Sistemas de Supervisão e Aquisição de Dados
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Sistemas de Supervisão e Aquisição de Dados, ou abreviadamente SCADA (proveniente do seu nome em inglês Supervisory Control and Data Aquisition) são sistemas que utilizam software para monitorar e supervisionar as variáveis e os dispositivos de sistemas de controle conectados através de drivers específicos. Estes sistemas podem assumir topologia mono-posto, cliente-servidor ou múltiplos servidores-clientes. Atualmente tendem a libertar-se de protocolos de comunicação proprietários, como os dispositivos PACs (Controladores Programáveis para Automação), módulos de entradas/saídas remotas, controladores programáveis (CLPs), registradores , etc, para arquiteturas cliente-servidor OPC (OLE for Process Control).
[editar] O que é na prática?
De forma genérica, um sistema de supervisão é um tipo software que permite monitorar e controlar partes ou todo um processo industrial.
Analogia com AutoCAD: Imagine um AutoCAD. Você instala um programa e através deste programa você pode criar seus projetos de peças mecânicas, desenhar diagramas elétricos, etc. Terminado o projeto, você pode imprimi-lo.
Um SSC, a grosso modo, trabalha de forma análoga. Você instala um programa e desenvolve seu projeto através deste programa. Finalizado o projeto, ao invés de imprimir, (como no AutoCAD) seu projeto é executado no computador.
Os SSC geralmente têm 2 módulos básicos: O Studio e o Viewer. O Studio é o módulo de desenvolvimento do projeto do SSC. O Viewer é o módulo onde se executa o projeto. (Os nomes e a metodologia de desenvolvimento variam um pouco de fabricante para fabricante, mas sempre são bem parecidos)
Atualmente, para desenvolver projetos de SSC não é necessário o conhecimento de nenhuma linguagem de programação em específico. A maioria dos passos de programação é automatizada, suprindo a maior parte das necessidades de um projeto. Em casos mais complexos e específicos, onde os passos não estão automatizados, alguns SSC´s incorporam módulos de programação em VBA (Visual Basic For Applications) ou VBS (Visual Basic Script). Em alguns casos encontram-se linguagem próprias, mas sempre parecidas com linguagens comerciais que já são difundidas.
[editar] Porque a empresa precisa de um sistema de supervisão?
Qualidade, redução dos custos operacionais, maior desempenho de produção, base para outros sistemas, ou seja, VANTAGEM COMPETITIVA!
Qualidade: Através do monitoramento das variáveis do processo produtivo, (pressão, temperatura, vazão, etc.) é possível determinar níveis ótimos de trabalho. Caso estes níveis saiam da faixa aceitável o SSC pode gerar um alarme na tela, alertando o operador do processo para um eventual problema no processo produtivo. Desta forma, as intervenções no processo são feitas rapidamente, garantindo que o produto final sempre tenha as mesmas características.
Redução dos custos operacionais: Imagine um processo produtivo com inúmeros instrumentos de medição. Quanto tempo e quantos funcionários especializados seriam necessários para percorrer todo o processo de produção afim de realizar a leitura de todos os instrumentos? Quantas planilhas seriam necessárias e qual a probabilidade de erros humanos? Com um SSC é possível centralizar toda a leitura dos instrumentos de campo, gerar gráficos de tendência e gráficos históricos das variáveis do processo. São necessários poucos funcionários especializados e com poucos “cliques” de mouse é possível realizar a leitura dos instrumentos de um processo industrial inteiro.
Maior desempenho de produção: Através da rapidez da leitura dos instrumentos de campo, as intervenções necessárias podem ser feitas mais rapidamente. Problemas de parada de máquina por defeitos podem ser diagnosticados mais pontualmente e os setup´s de máquina também são agilizados.
Base para outros sistemas: Os SSC podem coletar os dados do processo produtivo e armazená-los em banco de dados. Estes dados podem ser utilizados para gerar informações importantes, sendo integrados com sistemas MES, ERP, SAP e etc. Podem também fornecer dados em tempo real, para sistemas que realizam cálculos de OEE, sistemas SFC, sistemas de PCP ou similares.
