Quilombos no Litoral Norte do Rio Grande do Sul

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O negro aparece no Rio Grande do Sul em 1725, com a expedição de João Magalhães, vinda por terra. Estes negros, certamente escravos, realizavam o serviço pesado. Porém, a presença negra no território gaúcho é marcada oficialmente no ano de 1737, quando o Brigadeiro José da Silva Paes se estabelece na Barra erigindo o Presídio Jesus, Maria e José, marco inicial da colonização.

Durante os primeiros anos da colonização do Brasil por europeus, o Rio Grande do Sul era conhecido como uma região distante e hostil, denominada continente. Os escravos rebeldes ou preguiçosos eram ameaçados de envio à região, considerado por eles como pior que o inferno.

Os principais quilombos do Rio Grande do Sul[editar | editar código-fonte]

  1. Quilombo do negro Lúcio (ilha dos Marinheiros)
  2. Quilombo do Arroio
  3. Quilombo da serra dos Tapes
  4. Quilombo de Manuel Padeiro
  5. Quilombo do município de Rio Pardo
  6. Quilombo na serra do Distrito do Couto
  7. Quilombo no município de Montenegro

O RS Rural doou ao Museu Antropológico do RS – MARS parte do material da pesquisa da antropóloga Rosane Rubert, incluindo 593 fotos de afrodescendentes no interior do Estado. O trabalho resultou no livro Comunidades Negras Rurais do RS: um levantamento socioantropológico preliminar, publicado pela Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento – Programa RS Rural e EMATER/RS-ASCAR, e pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura – IICA, em 2005.

Ao mapear várias comunidades rurais do Rio Grande do Sul, o estudo indica seis comunidades "remanescentes de quilombos" apontadas através de laudos antropológicos; 42 comunidades visitadas durante a consultoria e caracterizadas como "potencialmente remanescentes de quilombos"; e 27 comunidades indicadas por formulários ou outras fontes, que não foram visitadas/ou que requerem estudos mais aprofundados. O livro mostra várias fotos e as localidades no mapa do RS.

RUBERT, Rosane A. Comunidades negras rurais no RS: um levantamento socioantropológico preliminar. Porto Alegre: RS RURAL, IICA, 2005.

Presença inicial do negro no litoral norte gaúcho[editar | editar código-fonte]

No ano de 1719, a expedição de João de Magalhães transitou pelo litoral norte do Rio Grande do Sul e pelos campos de Viamão. Esta expedição partiu da cidade catarinense de Laguna. O capitão-mor de Laguna requereu-se para si um conjunto de terras entre o rio Tramandaí e o Rio Grande.

Origem e história do quilombo de Morro Alto[editar | editar código-fonte]

No ano de 1852, na localidade denominada Capão Alto, um pouco ao norte de Capão da Canoa (cujo nome antigo era Capão da Negrada) desembarcou um navio negreiro. Os negros apreendidos deste navio eram em sua totalidade do Congo. Este episódio é considerado por muitos como a origem do quilombo do Morro Alto.

Morro Alto era o nome de uma das fazendas de Conceição do Arroio, que pertencia as famílias Marques da Rosa e Nunes da Silveira. Em meados do século XIX essas famílias foram acumulando propriedades em Conceição do Arroio, primeiro nome da Cidade de Osório.

Nos anos de 1883 e 1884 provavelmente os escravos desta fazenda tenham sido todos alforriados de várias maneiras. Um inventário feito nesta fazenda doou a alguns escravos partes da fazenda do Morro Alto.

Antes da construção da estrada as relações comunitárias se expressavam por maio do uso dos caminhos que cruzavam os morros. Essas trilhas pelo meio do mato são lembrados como contato entre as senzalas, por onde vinham os escravos para as suas festas.

A comunidade de Morro Alto no decorrer dos tempos[editar | editar código-fonte]

O distrito de Morro Alto, que já pertenceu à Osório, faz parte atualmente de Maquiné (RS), litoral norte do Rio Grande do Sul, e que fica aproximadamente 120 km de Porto Alegre. A população desta comunidade conta com aproximadamente 500 famílias. Agricultura, pecuária e extração de basalto são as principais fontes de renda do local. Apesar do decorrer dos tempos não ocorreu um grande desenvolvimento do local. Há apenas uma escola de 1° grau, um posto de saúde e o comércio local não é diversificado.

Desde a década de 60 a população negra de Morro Alto vem lutando pela sua afirmação de identidade, regularização fundiária e pela atenção das ações políticas públicas em relação aos direitos do afro descendentes no Brasil. No ano de 2001, a comunidade apresentou sua demanda de regularização das terras ocupadas e a recuperação daquelas perdidas de diversas formas, inclusive pelo atual projeto de duplicação da BR 101.

Criação da Associação Rosa Marques[editar | editar código-fonte]

A Associação Rosa Marques, criada pela comunidade negra de Morro Alto emergiu no contexto de realização de reuniões sistemáticas na comunidade, a partir da realização das atividades do projeto de reconhecimento implementado pelo Convênio Governo do Estado/Fundação Cultural. Esse processo iniciou em setembro de 2001.

A constituição da Associação incrementou seu movimento reivindicatório pelo reconhecimento de suas terras, pari passu outrora, como naqueles espaços em que os negros se reuniam.

As reuniões realizadas estão reunindo inúmeras pessoas que mostram-se bastante interessadas nos diferente assuntos que as dizem respeito.

