, Goellner JR, Zinsmeister AR.. (1982). "Fine-needle aspiration biopsy of thyroid nodules: impact on thyroid practice and cost of care.". Am J Med 73: 381-4.
  6. Ramadan H, Wax M, Boyd C. (1997). "Fine-needle aspiration of head and neck masses in children". Am J Otolaryngol 18 (6): 400-4.
  7. Frable, M.; Frable, W.. (1982). "Fine-needle aspiration biopsy revisited". Laryngoscope 92: 1414-18.
  8. Costa, S.S.; Ribeiro, E.; Rollin, G. et al.. (1996). "Massas cervicais. In Costa, S.S.; Cruz, O.; Oliveira, J.A. Otorrinolaringologia: princípios e práticas": 525-535. Artes Médicas.
  9. Fulciniti, F.; Califano, L.; Zupi, A.; Vetrani, A.. (1997). "Accuracy of fine-needle aspiration biopsy in head and neck tumors. jornal = J Oral Maxillofac Surg" 55 (10): 1904-7.
  10. Ramadan H, Wax M, Boyd C. (1997). "Fine-needle aspiration of head and neck masses in children". Am J Otolaryngol 18 (6): 400-4.

Links externos[editar | editar código-fonte]

Preparing for Needle Aspiration Biopsy. Texto de domínio público do National Institutes of Health Warren Magnuson Grant Clinical Center.