OEE - Overall Equipment Effectiveness
PCP – Planejamento e controle de produção
MES - Manufacturing Execution Systems
SFC - Shop floor control
[editar] Sinóticos
Através das telas de sinóticos é que um processo industrial pode ser monitorado. Estas telas são “projetadas e desenhadas” através do Studio (conforme dito anteriormente) e depois executadas através do Viewer.
Na figura acima, mostramos como é feita a confecção de uma tela no Studio.
1 – Função para desenhar polígonos na tela;
2 – Função para iniciar o Viewer, afim de visualizar e testar a tela que está sendo desenhada;
3 – Funções que permitem adicionar botões, check Box, Labels, Caixas suspensas, etc;
4 – Funções de edição similares ao do Microsoft Word;
5 – Galeria com objetos prontos, tais como: tanques, bombas, tubulação, etc;
6 – Janela de propriedades de cada objeto adicionado na tela;
7 – Alternância entre o modo de desenho da tela e modo de customização de scripts.
Na figura abaixo, mostramos como é uma tela de sinótico em “run time”, ou seja, sendo executada pelo Viewer.
Note que os botões de desenho e propriedades não são acessíveis ao usuário.
1 – Visualização das variáveis do processo industrial.
2 – Sumário de alarmes.
3 – Representação gráfica do nível do tanque.
4 – Situação de trabalho do equipamento.
[editar] Alarmes
Os SSC´s podem ser configurados para gerar alarmes, ou seja, avisar ao usuário do sistema quando uma variável ou condição do processo de produção está fora dos valores previstos.
Os alarmes são mostrados na tela em formato de planilhas e/ou animações na tela.
Na figura acima, mostramos como configurar um alarme no Studio.
1 – Tipo do alarme digital. Significa que o SSC monitora um ponto que assume apenas dois valores.
2 – Descrição do alarme. Significa que quando o ponto monitorado estiver em alarme, o SSC mostrará a mensagem configurada.
3 – Define se o alarme é crítico ao processo de produção.
Na figura abaixo, mostramos como o alarme é mostrado na tela, em “run time”, ou seja, no Viewer.
O gerenciamento de alarmes em SSC é um vasto tema de estudos.
A principal questão está no fato de que a grande maioria dos sistemas SCADA não possui ferramentas adequadas para o tratamento de grande quantidade de alarmes. Dessa forma, os operadores de sistemas, como seres humanos, possuem um limite de processamento de mensagens a cada intervalo de tempo. Em situações de estresse contínuo ou mesmo de “avalanches”, o excesso de mensagens geradas pode fazer com que os operadores passem a desprezá-las.
Nesse contexto, os sistemas de supervisão deveriam fornecer mais ferramentas que pudessem auxiliar os operadores nesses momentos, como por exemplo, distinguindo quais as ações são mais importantes e devem ter uma resposta mais imediata, e quais têm prioridade mais baixa, por ser apenas conseqüência de outros eventos.
[editar] Relatórios
Atualmente, os SSC´s do mercado possuem ferramentas para a geração de relatórios na própria estação de trabalho. Os relatórios mais comuns que são utilizados são:
Relatório de alarmes: Lista um histórico com os alarmes ocorridos durante uma faixa de tempo escolhida pelo operador do sistema.
Relatório de Acesso: Lista quais foram os usuários que acessaram o SSC ou modificaram algum parâmetro do processo.
Relatório de variáveis: Lista a alteração de variáveis ao decorrer do tempo/lote/período.
Os relatórios dependem da imaginação do desenvolvedor e das necessidades do cliente. Lógico que deve se observar as limitações de cada SSC para a geração de relatórios. Geralmente não são executados relatórios “pesados” (com muitos cálculos e relacionamentos) dentro do SSC, pois podem afetar drasticamente o desempenho do sistema (que geralmente é vital para o processo industrial). Relatórios complexos devem ser processados por outros sistemas de informação.
A figura acima mostra a configuração de um relatório no Studio.
[editar] Gráficos Históricos
Uma das mais interessantes funcionalidades dos SSC é a possibilidade de geração de gráficos históricos.
Gráficos históricos ajudam a avaliar valores de variáveis ao longo do tempo de forma rápida.
Na figura abaixo, mostramos um exemplo de gráfico histórico visualizado em run time.
[editar] Tipos de comunicação e protocolos
Meio físico: Os SSC´s necessitam de um meio físico para que seja possível a aquisição de dados no controlador de campo (PLC).