Quilombo do Morro Alto na mídia[editar | editar código-fonte]

A seguir alguns artigos publicados na mídia do Rio Grande do Sul, Brasil sobre o Quilombo do Morro Alto

Quilombolas fecham a BR 101 hoje[editar | editar código-fonte]

Na data consagrada aos negros, denunciarão a falta de infra-estrutura básica nas áreas onde vivem Rigotto recebeu os representantes de quilombos no Piratini Representantes das 48 comunidades quilombolas (remanescentes de quilombos) do Estado realizam mobilização hoje - data consagrada aos negros - na BR 101. O grupo pretende bloquear o tráfego por uma hora, nos dois sentidos da rodovia, na altura de Morro Alto, a partir das 15h. Os manifestantes tencionam chamar a atenção das autoridades e denunciar a falta de infra-estrutura básica nas áreas onde vivem. 'Também aproveitarão para pedir agilidade à regularização fundiária', explicou o presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (Codene/RS), Flávio de Souza, que ontem se reuniu com o governador Germano Rigotto.

Souza estava acompanhado de representantes da comunidade afrodescendente e do presidente da Fundação Léopold Sédar Senghor, Mauro Paré. Eles entregaram a Rigotto um pedido de apoio para a implantação do Museu dos Cultos Afro-Brasileiros, instituído por decreto em 1994. O espaço, conforme Paré, será uma espécie de casa da memória africana gaúcha. 'O espaço integra a nossa luta pelo resgate da auto-estima da comunidade de descendentes africanos.' Paré revelou que o acervo já conta com vários objetos e documentos históricos.

O objetivo do grupo, conforme Dilce da Oxum, é agilizar os procedimentos para que o museu seja inaugurado em 20 de novembro, instituído como o Dia da Consciência Negra. O governo prometeu publicar nos próximos dias decreto instituindo comissão para tratar da implantação do espaço. O trabalho será desenvolvido por representantes das secretarias estaduais da Cultura e do Trabalho, Cidadania e Assistência Social, do Codene/RS e da Fundação Léopold Sédar Senghor.

Rigotto ressaltou que a comissão tem prazo de 180 dias para apresentar resultados. 'Contaremos com assessoria técnica do Sistema Estadual de Museus', ressaltou o secretário substituto da Cultura, Victor Hugo.

As peças que comporão o acervo serão armazenadas, provisoriamente, na sede do Codene/RS. No local, passarão por minuciosa seleção para catalogação futura, uma vez que o espaço que abrigará o museu ainda não foi definido.(Correio do POvo)

BR 101 é cenário de manifestação quilombola[editar | editar código-fonte]

No dia dos 117 anos da proclamação da Lei Áurea, sexta-feira passada, o tráfego da BR 101, próximo a Morro Alto, foi bloqueado por aproximadamente uma hora.

Cerca de 150 pessoas entre elas o Deputado Estadual do PT, Edson Portilho; representantes do MNU (Movimento Negro Unificado), Associação Rosa Osório Marques, a representante do movimento quilombola local; representantes do INCRA, DNIT, Polícia Rodoviária Federal e outros também participaram desta manifestação que relembrou de forma pacífica os 117 anos da abolição da escravatura no Brasil.

Alguns aspectos como, a demarcação da área das terras pertencentes aos quilombolas, o combate ao racismo e a forma de vivência dos remanescentes de escravos foram discutidos e expostos a todos os que estiveram presentes nesta manifestação.

Apesar de o movimento ter sido realizado na Rodovia BR 101 Manoel José da Silveira, um dos representantes da Associação Rosa Marques, afirmou que esta interrupção não tem o objetivo de impedir a duplicação da rodovia. "Queremos a duplicação da BR 101, desde que ela seja dentro da lei e que sejamos indenizados", disse Manoel.

Conforme explicou Wilson Rosa, o presidente da Associação Rosa Marques, esta manifestação não foi de cunho comemorativo, pois a escravização da raça negra somente causou desgraças.

Já no dia sete de junho será uma reunião da Associação Rosa Osório Marques, que conta atualmente com aproximadamente 230 famílias, onde serão expostos os resultados desta paralisação e o Ovri Nordeide deu as respostas de órgãos como INPAR, MUCK, governo Estadual e Federal.9 Jornal Litoral em Foco)

Quilombolas realizam ato em Morro Alto[editar | editar código-fonte]

O ato, que tem início para 15 horas desta sexta (13/5), vai reunir diversas comunidades quilombolas do Estado do Rio Grande do Sul, no canteiro de obras da BR 101, no km 68 trecho entre Osório e a divisa com Santa Catarina, no lugar chamado Morro Alto/Maquiné (próximo ao quilombo do Morro Alto)no Rio Grande do Sul Para os negros, a data de 13 de maio oficializou a exclusão territorial no país. A luta dos remanescentes de quilombos demonstra a falta de ação do Estado brasileiro em relação a um direito de uma etnia que construiu o país, mas foi excluída e não tem acesso a própria terra. A realização do ato é do Movimento Negro e das comunidades remanescentes de quilombos do Rio Grande do Sul.

Fontes de pesquisa[editar | editar código-fonte]

Livro: Comunidade Negra de Morro Alto, Historicidade, Identidade e Territorialidade

Ligações externas[editar | editar código-fonte]