Este meio físico geralmente utiliza o padrão elétrico RS232, RS485 ou ethernet.
O padrão RS232 pode ser utilizado até uma distância máxima de 12 metros. Já o padrão RS485 pode chegar a uma distância de até 1200 metros sem repetidores.
Atualmente, utiliza-se em maior parte, o padrão ethernet. Chega à distância de até 100 metros entre seguimentos com cabeamento do 10BaseT.
Para distância elevadas, utiliza-se fibra óptica.
Protocolos: Para que haja comunicação entre o controlador de campo e o SSC não basta apenas o meio físico. Os dois sistemas devem utilizar o mesmo protocolo de comunicação. Cada fabricante de PLC tem o seu protocolo de comunicação proprietário. Logo, os SSC possuem vários “drivers” de comunicação, para que possam atender a maior parte dos fabricantes.
Existem protocolos de comunicação abertos, como por exemplo, o MODBUS. Existe nas versões RTU (Padrão serial RS232/RS485) e TCP (Padrão Ethernet). A maioria dos fabricantes de PLC já implementa este protocolo de forma nativa.
[editar] OPC (OLE for process control)
OPC (OLE for Process Control) é um padrão industrial publicado para interconectividade de sistema. As especificações deste padrão são mantidas pela Fundação de OPC. A Fundação OPC é uma organização dedicada ao desenvolvimento de tecnologias aplicadas a interoperabilidade na automação a fim de criar e gerenciar especificações que padronizam a comunicação das arquiteturas de acesso a dados on line, alarmes, registros de eventos, comandos e bancos de dados de diferentes equipamentos, de vários fabricantes que comunicam em diferentes protocolos. Seu funcionamento é baseado no OLE (Objetc Linking and Embedding) de componentes orientados a objeto, por meio das tecnologias COM e DCOM da Microsoft que permitem que aplicações troquem dados que podem ser acessados por um ou mais computadores que usam uma arquitetura cliente/servidor, mesmo que essas aplicações trabalhem sobre sistemas que utilizem protocolos diferentes.
O OPC funciona utilizando os serviços das tecnologias OLE COM de Microsoft (modelo objeto/componente) e DCOM (modelo objeto/componente distribuído), a especificação define o formato padrão de objetos, interfaces e métodos para uso em sistemas de automação e controle que facilitam a interoperabilidade. As tecnologias de COM/DCOM proveram o procedimento padrão para criação de softwares que objetivam a integração de equipamentos. Com base nessa tecnologia foram criadas centenas de OPC de acesso a dados tanto em servidores quanto em clientes. O OPC propõe a interface amigável entre sistemas que trabalham usando protocolos diferentes. Assim diversas aplicações recebem dados no mesmo formato da sua base de dados, embora a fonte desses dados possa trabalhar com um padrão diferente de formatação e comunicação de dados. O OPC unifica o padrão de comunicação de dados de controle de processo e a permite que diferentes produtos sejam interfaceados com uma única tecnologia, promovendo interações dos sistemas de operação e integração de vários processos em um só sistema, isso com custo e tempo de implementação reduzidos (IWANITZ F. E LANGE, 2006).
O OPC permite a “integração vertical” entre os diferentes sistemas dentro de uma organização.
Consiste em um programa servidor, geralmente disponibilizado pelo próprio fabricante do PLC, que se comunica com o PLC através do protocolo proprietário e disponibiliza os dados no padrão OPC.
O cliente, ao invés de precisar ter um driver do protocolo proprietário, necessita ter apenas o driver OPC client instalado.
O servidor OPC pode estar instalado na mesma maquina que o OPC client.
Quando o servidor e o cliente estão instalados no mesmo computados, o OPC utiliza o COM para estabelecer a comunicação. O COM é de fácil configuração e relativamente rápido.
Em aplicações distribuídas, o servidor e o cliente OPC serão instalados em computadores diferentes.
Neste caso, o OPC passa a utilizar o DCOM. O DCOM é de configuração complicada, difícil de trabalhar em WAN´s, tem timeout elevado e exige configurações avançadas no firewall.
Tipos de OPC:
OPC DA – Qual o valor da variável “x” AGORA?
OPC HDA – Qual o valor da variável “x” ONTEM?
OPC A&E – Trata de alarmes e eventos
OPC UA:
É a ultima evolução do OPC. Pretende unificar todas as especificações anteriores do OPC e não se baseia mais nas tecnologias COM e DCOM, ou seja, liberta-se das amarras da MicroSoft podendo basear-se em sistemas UNIX. Trabalha com tecnologia orientada para web, como SOAP, XML etc... Promete ser o padrão dominante nos próximos 10 anos.
[editar] Sistema cliente/servidor
Imagine que é necessário visualizar e controlar o processo industrial em mais de um local dentro da planta industrial com a mesma confiabilidade e precisão do sistema SCADA local.
Os SSC permitem arquiteturas onde o servidor SCADA permite que clientes se conectem a ele e coletem dados e informações de alarmes e históricos.
O processamento dos dados do processo fica centralizado no servidor SCADA, garantindo que não haverão incertezas e diminuindo o trafego de rede.
O servidor SCADA, neste caso, pode ou não ter uma interface gráfica.
[editar] Sistema Web Server
De forma análoga ao sistema cliente/servidor o Web Server visa disponibilizar os dados do processo através da rede. Porém os clientes ao invés de acessarem os dados através de um software instalado na máquina, eles acessam via browser de internet.
A figura acima mostra uma tela de sinótico sendo visualizada através do Firefox.
Geralmente é baseado no serviço IIS do Windows e através de um activeX instalado no PC cliente, pode-se visualizar as telas do processo, gerar relatórios e até realizar comandos no processo.
Tem como vantagem a não necessidade de instalação de softwares adicionais no micro cliente e pode-se acessar o SSC através da internet de forma fácil e segura. Permite o fácil acesso através de palms e celulares mais avançados.
A principal desvantagem é a relativa perda de robustez do sistema.
A tendência é a substituição dos clientes normais por sistemas web. Os custos são menores, há menor investimento em infra-estrutura e gera ótimos resultados.
[editar] Redundância e confiabilidade
Existem processos industriais que não podem parar. A parada destes processos pode causar prejuízos financeiros imensos ou até mesmo riscos a vida.
Desta forma alguns dos sistemas SCADA podem ser configurados de forma redundante. (depende do fabricante) Existem inúmeros métodos de arquitetura de redundância de dados, variando de fabricante a fabricante de SSCs. O mais utilizado é comumente chamado de hot standby.
Existem 2 servidores, um chamado primário e outro secundário ou backup. Os dois sistemas possuem base de dados idênticas (planilhas de comunicação com o PLC).
Quando o servidor primário esta em funcionamento, os clients requisitam dos dados deste servidor. O próprio servidor secundário também requisita os dados do servidor primário e deixa a sua base de dados inativa.
Quando o servidor primário não está mais ativo, os clients automaticamente começam a requisitar dados do servidor secundário (failover automático). O servidor secundário, por sua vez, ativa a sua base de dados local e inicia a leitura das variáveis no PLC.
Quando o servidor primário volta à ativa, o sistema chaveia-se automaticamente, ou seja, volta a condição inicial.
[editar] Banco de Dados
Os SSC´s tem plena capacidade de armazenamento em banco de dados relacionais. Podem ser armazenados:
• Dados históricos;
• Informações Logísticas;
• Dados de logon/logoff;
• Etc;
Os dados podem ser utilizado para gerar relatórios, gráficos, etc...
Os bancos de dados mais utilizados são o SQL Server, Oracle e mySQL. Em alguns casos que exijam menor complexidade pode-se utiliza MS Access (Porém não recomendado).
Geralmente os SSC´s e DBs encontram-se instalados em maquinas separadas. Porém há casos em que se utiliza o DB instalado localmente.
[editar] PIMS
Podemos chamar de banco de dados temporal.
Basicamente, PIMS é um software que contém um repositório, onde são concentradas todas as informações relevantes das células de produção, diretamente ligadas aos sistemas de supervisão e controle. O PIMS coleta informações dos sistemas de supervisão, CLPs, SDCDs e sistemas legados e os armazena em uma base de dados real time.
Tal base tem características não encontradas nos bancos de dados convencionais, como:
Grande capacidade de compactação (tipicamente de 10:1) e alta velocidade de resposta a consulta em sua base histórica.
Devido a isto, é capaz de armazenar um grande volume de dados com recursos mínimos, se comparado às soluções convencionais.